terça-feira, outubro 19, 2010

FUNDAÇÃO CHAMPALIMAUD - Centro de Pesquisa do Desconhecido







Enquadrada ainda nas comemorações do Centenário da República e da campanha da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que decorrem durante este mês de Outubro de 2010, achei oportuno publicar esta mensagem sobre a figura de António Champalimaud e sua Fundação, dando especial relevo ao seu Centro de Pesquisa do Desconhecido, recentemente inaugurado e particularmente vocacionado para a investigação oncológica, mormente concebida para benefício de todas as classes sociais da população.

António de Sommer Champalimaud (1918-2004), foi um empresário português.

Figura polémica e incontornável na história económica do séc. XX português, citado muitas vezes como o homem mais rico do país, tinha uma fortuna calculada em 1,3 mil milhões de euros e apareceu na lista dos multimilionários da revista Forbes em 2004, ocupando a 153.ª posição. Construíu o seu império empresarial durante a ditadura do Estado Novo, com a protecção de Salazar. Esse império foi estatizado pelo governo de Vasco Gonçalves. Estendeu os seus negócios a Angola, Moçambique e ao Brasil, onde manteve outro império empresarial, na altura em que era governado por uma ditadura militar (Getúlio Vargas). Em 1975 e após as sucessivas nacionalizações do seu património, Champalimaud foge para França e fixa-se então no Brasil.

Regressa a Portugal em 1992, ano em que o seu filho João é assassinado por um dos funcionários de uma das suas empresas. Aproveitando a nova conjuntura económica do país, agora com o governo de Cavaco Silva, também aqui consegue recuperar o seu fabuloso património. Considerado o homem mais rico de Portugal e dono do segundo maior grupo financeiro - uma seguradora e quatro bancos - viu a sua biografia publicada em 1997.

Desgostoso com Portugal, vende aqui a quase totalidade do seu património financeiro e regressa ao Brasil, onde possuía fazendas dedicadas à agricultura e pecuária.

António Champalimaud morreu aos 86 anos, na sua residência de Lisboa, vítima de cancro. A doença impediu-o de receber a Ordem da Liberdade, atribuída por Jorge Sampaio. No seu testamento, legou 500 milhões de euros para a criação de uma fundação em Portugal, destinada à investigação na área da biomédica, a "Fundação D. Anna Sommer Champalimaud e Dr. Carlos Montez Champalimaud", assim chamada em homenagem a seus pais.


Neste 5 de Outubro de 2010, Portugal colocou-se no mapa da vanguarda da pesquisa oncológica e da neurociência, com a inauguração do Centro de Pesquisa do Desconhecido (CPD), um presente para o país no dia em que completou um século como República.

A inauguração do imponente edifício em Belém, junto ao local onde desemboca o rio Tejo, contou com as presenças do presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e do primeiro-ministro José Sócrates, que reforçaram, assim, a importância dada pelo Estado a este projecto privado, pioneiro na Europa.

Por vontade testamentária Leonor Beleza foi nomeada presidente da Fundação e a direcção do CPD foi integrada por António Damásio, mundialmente conhecido pelo seu trabalho sobre o cérebro e as emoções, os prémios Nobel da Medicina de1962, o norte-americano James Watson, e de 1987, o japonês Susumo Tonegawa, juntamente com o britânico Alan Ashworth, codescobridor em 1992, do gene BRCA2 do cancro da mama.

Como director do Centro do Cancro do CPD foi designado o norte-americano Ranghu Kalluri, professor de medicina da Universidade de Harvard e especialista de renome mundial na luta contra a doença. Durante um encontro com jornalistas estrangeiros, Ranghu explicou que "será dada ênfase especial nos cancros que geram metástase, porque essa é a fronteira final que precisamos conquistar: evitar a disseminação do cancro no organismo".

Outra componente importante do CPD é a exploração das pontes de ligação entre o cancro e as neurociências, afirmou Leonor Beleza. Informou ainda "que estão bem encaminhadas" as negociações com o Sistema Nacional de Saúde e com as empresas privadas de saúde para que no hospital, que abrirá em Maio, sejam atendidas pessoas de todas as condições sociais. Acrescentou que, como fundação filantrópica, todo o ganho será reinvestido na instituição.

Esperemos que assim seja, e que a Fundação Champalimaud, na pessoa da sua presidente, Leonor Beleza, saiba honrar e cumprir as intenções do seu fundador.





4 comentários:

peonia disse...

Gosto muito do seu Blog. Belos efeitos estéticos e técnicos, prima pela qualidade da informação e comentário. Tudo isto são boas razões para aqui vir e deixar um comentário.
Muito justo o registo acerca da Fundação Champalimaud. É bom saber que ainda não acabaram os mecenas em Portugal!...

Maria Haydée Nogueira disse...

Obrigada pelo seu gentil comentário. É encorajador verificar a existência de colegas e amigos que nos apoiam nesta "aventura" ,chamemos-lhe assim, do "bloguismo"! Beijinhos e até breve.

Teresa disse...

Faço minhas as palavras da Peónia. Nem preciso acrescentar mais nada ...

Maria Haydée Nogueira disse...

Obrigada, Teresa.Bjs.

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