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quarta-feira, agosto 24, 2011

FESTAS DO POVO (ou FLORES) 2011 - Cidade de Campo Maior



Já Elvas se está queixando
Que não tem moças formosas.
Chega-se a Campo Maior,
Até as silvas dão rosas!



Situada no norte alentejano, fronteira com Espanha, esta pitoresca cidade está ligada a várias estórias lendárias que se contam de geração em geração.
Cidade de Campo Maior

Sabe-se, por fontes idóneas da nossa História de Portugal, que Campo Maior foi uma povoação romana, mais tarde dominada pelos mouros e, finalmente conquistada pelos Perez de Badajoz. Somente após o Tratado de Alcanizes (1297), Campo Maior veio a pertencer à Coroa Portuguesa, juntamente com Ouguela e Olivença. Acerca da origem do seu nome, contam-se duas lendas: 

"Diz-se, desde tempos de antanho, que no reino de D. Dinis, quando aquelas terras passaram para a posse de Portugal, o monarca mandou que edificassem um castelo, ali mesmo, para defender e dominar as fronteiras.
Assim, um grupo de fidalgos, encarregados de escolher o local ideal, acabou por encontrar um vasto terreno, que lhes pareceu ótimo, sob todos os aspetos, para a construção do castelo.
E um dos fidalgos exclamou mesmo, apontando à sua volta:
?-Vêde! Que maravilha! É o Campo Maior que existe nas redondezas.
Não há outro mais adequado para o efeito. El-Rei optará pela nossa escolha!?
E assim aconteceu, de facto, tal como reza a lenda velhinha. D. Dinis mandou erguer ali um poderoso castelo e passou a chamar à povoação, a Terra de Campo Maior".
Rua engalanada com milhares de flores

Outra estória, lendária como a anterior, e também como a anterior muito divulgada na região de Campo Maior, refere-se ao facto de esta região ser vítima de muitos assaltos, pela parte dos Mouros, mesmo depois de conquistada pelos Cristãos:

"As famílias existentes na região passavam terríveis provações de terror e, muitas vezes, sofriam sérios  dolorosos e fatais ataques. Resolveram, por isso mesmo, reunirem-se num local amplo, onde todos se pudessem albergar, seguindo o velho ditado de que "a união faz a força". E, de todos que se lançaram na aventura de escolher o sítio desejado, um deles foi mais feliz, ao descobrir um terreno magnífico, pela grandeza e pelo aspeto natural e paisagístico.
Logo chamou pelos outros:
-Companheiros! Aqui será o nosso Campo Maior! Nele poderemos caber à vontade e dele faremos um reduto contra os nossos inimigos!"
Boas Vindas a Campo Maior

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As Festas do Povo (ou Flores) estão de volta a Campo Maior, após uma pausa de sete anos e realizam-se de 27 de agosto a 4 de setembro. A pouco mais de um mês das festas, a adesão era já enorme, estima-se este ano ser de 104 ruas enfeitadas pelos campomaiorenses, cujos serões são agora passados a ultimar a preparação dos milhões de flores de papel destinadas a engalanar as ruas, e no fabrico das quais também se estima terem sido gastas 23 toneladas de papel.

Para estas Festas do Povo, Campo Maior espera receber mais de um milhão de turistas, cidade cuja população residente não excede os nove mil residentes.

Esta tradição das principais ruas e praças engalanadas com milhões de flores, conta décadas, e não tem data marcada para a sua realização. As Festas realizam-se apenas quando o povo assim o decide. E o orçamento previsto para a sua realização, cerca de 800.000 euros, foi oferecido por um rico industrial da região, que lidera empresa de cafés de conhecida marca.
Mais uma rua ornamentada com flores de papel, em Campo Maior

A Associação das Festas do Povo e o Município de Campo Maior estão a preparar a candidatura das Festas do Povo a Património da Humanidade, pela UNESCO, candidatura que deverá ser formalizada até ao final deste ano. Será um bem merecido prémio, pelos meses de luta , trabalho e dedicação das gentes de Campo Maior, dedicados à preparação destas Festas.

São horas sem conta, roubadas quantas vezes ao justo descanso, para que Campo Maior surja, como por encanto, num fascinante e admirável jardim florido, ao raiar da aurora deste próximo dia 27 de agosto...


quarta-feira, agosto 17, 2011

FESTAS DA SENHORA D'AGONIA 2011 - Viana do Castelo





A minha terra é Viana!
Sou do monte e sou do mar.
Só dou o nome de terra
Onde o da minha chegar!
  (Pedro Homem de Melo)      






Era uma vez uma pequena povoação nascida no margem direita do rio Lima, junto à foz, quando as águas doces e vaporosas se misturaram com o bravio das ondas salgadas. Chamava-se Átrio e tinha, sobranceira, uma montanha de arvoredo, onde no alto existia a fortificação de um castro habitado por povos sem nome e que, a dada altura, desceram ao litoral, buscando na pesca melhor alimento e mais comércio.

Festas da Senhora d'Agonia

Era extremamente bela, entre veigas cultivadas, palmos de horta viçosas, redis, pomares e vinhedos, mas a sua principal vocação era o mar, a pesca. Na praia, várias embarcações esperavam pelas madrugadas para serem lançadas às vagas, com o afã dos remos, o aceno das velas e o espalhar das redes.

