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domingo, agosto 14, 2011

HÁ CINQUENTA ANOS...O "MURO DA VERGONHA"





Completaram-se ontem 50 anos da edificação do muro que durante 28 anos dividiu a Alemanha Oriental (RDA), da Alemanha Ocidental (RFA), e que viria a tombar em 1989.

Há 50 anos, a RDA justificou a construção do Muro com a necessidade de "travar as provocações imperialistas montadas pelo ocidente". O verdadeiro objetivo dos líderes comunistas, porém, era estancar a emigração para a Alemanha Federal, que nos primeiros doze meses de existência da RDA já tinha ultrapassado os três milhões de pessoas.

Na madrugada de um domingo, 13 de agosto, as milícias da RDA começaram a erguer barreiras de arame farpado, nas linha divisória entre o sector soviético e os  sectores ocidentais. Tanques da RDA ocuparam importantes artérias, e a circulação dos transportes públicos no sentido leste-oeste foi cortada. As potências ocidentais renunciaram a uma intervenção militar, para evitar um conflito que poderia conduzir a uma terceira guerra mundial.

"Mais vale um muro do que uma guerra", disse, na altura, o presidente norte-americano John F.Kennedy, segundo vários historiadores.

Mas durante uma onda revolucionária que varreu o bloco de Leste, o governo da Alemanha Oriental anunciou, em 9 de novembro de 1989, após várias semanas de distúrbios civis, que todos os cidadãos da RDA poderiam visitar a Alemanha Ocidental e Berlim Ocidental. Multidões de alemães orientais subiram e atravessaram o Muro, juntando-se aos alemães ocidentais do outro lado, numa atmosfera de grande celebração. Ao longo das semanas seguintes, partes do Muro foram destruídas por um público eufórico e por caçadores de souvenirs, e mais tarde, equipamentos industriais foram usados para remover quase toda a estrutura.

A queda do Muro de Berlim, abriu o caminho para a reunificação alemã, que foi formalmente celebrada a 3 de outubro de 1990. Muitos apontam esta data como o fim da Guerra Fria. O governo de Berlim incentiva a visita do muro derrubado, tendo preparado a reconstrução de trechos do muro. Além da reconstrução de alguns trechos, está marcado no chão o percurso que o muro fazia quando estava erguido.

Durante as comemorações que na Alemanha assinalaram a queda do Muro, o presidente alemão, Christian Wulff, na conpanhia da chanceler Angela Merkel, marcou presença nas cerimónias realizadas no Memorial do Muro e afirmou" A lembrança da injustiça do Muro adverte-nos para não deixarmos sozinhos os que lutam pela liberdade, a democracia e os direitos cívicos. A liberdade acabou por triunfar, não há muro que resista ao desejo de liberdade".

Recorde-se que o país esteve dividido em República Democrática Alemã (RDA) e República Federal Alemã (RFA)  até à queda do Muro de Berlim, em 1989, quando o país assistiu ao fim do regime comunista.


sábado, agosto 06, 2011

ARISTIDES DE SOUSA MENDES (1885-1954) - Diplomata, o "Schindler Português"






Os homens são do tamanho dos valores que defendem.




Aristides de Sousa Mendes foi, talvez por isso, um dos poucos heróis nacionais do século XX e o maior símbolo português saído da II Guerra Mundial. Em 1940, quando era cônsul em Bordéus, protagonizou "a desobediência justa". Não acatou a proibição de Salazar de se passarem vistos a refugiados: transgrediu e passou 30 mil, sobretudo a judeus. Foi demitido compulsivamente. A sua vida estilhaçou-se por completo. É o herói vulgar. Não estava preso a causas. Estava preso a uma questão fundamental: a sua consciência.

Aristides de Sousa Mendes e família, em 1936

Aristides de Sousa Mendes foi o "Schindler português", muito antes de o alemão começar a sua atividade humanitária em prol dos judeus.. Atendendo à verdade histórica, Oskar Schindler é que foi o Aristides alemão.

