terça-feira, dezembro 12, 2017

IMAGEM DO DIA, COM PEDRO CHAGAS FREITAS: "EU SOU DEUS"







Hoje apetece-me abraçar,
Abraçar.
Sem olhar a quem, ao Zé-ninguém e ao coitado que se julga alguém.
Abraçar.
(...)Um dia hei-de passar todo o dia a ensinar o abraço. A visitar as escolas e a explicar que abraçar não é apenas dois corpos unidos e apertados pelos braços.
Abraçar é dois instantes que se fundem por dentro do que une dois corpos.
Abraçar é um orgasmo de vida, um clímax de partilha - uma orgia de gente.
Abraçar é fechar os olhos e abrir a alma, apertar os músculos e libertar o sonho.

Abraçar é fazer de conta que se é herói - e sê-lo mesmo.

 PEDRO CHAGAS FREITAS
in  "Eu sou Deus"


PELA NOITE, COM FEDERICO GARCÍA LORCA: "SE AS MINHAS MÃOS PUDESSEM DESFOLHAR"





SE AS MINHAS MÃOS PUDESSEM DESFOLHAR



Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.


Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.


Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!



FEDERICO GARCÍA LORCA



segunda-feira, dezembro 11, 2017

BRAGA CELEBRA O NATAL COM O MAIOR PRESÉPIO VIVO NA EUROPA(PRISCOS 2017)





"Braga é palco do melhor Natal de Portugal, com uma programação muito ambiciosa e diversificada que vai ao encontro de todos os públicos", afirmou na apresentação do “Braga Natal” o presidente da autarquia.
A autarquia garantiu, dias mágicos" com um "ambiente festivo e espírito de comunidade trabalhado ao mais ínfimo pormenor por todos os que se associam a este grande evento".

A destacar ainda, a Tenda de Natal, que ficará na Avenida Central e onde decorrerão espetáculos de dança a que se junta o maior Presépio Vivo da Europa, em Priscos, entre os dias 16 de dezembro e 21 de janeiro.
Uma oportunidade para fazer uma viagem ao tempo de Jesus.
São cerca de 800 os participantes que dão vida a uma história sempre antiga e sempre nova. É um espaço com cerca de 30.000 m2 de ocupação e com mais de 90 cenários, com referência às culturas egípcia, judaica, romana, assíria, grega e babilónica.

Presépio vivo de Priscos, Gruta


Não faltam muitos dos ofícios que existiam no tempo de Jesus: os ferreiros a forjarem e a temperar o ferro, o sapateiro a concertar sandálias rompidas, serradores que cortam lenha, camponeses a organizarem as ferramentas de trabalho, a tecedeira no tear a jogar fios de lã, o oleiro a moldar o barro, a padeira a amassar a farinha, entre tantos outros cenários da época, e, claro, a família de Nazaré a ser família diante das sombras do seu tempo...

Os visitantes podem usufruir de uma vasta oferta gastronómica, disponível nas várias casas das “aldeias dos judeus e dos romanos” Podem saborear o “pão de César”, o “hidromel”, a “posca”, castanhas assadas, água-pé, café no pote, doces dos judeus, pão romano, ginja, doces de Roma e o famoso pudim “Abade de Priscos”.

O Presépio ao Vivo de Priscos oferece aos visitantes 4 grandes espetáculos: “O Casamento Judaico”; “Cortejo da Luz”; “O Julgamento” e “O Funeral”. Uma das maiores atrações deste evento natalício será também a possibilidade de contactar com animais reais. A verdadeira estrela deste presépio é a Gruta, com mais de 10 metros de largura e com as figuras bíblicas de Maria, José, o menino Jesus, a vaca e o burro. As construções são feitas com paixão e experiência pelos habitantes de Priscos e por reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga que oferecem o seu tempo, habilidades e competências para reviver o evento que mudou a história do mundo.

Presépio de sonho, onde cada um deposita o seu, com a esperança de um mundo melhor.






"BONECOS DE BARRO DE ESTREMOZ", CLASSIFICADOS PATRIMÓNIO CULTURAL E IMATERIAL DA HUMANIDADE, PELA UNESCO







Ainda neste Natal, Braga celebra a arte dos "Bonecos de Estremoz". Com mais de uma centena de figuras diferentes inventariadas, a que se dedicam vários artesãos do concelho, consiste na modelação de uma figura em barro cozido, policromado e efetuada manualmente, segundo uma técnica com origem no século XVII. Uma arte de caráter popular com mais de 300 anos de história, os "Bonecos de Estremoz" são o primeiro figurado do mundo a merecer a distinção de Património Cultural Imaterial da Humanidade, na sequência da candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Estremoz, no distrito de Évora.

