segunda-feira, setembro 30, 2013
domingo, setembro 29, 2013
PELA MADRUGADA...Com Carlos Drummond de Andrade.
O SEU SANTO NOME
Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda a
razão ( e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa
a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo
essa palavra
que é toda sigilo e nudez,
perfeição e
exílio na Terra.
Não a pronuncie.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
terça-feira, setembro 24, 2013
ESTA NOITE...Com António Ramos Rosa (1924-2013)
POEMA DE UM FUNCIONÁRIO CANSADO
A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em
frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida num
quarto só
ANTÓNIO RAMOS ROSA
ANTÓNIO RAMOS ROSA DEIXOU-NOS ONTEM (1924-2013) - A Cultura Portuguesa Ficou Bem Mais Pobre...
Este homem que pensou
com uma pedra na mão
tranformá-la num pão
tranformá-la num beijo
Este homem que parou
no meio da sua vida
e se sentiu mais leve
que a sua própria sombra
António Ramos Rosa
Morreu
esta segunda-feira em Lisboa, aos 88 anos, o poeta e ensaísta António Ramos
Rosa, um dos nomes cimeiros da literatura portuguesa contemporânea, autor de
quase uma centena de títulos, de O Grito Claro (1958), a sua célebre obra de
estreia, até Em Torno do Imponderável, um belo livro de poemas breves publicado
em 2012. Exemplo de uma entrega radical à escrita, como talvez não haja outro
na poesia portuguesa contemporânea, Ramos Rosa morreu por volta das 13h30 desta
segunda-feira, em consequência de uma infecção respiratória, em Lisboa, no
Hospital Egas Moniz.
Segundo
informação da família, o corpo do poeta será velado terça-feira a partir das
18h30, na Capela do Rato, em Lisboa, estando prevista para as 21h30 uma
celebração pelo padre e poeta José Tolentino Mendonça. O funeral parte na
quarta-feira de manhã, pelas 10h30, para o Cemitério dos Prazeres, onde será
sepultado no Jazigo dos Escritores. com Isabel Salema e Lucinda Canelas.
"A verdadeira poesia ignora a
afirmação do fácil, porque se ela é uma afirmação do que o poeta logra arrancar
à confusão e ao caos, não poderá, portanto, satisfazer-se com o mero enunciado
das certezas superficiais ou sequer das convicções comuns mais sinceras, se
estas não forem postas á prova desse momento me que o poeta se reencontra na
"linha de sombra""
Estas são palavras do primeiro
parágrafo do texto de abertura de "A Poesia Moderna e a Interrogação do
Real - I" (Arcádia, 1979, 1ªed.). Ramos Rosa já tinha aberto a nossa
compreensão da poesia pelo lado mais difícil: o lado da palavra e seu poder
criador e de nomeação. O real, dito por meio da palavra surge, em Ramos Rosa,
como um campo (por definir) de possibilidades. Uma das asserções mais radicais
do poeta de "Estou Vivo" e" Escrevo Sol" será talvez esta:
"Não é o poeta que faz o poema. O poema é que faz o poeta." É porque
a poesia irrompe dum inconsciente, que se torna gradualmente consciente no acto
da escrita, que a poética ramos-rosiana acaba por defender o princípio da
"virtualidade criadora".
Para mim os poemas de António
Ramos Rosa perseguem essa multiplicidade significativa que abre a nossa
percepção ao mundo. Trata-se quase sempre duma abertura que se relaciona com a
procura de algo verdadeiramente desconhecido e essa procura do desconhecido
leva Ramos Rosa a afirmar-se como poeta do novo, do desejo absoluto do novo,
sinónimo, na sua poesia, duma pureza inicial. De "O Bói da Paciência"
a poemas insertos em volumes mais recentes, como é o caso de Os Animais do Sol
e da Sombra, que tive oportunidade de organizar em 2003, vai um longo caminho.
Um caminho marcado pela intensa meditação sobre a necessidade da poesia na vida
do Homem, animal sempre condenado às mais ínvias e subtis formas de
escravização. A poesia tem, em Ramos Rosa, essa capacidade libertadora e
libertária. Neste tempo de sadismo financeiro lê-lo é fundamental.
Vale a pena, por último, reter a
dimensão ensaística de António Ramos Rosa: a sua reflexão teórica não se separa
da sua prática poética. E Ramos Rosa é, como poucos na poesia da segunda metade
do século XX, um poeta-crítico que questionou sempre o humano e condenou sempre
a tendência para, mesmo na poesia, se aprisionar o homem ao que é unívoco e
ortodoxo. Ramos Rosa conquista um lugar cimeiro na nossa historicidade poética
precisamente porque a uma estética do uno preferiu uma estética do múltiplo. O
seu rigor, a sua ética é inseparável dessa luta pela imaginação verbal, hoje
tão necessária".