Oskar Schindler, salvou em 1944, cerca de 1200 judeus, que empregou na sua fábrica, evitando que fossem deportados para campos de concentração. Por causa do filme baseado no livro de Thomas Keneally, "A Lista de Schindler", adaptado ao cinema pelo realizador Steven Spielberg, com um êxito estrondoso, ainda hoje muitos dos portugueses conhecem melhor a história de Oskar Schindler do que a de Aristides de Sousa Mendes.

E, no entanto, Aristides de Sousa Mendes salvou um número de pessoas extraordinariamente maior do que Oskar Schindler. O célebre historiador do Holocausto Yehuda Bauer, classificou o ato de Aristides de Sousa Mendes mesmo como «a maior ação de salvamento levada a cabo por uma só pessoa durante o Holocausto».

Lista de Aristides de Sousa Mendes

De uma coisa ninguém tem dúvidas. Aristides de Sousa Mendes é um dos maiores símbolos nacionais da II Guerra Mundial. Foi o homem metáfora do humanismo. Em 1940 Aristides era cônsul em Bordéus e, indo contra a diretiva de Salazar para não se concederem vistos a refugiados que quisessem atravessar a França para chegar a Portugal, desobedeceu e passou 30 mil vistos. "Na vida de cada pessoa há uma ou outra oportunidade para se revelar, mostrar aquilo em que acredita e levar isso até às últimas consequências. Ele revelou um sentido de rasgo, um sentido de risco", afirmou D. Manuel Clemente, bispo auxiliar de Lisboa.

Casa de Aristides de Sousa Mendes, em Cabanas de Viriato,
em incompreensível estado de degradação, ainda


No século XX português não há outra figura que tenha mudado tanto, objectiva e materialmente, a vida de  milhares de pessoas. Aristides de Sousa Mendes representou a desobediência justa, foi o exemplo da solidariedade. A sua figura ficou ligada, para sempre, ao humanismo do século XX. No momento crucial da vida na Europa e no mundo, foi capaz de distinguir o essencial do acessório. Percebeu que não podia ficar indiferente à sorte de milhares de pessoas que foram aparecendo no Consulado de Portugal em Bordéus.

Placa que assinala a árvore de Aristides de Sousa Mendes
na Floresta dos Justos

Nascido numa abastada família de antigos fidalgos de província, de Cabanas de Viriato, perto de Viseu, Aristides e o irmão gémeo cursaram Direito em Coimbra e seguiram a carreira diplomática. Perseguido pelo regime Sidonista e pela I República em geral, após o golpe de 28 de Maio de 1926, Aristides é colocado em Vigo, num posto prestigiante e de confiança. A seguir é transferido para um posto de confiança em Antuérpia, onde ficou nove anos. Com 50 anos, era decano do corpo diplomático.

Em 1938, após Salazar recusar o seu pedido para permanecer na Bélgica, foi colocado em Bordéus. Em 1939, com o rebentar da II Guerra Mundial, e em 1940, devido à invasão da França pelas tropas alemãs, milhares de refugiados fugiram para o sul. Os jardins do Consulado e as ruas vizinhas serviram de acampamento a milhares de pessoas, das mais diversas nacionalidades, sobretudo judeus, fugitivos da perseguição nazi, mas também gente que simplesmente fugia da guerra.

Monumento a Aristides de Sousa Mendes em Santarém

Com a proibição de Salazar, à data simultânemente presidente do Conselho de Ministros e ministro dos Negócios Estrangeiros, de se passarem vistos a refugiados, sobretudo a "israelitas", Aristides de Sousa Mendes seguiu a sua formação humanista e católica, e desobedeceu.  Passou (com dois dos seus filhos mais velhos) milhares e milhares de vistos àqueles fugitivos, entre os dias 17 e 19 de junho de 1940. Terão sido passados cerca de trinta mil, naqueles escassos dias.

Concedeu vistos sem olhar a nacionalidades, etnias ou religiões. Graças a ele, Portugal ficou na história como um país que apoiou os refugiados durante a II Guerra Mundial. "Aristides marca de uma forma indelével a história de Portugal porque permitiu reconciliar-nos com a nossa dignidade. Mais do que qualquer outra pessoa da sua época, dignificou o que era ser-se humano ser-se português", declarou Fernando Nobre, presidente da fundação AMI.