A classificação da "Produção de Figurado em Barro de Estremoz", vulgarmente conhecida como "Bonecos de Estremoz", foi decidida na 12.ª Reunião do Comité Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que decorreu na Ilha Jeju, na Coreia do Sul, até sábado.
A decisão, que ocorreu pelas 01:05 (hora de Lisboa), foi bastante celebrada pela comitiva portuguesa que durante os festejos exibiu exemplares de "Bonecos de Estremoz".
Representação portuguesa na Coreia do Sul

"No fundo é um momento grande da história de Estremoz em termos da sua classificação, das suas gentes, porque o figurado de barro representa tudo o que é o trabalho, tudo o que é a dificuldade dos alentejanos e dos estremocenses em particular”, declarou o presidente da autarquia, Luís Mourinha.
De acordo com Luís Mourinha, a UNESCO valorizou os "Bonecos de Estremoz", uma arte popular em barro com mais de três séculos, pela "visão do artista, do artesão sobre a sua envolvência".
Na área de Património Cultural e Imaterial da Humanidade estavam inicialmente a concorrer 49 candidaturas, das quais 35 foram aprovadas, tendo no final recolhido parecer negativo 11.

Os "Bonecos de Estremoz" pertencem a uma arte de caráter popular, com mais de 300 anos de história, tendo sido o primeiro figurado do mundo a merecer a distinção de Património Cultural Imaterial da Humanidade, na sequência da candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Estremoz, no distrito de Évora.
A candidatura teve como responsável técnico o diretor do Museu Municipal de Estremoz, Hugo Guerreiro.

Mais um orgulho para Portugal, que assim vê o seu património cultural reconhecido e galardoado perante todo o mundo, uma vez mais…


sexta-feira, dezembro 08, 2017

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, PADROEIRA DE PORTUGAL E SENHORA DO MUNDO, ABENÇOAI-NOS - 8 de Dezembro de 2017




A Imaculada Conceição é segundo o dogma católico, a concepção da Virgem Maria sem mancha (do latim "macula"). O dogma diz que, desde o primeiro instante da sua existência, a Virgem Maria foi preservada por Deus, da falta da graça santificante que aflige a humanidade, porque ela estava cheia da graça divina. Também professa que a Virgem Maria viveu uma vida completamente livre de pecado.

Papa Pio IX

A festa da Imaculada Conceição, comemorada em 8 de dezembro, foi definida como uma festa universal em 1476, pelo Papa Sisto IV.
Em 8 de Dezembro de 1854, a Imaculada Conceição foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX, na sua bula "Ineffabilis Deus" e em 31 de Março de 1876, Pio IX enriqueceu ainda este dogma com 300 dias de indulgência cada vez que recitado.

A Igreja Católica considera que o dogma é apoiado pela Bíblia, bem como pelos Padres da Igreja, como Irineu de Lyon e Ambrósio de Milão. Uma vez que Jesus encarnou no ventre da Virgem Maria, era necessário que ela estivesse completamente livre de pecado para poder gerar o seu filho.

Em Portugal, deve-se ao rei D. João IV o facto de Nossa Senhora da Conceição ter sido proclamada padroeira de Portugal, por proposta sua. Durante as Cortes reunidas em Lisboa desde 28 de Dezembro de 1645 até 16 de Março de 1646, o rei afirmou "que a Virgem Maria foi concebida sem pecado original" e comprometeu-se a doar, em seu nome, em nome de seu filho e dos seus sucessores, à Santa Casa da Conceição, em Vila Viçosa, "cinquenta cruzados de ouro em  cada ano", como sinal de tributo e vassalagem.

O acto da proclamação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira de Portugal, efectuado pelo monarca com a maior solenidade em 25 de Março de 1646, alargou-se a todo o país, com o povo, à noite, a entoar cânticos de júbilo pelas ruas, para celebrar a Conceição Imaculada da Virgem, ou mais precisamente a Maternidade Divina de Maria.

Rei D.João IV de Portugal


Assim, Nossa Senhora tornou-se a verdadeira soberana de Portugal, não voltando, por isso, desde esta altura, nenhum dos nossos reis a ostentar a coroa, direito que passou a pertencer apenas à Excelsa  Rainha, Mãe de Deus.

Em 1648 D. João IV manda cunhar moedas de ouro e de prata, tendo numa das faces a imagem da Imaculada Conceição com a legenda "Tutelaris Regni" - Padroeira do Reino. Em 1654, ordena que sejam postas em todas as portas e entradas das cidades, vilas e lugares do reino, pedras lavradas com uma inscrição alusiva à Imaculada Conceição. Algumas destas lápides ainda continuam a existir em alguns locais.