Para se conhecer um pouco mais de António Ramos Rosa: www.antonioramosrosa.blogspot.pt
Prémios que distinguiram a obra literária de António Ramos Rosa:
Prémio Fernando Pessoa, da Editora Ática (Segundo Lugar
ex-aequo), 1958 (Viagem através duma nebulosa)2
Prémio Nacional de Poesia, da Secretaria de Estado de
Informação e Turismo (recusado pelo autor), 1971 (Nos seus olhos de silêncio)
Prémio Literário da Casa da Imprensa (Prémio Literário),
1971 (A pedra nua)2
Prémio da Fundação de Hautevilliers para o Diálogo de
Culturas (Prémio de Tradução), 1976 (Algumas das Palavras: antologia de poesia
de Paul Éluard)
Prémio P.E.N. Clube Português de Poesia, 1980 (O incêndio
dos aspectos)2
Prémio Nicola de Poesia, 1986 (Volante verde)
Prémio Jacinto do Prado Coelho, do Centro Português da
Associação Internacional de Críticos Literários, 1987 (Incisões oblíquas)2
Prémio Pessoa, 19882
Grande Prémio de Poesia APE/CTT, 19892 (Acordes)
Prémio da Bienal de Poesia de Liége, 19912
Prémio Jean Malrieu para o melhor livro de poesia traduzido
em França, 19922
Prémio Municipal Eça de Queiroz, da Câmara Municipal de
Lisboa (Prémio de Poesia), 1992 (As armas imprecisas)
Grande Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen (Prémio de
Poesia), São João da Madeira, 2005 (O poeta na rua. Antologia portátil)
A poesia de Ramos Rosa é "libertadora e libertária.
Neste tempo de sadismo financeiro lê-lo é fundamental", diz o poeta e
crítico literário António Carlos Cortez neste texto escrito no dia da partida
de Ramos Rosa.
(Testemunho do poeta António Carlos Cortez)
Descanse em paz.
domingo, setembro 22, 2013
COM FERNANDO PESSOA..."MAR PORTUGUÊS"
MAR
PORTUGUÊS
Ó mar
salgado, quanto do teu sal
São
lágrimas de Portugal!
Por te
cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos
filhos em vão rezaram!
Quantas
noivas ficaram por casar
Para
que fosses nosso, ó mar!
Valeu a
pena? Tudo vale a pena
Se a
alma não é pequena.
Quem
quer passar além do Bojador
Tem que
passar além da dor.
Deus ao
mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele
é que espelhou o céu.
FERNANDO
PESSOA
sábado, setembro 21, 2013
PELA NOITE...Com António Ramos Rosa
A FESTA DO SILÊNCIO
Escuto
na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências
apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas
silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.
Uma criança brinca nas dunas, o tempo
acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia,
recomeça.
Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento
principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.
ANTÓNIO
RAMOS ROSA,
in "Volante Verde”
quinta-feira, setembro 19, 2013
PELA NOITE...Com David Mourão-Ferreira
CREPÚSCULO
É quando um espelho, no quarto,
se enfastia;
Quando a noite se destaca
da cortina;
Quando a carne tem o travo
da saliva,
e a saliva sabe a carne
dissolvida;
Quando a força de vontade
ressuscita;
Quando o pé sobre o sapato
se equilibra...
E quando às sete da tarde
morre o dia
- que dentro de nossas almas
se ilumina,
com luz lívida, a palavra
despedida.
DAVID MOURÃO-FERREIRA
"POR DETRÁS DO CANDELABRO", A CHEGAR ÀS NOSSAS SALAS DE CINEMA...
Władziu
(ou Vladziu) Valentino Liberace (May 16, 1919 -- February 4, 1987), mais
conhecido simplesmente como Liberace, foi um pianista americano e vocalista, de
origem italo-polaca.
Com
uma carreira que durou quatro décadas de concertos, gravações, filmes, e
televisão, Liberace tornou-se mundialmente famoso. Durante os anos 1950 - 1970,
foi o artista mais bem pago do mundo e abraçou um estilo de vida extravagante
pelos seus excessos, dentro e fora do palco.
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Cenas de "Por detrás do Candelabro" |
Durante
a sua vida, negou sempre ser gay, e processou aqueles que o acusaram disso. Perto do fim de vida , o seu motorista Scott Thorson, processou-o, impondo-lhe a exigência
de, ao fim de cinco anos de relacionamento, ter direito à mesma quantia em
dinheiro que os casais legalmente casados usufruem. Morreu vítima de doença
relacionada com a sida.