Quando se deu a ocupação do Consulado, fechou-se num quarto para reflectir o que deveria fazer. Num silêncio inquietante, ficou só com o seu dilema: respeitar as ordens superiores, o que alíás sempre fizera, ou responder à sua consciência?. Aristides de Sousa Mendes era um homem vulgar, um funcionário ordeiro, com mais de 50 anos e 12 filhos, que nunca se tinha oposto ao regime ditatorial. Mas naquela hora, respondeu à sua consciência. E isso foi extraordinário.

Alameda Aristides de Sousa Mendes na Áustria

Continuando a desobedecer às ordens superiores, provou que não tinha vocação para capacho. Perante a passividade dos colegas de Bayonne e Hendaye, deslocou-se a estas cidades nos dias seguintes, e ele próprio emitiu mais alguns milhares de vistos. As perspetivas dos seus atos não se limitaram a ser sombrias. Excederam em perigo muito mais do que a imaginação humana pode conceber.

E de tal modo que, após 32 anos de serviço, Aristides de Sousa Mendes, com uma família de 12 filhos, foi demitido compulsivamente sem qualquer direito a qualquer reforma ou indemnização. Além disto, foi também interditado de exercer a advocacia e os filhos de frequentarem a universidade. O irmão também foi demitido do serviço diplomático. A sua vida estilhaçou-se por completo. Desmoronou-se em prol de um ideal. A presença de Deus e o seu catolicismo comandaram sempre a vida de Aristides de Sousa Mendes.

Lápide da Alameda dos Justos

Albergou no seu palácio de Cabanas de Viriato muitas famílias de refugiados, mesmo à custa da hipoteca do recheio do próprio palácio. Já na miséria, foi auxiliado pela Comunidade Israelita em Lisboa a partir de1941, sendo muitos dos seus filhos chamados por aqueles que haviam sido salvos, sobretudo a partir dos Estados Unidos e do Canadá.

Em 1945, terminada a guerra, tendo feito uma exposição para tentativa de reapreciação do seu processo, não recebeu resposta. A sua situação de miséria agravou-se. E em 3 de abril de 1954 morreu, no Hospital da Ordem Terceira, em Lisboa, desonrado e sozinho, apenas acompanhado por uma sobrinha, uma vez que os seus filhos já haviam todos emigrado para a América.

Duas bisnetas de Sousa Mendes, colocam flores no monumento
da Estação do Parque, do metro de Lisboa 

Por incrível que pareça, Aristides de Sousa Mendes só foi reabilitado nos anos 80 do século XX, e muito por pressão exterior. Foi primeiro elogiado nos Estados Unidos e em Israel. Foi considerado o justo entre os justos.

Em Israel, mais precisamente em Jerusalém, foi feita uma alameda chamada de Alameda dos Justos, onde foram plantadas cerca de dez mil árvores, uma por cada justo que Sousa Mendes ajudou durante a II Guerra. Em 1987 foi ali plantada, em presença dos filhos uma árvore em homenagem a Aristides de Sousa Mendes.

Só a 18 de março de 1988, sob iniciativa do então deputado Jaime Gama, Assembleia da República aprovou, por unanimidade, a reintegração de Aristides de Sousa Mendes na carreira diplomática, a título póstumo, em categoria nunca inferior àquela que teria direito se não fosse demitido compulsivamente.

Decreto do DR, que iliba Aristides de Sousa Mendes

Também o arquiduque Otto da Áustria, em maio de 1968, lhe dirigiu uma longa carta profundamente comovido, citando toda a ajuda prestada pelo então cônsul, a si próprio e à sua família.

Finalmente, em 1 de outubro de 1986, o Estado Português pede oficialmente desculpa pela injustiça cometida sobre o ex-cônsul, quando o Presidente da República condecora Aristides de Sousa Mendes, a título póstumo, com a Ordem da Liberdade, que é entregue pessoalmente à família de Aristides na embaixada portuguesa em Washington em 19 de maio de 1987.