Outros reis, seus sucessores, continuaram a tradição deste culto de homenagem a Nossa Senhora, como D. João V que, em 1917, recomendou a a todas as igrejas a celebração anual com pompa e solenidade da Festa da Imaculada Conceição, enquanto D. João VI emite um decreto criando a Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e a Cabeça da Ordem (lugar principal) na sua Sua Real Capela.

D. Luís I oficializa, em 1854, a bula "Ineffabilis Deus" do Papa Pio IX, e um ano mais tarde comemora este facto com solenes festividades, assinalando assim o primeiro ano da comunicação ao Mundo da Definição do Dogma.

Feriado nacional e dia santo de guarda, a data de 8 de Dezembro constitui-se como um dia de festa religiosa.  Durante muitos anos foi associada à celebração mundial do Dia da Mãe, actualmente comemorado no primeiro domingo do mês de Maio.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Vila Viçosa


Saudemos Maria, neste Seu Dia. 




quinta-feira, dezembro 07, 2017

PELA NOITE, COM FERNANDO PESSOA: "EROS E PSIQUE"





EROS E PSIQUE


Conta a lenda que dormia
Uma princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe, o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o seu Destino -
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.

E, ainda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


FERNANDO PESSOA
(1933)
in "Poesias, Ortónimo



ESTA NOITE A MÚSICA ANDA NO AR, COM "CHUTOS E PONTAPÉS"- Homenagem a Zé Pedro


Hoje, "PRETO, BRANCO, E..." escolheu  a banda "Chutos e Pontapés" como convidada para animar musicalmente a nossa noite e assim prestar, simultâneamente, mais uma homenagem ao grande músico Zé Pedro, que recentemente nos deixou.

 Descanse em paz. 

Mas ficará sempre conosco, amigos. Ouçamo-los uma vez mais...

BOA NOITE!






IMAGEM DO DIA, COM DAVID MOURÃO-FERREIRA







sexta-feira, dezembro 01, 2017

PELA NOITE, COM FERNANDO PESSOA: "Ó SINO DA MINHA ALDEIA"



Ó SINO DA MINHA ALDEIA


Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.


FERNANDO PESSOA,
(1913)
In “Poesias, Ortónimo"


Imagem retirada da Internet,
Retoque de:




Voz: João Villaret


PRINCIPE HARRY ANUNCIA O SEU CASAMENTO COM MEGHAN MARKLE






O príncipe Harry, neto da rainha Elizabeth, está noivo da atriz americana Meghan Markle. Devem casar-se no primeiro semestre de 2018, segundo  anúncio da monarquia britânica, na passada segunda-feira (27).
Harry, de 33 anos de idade,( é atualmente o quinto na linha sucessória do trono britânico) e Markle, de 36 anos, ficaram noivos no início de novembro, de acordo com o comunicado assinado pelo príncipe Charles, pai de Harry.
"O príncipe Harry informou sua majestade a rainha e outros membros próximos da família. O príncipe Harry também pediu e recebeu a benção dos pais da senhorita Markle", diz a nota.
" Estamos incrivelmente felizes por Meghan e Harry. A nossa filha sempre foi uma pessoa romântica e carinhosa. Ver a união dela com Harry, que compartilha estas qualidades, é motivo de grande alegria para nós como pais", disseram, por sua vez, em nota os pais da noiva, Thomas Markle e Doria Ragland.
Meghan Markle, que tem como principal papel da carreira sua participação na série "Suits", conheceu o príncipe em julho de 2016, através de amigos em comum.


Pouco meses depois, Harry confirmou o namoro entre os dois, após tabloides ingleses começarem a expor a vida privada de Markle. No comunicado em que anunciou o namoro, o príncipe reclamou o assédio da imprensa e disse que a atriz era vítima de ataques sexuais e racistas nas redes sociais: a mãe de Meghan Markle é negra e o pai, branco. A primeira aparição pública do casal, porém, aconteceu apenas em 2017 em Toronto, no Canadá, num evento desportivo patrocinado pelo príncipe Harry.
Meghan, que é divorciada, já apareceu em diversas séries de TV e em filmes, incluindo um pequeno papel na comédia "Quero matar meu chefe". O seu maior destaque, porém, foi a sua interpretação de Rachel Zane na série "Suits".
Assim como Harry, também a sua noiva tem participado na área dos direitos humanos, sendo embaixadora da World Vision, ONG especializada em cuidar de crianças carentes.
O casamento dos noivos deve acontecer durante a primavera do hemisfério norte, entre março e junho. A data exata não foi anunciada.