Thorson
conheceu Liberace em 1976, quando tinha 17 anos, através de sua amizade com
o produtor de cinema de Hollywood Ray Arnett. Quando Thorson tinha 17 anos,
Liberace contratou-o para atuar como seu amigo pessoal e companheiro, uma
posição que supostamente incluía um relacionamento amoroso de cinco anos com
presentes caros, viagens e a promessa de Liberace de que iria adotar e cuidar
de Thorson.
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Liberace nos anos 1950-1970 |
Liberace também incorporou Thorson nas suas performances nos palcos de Las Vegas .
De acordo com Thorson, o seu relacionamento sério terminou por
causa da promiscuidade sexual de Liberace e da dependência de drogas de Thorson,
provocada pelo facto de Liberace ter contratado um cirurgião plástico para rejuvenescer o rosto de Thorson.
O
filme baseia-se precisamente no livro autobiográfico de Thorson, aqui encarnado
por Matt Damon, e acompanha toda a sua relação com Liberace (Douglas),
incluindo as operações plásticas que o pianista o obrigou a fazer para o
recriar à sua imagem, mas não escamoteando os seus próprios problemas com as
drogas. Soderbergh esconde com enorme mestria as suas restrições orçamentais e
deixa brilhar o equilibradíssimo argumento de Richard LaGravenese (que
facilmente podia resvalar para o kitsch ou para a denúncia mas que nunca o faz)
e a prestação excepcional da dupla de protagonistas, com Douglas a pôr de lado
a sua habitual imagem máscula ao encarnar uma figura completamente gay, e Damon
todo em contenção a conseguir não ser apagado por ele. Um filme e uma história
a descobrir.
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Cenas da passagem do filme "Por detrás do Candelabro", pelo Festival de Cinema de Cannes |
Uma das maiores surpresas de Por Detrás do Candelabro, é a de perceber
que afinal não é só o dinheiro a garantir que projectos são ou não aprovados em
Hollywood. E, neste caso, os motivos não são os melhores. É que, pelos vistos,
apesar do filme se centrar numa das figuras do espectáculo mais míticas nos EUA
(o pianista Liberace), ter duas enormes estrelas de cinema como protagonistas
(Michael Douglas e Matt Damon), ter um realizador oscarizado atrás das câmaras
(Steven Soderbergh, acabado de sair do êxito de Magic Mike), e ter uma história
com vários ingredientes de escândalo, o filme foi recusado por todos os
estúdios por ser considerado “demasiado gay”, acabando por ser produzido pelo
canal televisivo HBO e estreado apenas no pequeno ecrã.
Por Detrás do Candelabro acabaria por ter mais sorte na
Europa, onde ninguém ligou às suas raízes televisivas e em que, após passar em
competição no Festival de Cinema de Cannes, está a estrear nas salas de cinema
um pouco por todo o lado.
Uma história a não perder...
FICHA TÉCNICA:
"Por Detrás do Candelabro",
Crítica, Filmes
De Steven Soderbergh,
EUA, 118 min.
terça-feira, setembro 17, 2013
A PAIXÃO
A PAIXÃO
“Não há
nada melhor do que estar apaixonado.
Nem
pior.
Primeiro
estranha-se, depois, entranha-se. A paixão dá para tudo. Para rir e chorar,
fazer confidências, namorar ao luar a beber coca-colas de lata e sentir-se mais
feliz do que se se estivesse numa suite. Do trigésimo andar do Pierre em
Manhattan a beber Don Perignon.
Estar
apaixonado é um estado de graça e de desgraça. Tira o sono e dá speed. Rouba a
fome e mata a sede. Perde-se a noção do tempo, espaço, até do ridículo.
Ganha-se força, vontade, desejo e anos de vida.
Estar
apaixonado é investir uma fortuna que demorou anos a amealhar num negócio de
alto risco.
E ainda
por cima fazê-lo conscientemente.
Porque
a paixão é melhor do que qualquer bebida, droga ou paraíso terrestre. Uma
pessoa apaixonada vai onde quer porque passa de repente a desconhecer os seus
limites. Vê-se sem perceber bem como a fazer coisas impensáveis."
M. Rebelo Pinto
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A Paixão. Margarida Rebelo Pinto
segunda-feira, setembro 16, 2013
POEMAS DE SEMPRE. ANTÓNIO GEDEÃO
EU SEI QUE O MEU DESESPERO NÃO INTERESSA A NINGUÉM…
Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.
Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.
Eu sei que as dimensões impiedosas da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.
ANTÓNIO GEDEÃO
Etiquetas:
POEMAS DE SEMPRE- António Gedeão.
sábado, setembro 14, 2013
À NOITINHA...Com Fernando Pessoa
AI QUE
PRAZER
Ai que
prazer
Não
cumprir um dever,
Ter um
livro para ler
E não o
fazer!