Pelo entardecer, as companhas regressavam ao Átrio, para a alegria das mulheres e crianças, com o fundo da embarcação coberto e pescado palpitante: a sardinha, o carapau, a faneca, o congro...
Vinham rio abaixo, habitantes de outras povoações, para o abastecimento pródigo das suas mesas.

Imagem da Senhora d'Agonia

Ora morava no Átrio, na modéstia de um casebre, uma linda rapariga chamada Ana, filha de pescador e desenvolta na venda do peixe, sempre com uma canção nos lábios, ouvida a algum jogral chegado da vizinha Galiza, onde animava os serões dos paços e terreiros das romarias.

Escutava-lhe, deliciado, estas cantigas de amor e de amigo, um jovem barqueiro que transportava na correnteza do rio, até ao Átrio, lavradores, mercadores, à compra de peixe fresco e saboroso. De tanto escutar a voz harmónica de Ana e de lhe admirar a graça, o rapaz começou a sentir pela rapariga um amor que ia aumentando dia após dia.

Confessava já aos amigos e companheiros de lida, o agrado desse amor nascente. E estes, contentes com o seu contentamento, sorriam quando o moço barqueiro, ao voltar ao Átrio, lhes atirava um brado feliz:
- Vi Ana! Vi Ana!
Um dia, porém, não se contentou em vê-la e dirigiu-lhe a palavra, num enleio que corava as faces. A rapariga, percebeu o vivo interesse amoroso do rapaz por ela, os olhos brilhantes sobre o rosto, sobre o cabelo dela. O seu coração lisonjeado retribui-lhe esse interesse, retribui-lhe esse amor.

Desfile da Mordomia

Não tardou em realizar-se a boda dos dois namorados. Durante os festejos, os companheiros e amigos do noivo recordavam-lhe o brado entusiástico:
-Vi Ana! Vi Ana!

O dito foi logo adotado pelos pescadores do Átrio que passaram a repeti-lo, quando regressavam dos trabalhos duros da faina, se lhes deparava o vulto acolhedor da montanha, as praias douradas, as veigas férteis, as águas lentas do rio e a paz dos seus lares:
-Vi Ana! Vi Ana !

Ao conceder o foral à povoação da foz do Lima, em 1258, o rei D. Afonso III, que a visitara tempos antes, extasiando-se com tanta beleza e prosperidade, substitui-lhe o nome de Átrio pelo de Viana. 
                                                                                (António Manuel Couto - "Lendas do Vale do Lima")

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Fiel à minha paixão pelas festas e romarias de Portugal, que, como já referi, acontecem na sua maioria durante este mês de agosto, não podia deixar de assinalar a romaria das Festas da Senhora d'Agonia que se assume como a rainha das romarias portuguesas.
  
Cortejo Etnográfico

Conjuntamente com as Festas de Campo Maior encerram,  esta época festiva em Portugal. Realizam-se de 19 a 21 de agosto, em Viana do Castelo. Este ano a ex-ministra da Cultura do anterior Governo socialista, Gabriela Canavilhas, vai desfilar como mordoma minhota durante estas Festas da Senhora d'Agonia e presidir à sua realização, conforme confirmou a autarquia.

Canavilhas cumpre, assim, a promessa feita no ano passado, enquanto membro do anterior Governo, em resposta ao desafio e convite do presidente da Câmara de Viana do Castelo, entidade que normalmente preside a este evento festivo.

São quatro dias de festa rija, que têm como pontos altos o Desfile da Mordomia, composto por muitas centenas de minhotas envergando os diversos trajes regionais, o Cortejo Etnográfico, o Fogo de Artifício e a Procissão ao Mar, ainda a feira franca , os Zés Pereiras, corrida de touros, serenatas e concertos.

Procissão ao Mar




O dia da padroeira dos pescadores, a Senhora d'Agonia, tem lugar no dia 20, sábado, com a tradicional Procissão ao Mar, cujo percurso terrestre é feito  pelas ruas cobertas por maravilhosos tapetes de sal colorido.


Este ano, será o Desfile da Mordomia, no Domingo, que deverá encerrar estas Festas da Senhora d'Agonia .


Esquecendo todas as tristezas e eventuais crises depressivas, concentremo-nos nestas imagens tão belas, do nosso Portugal.




domingo, julho 31, 2011

FESTA DAS FLORES 2011 - Vila do Redondo






Depois de um longo interregno de 18 anos, o município de Redondo retomou as tradicionais festas populares da Vila, em que a população ornamenta as ruas com figuras, flores e outros motivos em papel colorido. De carácter bienal, estas Festas das Flores de Redondo realizam-se, este ano, de 30 de julho a 7 de agosto.

Os temas escolhidos pelos moradores, considerados autênticos artistas, são os mais variados, desde motivos etnográficos e florais até histórias imaginárias e exóticas. Cada rua, este ano num total de 35 ruas, apresenta um tema diferente, escolhido livremente pelos moradores, que o mantêm em segredo até ao primeiro dia da festa.

As festas constituem uma tradição da Vila, com realce para o trabalho coletivo e voluntário e para a criatividade das pessoas, desde os idosos aos jovens, que mostram a arte de trabalhar o papel. Segundo os organizadores, as ruas floridas "revelam um impressionante e complexo mar de papel na sua mais alta manifestação de diversidade e criatividade. Tudo o que a imaginação do homem pode conceber, recortando com arte e magia uma simples folha de papel".

Os registos escritos mais antigos indicam que a ornamentação das ruas nas festas locais remonta a 1838, tendo passado a ter o carácter bienal em1998.

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