A expectativa é que a cerimónia consiga atrair tanta atenção quanto o casamento entre o príncipe William, irmão de Harry e Kate Middleton, em 2011, que teve uma audiência global estimada de 2,4 bilhões de pessoas.
"Nós estamos muito felizes por Harry e Meghan", disseram William e Kate numa segunda nota, também no passado dia 27. "Está a ser maravilhoso conhecer Meghan e ver quanto ela e Harry são felizes juntos", diz o comunicado.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, também felicitou o futuro real casal. "Este é um momento de muita celebração e alegria para duas pessoas apaixonadas e em meu nome, do governo e do país, eu desejo a ambos um futuro muito feliz".


Parabéns ao real casal!






O QUE HOJE COMEMORAMOS - 1 DE DEZEMBRO DE 2017






Poucos momentos antes das nove horas do glorioso dia 1 de Dezembro, quando João
Pinto Ribeiro, acompanhado de outros conjurados, se encaminhava para o Terreiro do
Paço, houve alguém que perguntou:
— Aonde vão?
João Pinto Ribeiro, sorrindo, respondeu:
— Não se altere. Chegamos ali abaixo à sala real, e é um instante enquanto tiramos um rei e pomos outro.


(in site salazar.org,) 




segunda-feira, novembro 27, 2017

HOJE, COM FERNANDO PESSOA: "ISTO"






ISTO 


Dizem que fingo ou que minto
Tudo  que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto 
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!



FERNANDO PESSOA
(1933), 
"Poesias", Ortónimo.




Voz: João Villaret 



quinta-feira, outubro 05, 2017

107 ANOS DE REPÚBLICA - Façam o favor de se levantar: vamos falar de Portugal











Novamente consagrado como dia de feriado nacional, por atuais disposições governamentais, comemoram-se neste 5 de Outubro de 2017, 107 anos de República em Portugal. Resultado de um golpe de estado organizado pelo Partido Republicano Português, que no dia 5 de outubro de 1910, destituiu a monarquia constitucional e implantou  um regime republicano em Portugal.



A revolução foi proclamada por todo o povo antes ainda de decidida a última ação, que daria origem ao 5 de Outubro de 1910, ou se saber quem alcançaria a vitória; e, desde esse momento, a notícia transmitida para todas as cidades e terras de Portugal, a adesão unânime à República foi verdadeiramente um plebiscito de espontaneidade e entusiasmo, entrando logo a vida portuguesa em normalidade.

A sujeição do país aos interesses coloniais britânicos, os gastos excessivos da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores), a ditadura de João Franco, a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e de se adaptar à modernidade - tudo bem contribuiu para um inexorável processo de desgaste da monarquia portuguesa, do qual os defensores da república, particularmente o Partido Republicano, soube tirar o melhor proveito. Por contraponto, o Partido Republicano apresentava-se como o único que tinha um programa capaz de devolver ao país o prestígio perdido e colocar Portugal no caminho do progresso.

Após a relutância do exército em combater os dois mil soldados e marinheiros revoltosos entre 3 e 4 de outubro de 1910, a República foi proclamada às 9 horas da manhã do dia seguinte, da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa.

Consagrada  a revolução, um governo provisório chefiado por Teófilo Braga dirigiu os destinos do país até à aprovação da Constituição de 1911, que marcou o início da Primeira República.


A partir do 5 de Outubro, a bandeira portuguesa foi substituída. As cores verde e vermelho significam a esperança e o sangue dos heróis. A esfera armilar simboliza os Descobrimentos, os sete castelos representam os primeiros castelos conquistados por D. Afonso Henriques, as cinco quinas significam os cinco reis mouros derrotados por este Rei e, finalmente, os cinco pontos em cada uma, as cinco chagas de Cristo. O hino "A Portuguesa", composto por Alfredo Keil, tornou-se o hino nacional.

Bandeira portuguesa içada no dia 5 de Outubro de 1910 
na Câmara Municipal de Lisboa
Mantiveram-se os valores do Estado, o comércio abriu as suas portas, e a República era consagrada com cantares e alegrias, porque se respirava um ar oxigenado e livre. (in  “As Constituintes de 1911 e os seus Deputados”)

Celebrado este ano nas ruas, foi este o discurso do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa há um ano, durante a sua intervenção nas comemorações da Implantação da República, que então decorreram na Praça do Município em Lisboa: 

"O exemplo dos que exercem o poder é fundamental sempre para que o povo continue a acreditar no 5 de Outubro", afirmou ainda o chefe de Estado, 












segunda-feira, outubro 02, 2017

PELA NOITE, COM ROBERT FROST: "THE ROAD NOT TAKEN"



THE ROAD NOT TAKEN


Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I--
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.