Ler é
maçada,
Estudar
é nada.
O sol
doira
Sem
literatura.
O rio
corre, bem ou mal,
Sem
edição original.
E a
brisa, essa,
De tão
naturalmente matinal,
Como
tem tempo não tem pressa...
Livros
são papéis pintados com tinta.
Estudar
é uma coisa em que está indistinta
A
distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto
é melhor, quanto há bruma,
Esperar
por D. Sebastião,
Quer
venha ou não!
Grande
é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o
melhor do mundo são as crianças,
Flores,
música, o luar, e o sol, que peca
Só
quando, em vez de criar, seca.
O mais
que isto
É Jesus
Cristo,
Que não
sabia nada de finanças
Nem
consta que tivesse biblioteca...
FERNANDO
PESSOA
"OPERALIA", DE PLÁCIDO DOMINGO, CELEBRA VINTE ANOS...
Operalia de Plácido Domingo, a competição Opera Mundo, foi fundada em 1993 por Plácido Domingo para descobrir e ajudar a lançar as carreiras dos mais promissores jovens cantores de ópera da atualidade. O seu objetivo é chamar cantores de todas as tessituras de voz e de todos os países do mundo entre 18 e 32 anos de idade, para os "descobrir" e serem ouvidos por um painel de personalidades ilustres da ópera internacional, constituindo a seleção mais prestigiada e competitiva do mundo.
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Aida Garifullina, vencedora feminina |
A
cada ano, a competição recebe cerca de 1.000 aplicações. Um júri especial de três
profissionais de ópera reconhecidos, ouve cada gravação concorrente e avalia estas numa escala de 1-10. Os resultados são computados, discrepâncias na
pontuação são discutidas em conjunto, e os primeiros quarenta candidatos são
convidados a participar na competição daquele ano. (Alguns cantores também são
mantidos em reserva, no caso de algum dos candidatos selecionados não aceitar o convite).
O
júri, constituído pelos dez especialistas da ópera, e presidido por Plácido Domingo como membro
sem direito a voto, reúne-se numa cidade anfitriã internacional diferente todos os anos, para ouvir todos os quarenta finalistas ao vivo durante dois dias, nos quartos da final. Cada cantor começa por cantar uma ária de ópera a
partir de uma lista de quatro árias que ele ou ela tenham escolhido, e o júri
pede então ao concorrente para cantar mais uma segunda ária da lista. Se este também concorre na categoria de Zarzuela, ele ou ela devem igualmente interpretar uma Zarzuela. São vinte os participantes selecionados para as
semi-finais, em que cantam uma ária escolhida pelo júri. Se competirem na categoria Zarzuela, também terão de interpretar uma Zarzuela. Dos vinte
semi-finalistas, são dez, os escolhidos para a Fase Final.
Os
quartos-de-final e meias-finais são realizados em forma de teste, acompanhados
por pianistas oficiais do Operalia. O Final é apresentado na forma de um
concerto de gala acompanhado por uma orquestra completa, dirigida pelo maestro
Plácido Domingo .
Este ano, na 20.º aniversário do Operalia, Verona foi a cidade anfitriã eleita pela mais pretigiada competição de Ópera do mundo.
No
final, o primeiro prémio foi entregue à soprano russa Aida Garifullina que, comovida, declarou:
"Eu
amo ópera, vivo esta música a cada segundo... Quero aprender mais, uma música
nova todos os dias, novas árias... E sabem qual é a coisa mais importante? Que
as pessoas me amem. É com isso que eu sonho, não quero apenas cantar, quero que as pessoas adorem a minha atuação, a minha voz, a minha
alma."
Na categoria masculina o vencedor foi um baixo-barítono
chinês, Ao Li, que numa explosão de entusiasmo, manifestou :
"Antes da final queria cantar "Madamina", de
Don Giovanni, a ária de Leporello, a ária do catálogo. Mas o Maestro Domingo aconselhou-me: "se cantares "Madamina" apostas forte, mas se cantares Aleko - foi o que fiz esta noite - podes cantar «mais». Esta noite, a minha voz... Senti-a florescer, foi fantástico!"
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Arena de Verona |
Por
detrás desta competição está sempre a generosidade de Plácido Domingo:
"Pensei
sempre fazer um concurso um pouco diferente, que me permitisse acompanhar os
vencedores, ou seja, não se limitarem a ganhar um prémio e não nos voltarmos a
ver... Quero trabalhar, dar concertos, levá-los aos teatros onde a minha
palavra conta... Diria que é um empurrão, uma ajuda que pode acelerar um pouco
as suas carreiras..."
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