quinta-feira, agosto 22, 2013

PELA NOITE...Com Antonio Ramos Rosa







A PALAVRA


A palavra é uma estátua submersa,um leopardo

que estremece em escuros bosques,uma anémona  

sobre uma cabeleira.Por vezes é uma estrela

que projecta a sua sombra sobre um torso.

Ei-la sem destino no clamor da noite,

cega e nua,mas vibrante de desejo

como uma magnólia molhada.Rápida é a boca

que apenas aflora os raios de uma outra luz.

Toco-lhe os subtis tornozelos,os cabelos ardentes

e vejo uma água límpida numa concha marinha.

É sempre um corpo amante e fugidio

que canta num mar musical o sangue das vogais.


ANTÓNIO RAMOS ROSA

(de Acordes,1989)










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