ROBERT FROST





Robert Frost
Robert Lee Frost nasceu na cidade de São Francisco, Califórnia, em 29 de Março de 1874 e morreu em Boston, no dia 29 de Março de 1963.  converteu-se num dos mais significativos poetas norte-americanos do século XX, talento reconhecido ao conquistar quatro vezes o Prémio Pulitzer.
Os seus pais representaram dois lados opostos para o jovem. Enquanto o pai foi um alcoólatra incorrigível, com personalidade extravagante e génio colérico, a mãe foi culta e devota, a responsável pela introdução do jovem no universo literário. Depois do falecimento paterno, em 1885, Robert passou a residir na Nova Inglaterra com os seus familiares.

O poeta adotou esta região como a sua cidade natal, a qual foi sempre aclamada nos seus poemas. O ano de 1890 marcou o início do seu percurso literário, quando então Frost lançou o seu primeiro poema. Neste mesmo período começou a lecionar e, para complementar o seu rendimento, trabalhou por algum tempo em fazendas e moinhos.
O estilo existencial de Robert moldou profundamente a sua escrita. Seguindo a vertente da própria vida, aliou na sua obra a cultura popular e a veia modernista, o regional e o universal. Em 1895, Frost contraiu matrimónio com Elinor White. Desta união resultaram seis filhos. Preocupado com o sustento da sua família, o poeta dedicou a maior parte de seu tempo ao trabalho rural. Em 1901 alcançou o status de fazendeiro próspero.

A partir de então passou a escrever apenas à noite, recluso no recinto de sua cozinha. Ao mesmo tempo, de 1906 em diante, Robert dedicou-se a dar aulas integralmente na Pinkerton Academy, não mais se afastando do campo da literatura. Outra atividade que também não mais abandonaria, seria a realização de palestras e conferências.
Ao longo da vida, Robert Frost viveu em várias regiões, residindo maioritariamente em Michigan e na Flórida. De 1912 a 1915 estabeleceu-se em Inglaterra, lançando aí as suas duas primeiras publicações poéticas, A Boy’s Will, de 1913, e North of Boston, de 1914.
A sua obra foi bem acolhida pelos meios críticos da Europa. Frost teve então a oportunidade de conhecer outros escritores célebres, tais como Ezra Pound, Ford Madox Ford e W. B. Yeats. O seu regresso aos Estados Unidos ocorreu em 1915, quando aproveitou para lançar na sua terra os dois primeiros livros.

Em 1938 o poeta sofreu com a perda da mulher, e em 1940 sobreviveu a um novo e terrível golpe, o suicídio da sua filha Carol. Estes trágicos acontecimentos, abalaram profundamente a sua mente. Um ano depois foi para Cambridge, e nesta cidade permaneceu pelo resto de sua existência. Nesta época viveu com a sua secretária Kathleen Morrison, que rejeitou uma proposta de casamento de Robert.
Frost viajou em trabalho para o Brasil e proferiu palestras no Rio de Janeiro e em São Paulo, no ano de 1954. No final dos anos 50 voltou à Europa, contactou com nomes como W. H. Auden, E. M. Forster, Graham Greene, entre outros. O poeta morreu já consagrado, na cidade de Boston, em 29 de janeiro de 1963.


A produção literária de Frost é variada e abundante. A sua poesia inclui sonetos, poemas em forma de diálogo, poemas curtos, poemas longos. Escreveu três peças teatrais (A Way Out, In an Art Factory e The Guardeen). São numerosíssimos os registos das suas conferências. A correspondência, os ensaios e as histórias merecem o mesmo comentário. Frost teve a capacidade de dar um tratamento simples e ao mesmo tempo profundo a temas elementares (fogo, gelo, natureza), tirando verdadeiras "lições de moral" das suas observações do mundo natural (lições nem sempre otimistas, como se pode notar em Nothing Gold Can Stay). Tal característica, aliada à modernidade da sua linguagem (Frost era um defensor do uso da linguagem vernácula em obras literárias), fez com que Frost jamais deixasse de figurar entre os escritores prediletos dos norte-americanos, ao lado de nomes como Whitman, Emerson e Thoreau. O seu poema The Road Not Taken é obra obrigatória em qualquer antologia poética da lingua inglesa. Prova adicional da sua popularidade, são as várias referências em filmes como a Sociedade dos Poetas Mortos e Daunbailó.




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