A Imaculada
Conceição é segundo o dogma católico, a concepção da Virgem Maria sem mancha
(do latim "macula"). O dogma diz que, desde o primeiro instante da
sua existência, a Virgem Maria foi preservada por Deus, da falta da graça
santificante que aflige a humanidade, porque ela estava cheia da graça divina.
Também professa que a Virgem Maria viveu uma vida completamente livre de
pecado.
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Papa Pio IX |
A festa da
Imaculada Conceição, comemorada em 8 de dezembro, foi definida como uma festa
universal em 1476, pelo Papa Sisto IV.
Em 8 de Dezembro
de 1854, a Imaculada Conceição foi solenemente definida como dogma pelo Papa
Pio IX, na sua bula "Ineffabilis Deus" e em 31 de Março de 1876, Pio
IX enriqueceu ainda este dogma com 300 dias de indulgência cada vez que recitado.
A Igreja Católica
considera que o dogma é apoiado pela Bíblia, bem como pelos Padres da Igreja,
como Irineu de Lyon e Ambrósio de Milão. Uma vez que Jesus encarnou no ventre
da Virgem Maria, era necessário que ela estivesse completamente livre de pecado
para poder gerar o seu filho.
Em Portugal,
deve-se ao rei D. João IV o facto de Nossa Senhora da Conceição ter sido
proclamada padroeira de Portugal, por proposta sua. Durante as Cortes reunidas
em Lisboa desde 28 de Dezembro de 1645 até 16 de Março de 1646, o rei afirmou
"que a Virgem Maria foi concebida sem pecado original" e
comprometeu-se a doar, em seu nome, em nome de seu filho e dos seus sucessores,
à Santa Casa da Conceição, em Vila Viçosa, "cinquenta cruzados de ouro em cada ano", como sinal de tributo e
vassalagem.
O acto da
proclamação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira de Portugal, efectuado
pelo monarca com a maior solenidade em 25 de Março de 1646, alargou-se a todo o
país, com o povo, à noite, a entoar cânticos de júbilo pelas ruas, para
celebrar a Conceição Imaculada da Virgem, ou mais precisamente a Maternidade
Divina de Maria.
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Rei D.João IV de Portugal |
Assim, Nossa
Senhora tornou-se a verdadeira soberana de Portugal, não voltando, por isso,
desde esta altura, nenhum dos nossos reis a ostentar a coroa, direito que
passou a pertencer apenas à Excelsa
Rainha, Mãe de Deus.
Em 1648 D. João
IV manda cunhar moedas de ouro e de prata, tendo numa das faces a imagem da
Imaculada Conceição com a legenda "Tutelaris Regni" - Padroeira do Reino.
Em 1654, ordena que sejam postas em todas as portas e entradas das cidades,
vilas e lugares do reino, pedras lavradas com uma inscrição alusiva à Imaculada
Conceição. Algumas destas lápides ainda continuam a existir em alguns locais.
Outros reis, seus
sucessores, continuaram a tradição deste culto de homenagem a Nossa Senhora,
como D. João V que, em 1917, recomendou a a todas as igrejas a celebração anual
com pompa e solenidade da Festa da Imaculada Conceição, enquanto D. João VI
emite um decreto criando a Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila
Viçosa e a Cabeça da Ordem (lugar principal) na sua Sua Real Capela.
D. Luís I
oficializa, em 1854, a bula "Ineffabilis Deus" do Papa Pio IX, e um
ano mais tarde comemora este facto com solenes festividades, assinalando assim
o primeiro ano da comunicação ao Mundo da Definição do Dogma.
Feriado nacional
e dia santo de guarda, a data de 8 de Dezembro constitui-se como um dia de
festa religiosa. Durante muitos anos foi
associada à celebração mundial do Dia da Mãe, actualmente comemorado no
primeiro domingo do mês de Maio.
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Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Vila Viçosa |
Saudemos Maria,
neste Seu Dia.