Assim, 49 anos depois, fez-se justiça.







sexta-feira, janeiro 28, 2011

JORGE VI DE INGLATERRA - A sua Vida - O seu Discurso


Jorge VI do Reino Unido (nascido Albert Frederick Arthur George, 14 De Dezembro 1895-6 de Fevereiro 1952) foi o terceiro membro da Casa de Windsor a assumir o trono do Reino Unido. Foi rei entre 1936 e 1952, ano em que faleceu, sendo sucedido no trono por sua filha Elizabeth. Foi ainda o último Imperador da Índia até 1947. Era filho do rei George V do Reino Unido e da princesa Maria de Teck.

Jorge VI até então Duque de York, subiu ao trono após a abdicação de seu irmão mais velho Eduardo VIII, que havia abdicado do trono em favor da sua relação e mais tarde casamento, com Wallis Simpson, casada e divorciada por várias vezes.
Jorge VI

Perante estas circunstâncias e sendo agora o primeiro na linha de sucessão ao trono, após a morte do seu avô, do seu pai e da abdicação de seu irmão mais velho Eduardo VIII, e com alguma relutância acompanhada de certa mágoa, tornou-se  rei Jorge VI do Reino Unido, título que assumiu para salientar a continuidade com o pai e restaurar a confiança na monarquia.

Cerca de um dia após a sua ascensão ao trono, aderiu ao Ato Constitucional de 1936 do Oireachtas, que revogava todos os poderes do monarca britânico no território da Irlanda.
Jorge VI  e sua mulher, Elizabeth Bowes-Lyon

No início do seu reinado, o seu primeiro acto como rei  foi  conceder ao seu irmão o título de Sua Alteza Real o Duque de Windsor, mas a carta-patente de criação do ducado impediu qualquer mulher ou filhos de possur títulos e tratamentos reais.

Enquanto jovem e mesmo já adulto, Albert sofreu de problemas de saúde relacionados com o seu lado emocional. Os seus pais eram geralmente um tanto distantes da sua educação e quotidiano. Aprendeu a escrever com a mão direita embora fosse naturalmente canhoto, e como consequência desenvolveu uma gaguez contínua durante muitos anos. Albert também sofria de problemas estomacais gravíssimos.
Jorge VI e sua mulher, durante
uma visita ao Canadá

Casou-se, em 1932, com Lady Elizabeth Bowes-Lyon e tiveram duas filhas: a actual Rainha Eizabeth II e a Princesa Margaret. A tensão da II Guerra Mundial afectou de sobremaneira o seu já delicado estado de saúde, uma vez que já havia sido dignosticado, ao monarca, um cancro no pulmão, arteriosclerose, entre outras doenças.

Veio a falecer em 6 de Fevereiro de 1952, durante uma visita ao Quénia de sua filha mais velha Isabel, já casada com o actual Duque de Edimburgo, antecipando-se assim o regresso do futuro casal real. Os seus restos mortais encontram-se no Castelo de Windsor, lado a lado com os da sua viúva, a rainha-mãe Elizabeth Bowes-Lyon, e de sua filha, a Princesa Margaret.

A história da vida do rei Jorge VI deu origem, recentemente, ao já tão falado e apreciado filme " Discurso do Rei", que foca prioritariamente os problemas devidos ao delicado estado saúde de Jorge VI  e a maneira como como o monarca os soube enfrentar.
Anúncio do filme " Discurso do Rei"



Um filme que ninguém queria financiar inicialmente, apresenta-se hoje como um dos principais candidatos favoritos aos Óscares de Hollywood, com 12 nomeações, acrescidas da conquista do Globo de Ouro de Melhor Actor Dramático, atribuído pelo Sindicato de Produtores, ao actor Colin Firth.


Esperemos que ganhe o melhor, mas fazemos votos para que o "Discurso do Rei" não deixe de ser distinguido e premiado como merece.









domingo, janeiro 09, 2011

MUSEU DO CARAMULO - FUNDAÇÃO ABEL E JOÃO LACERDA - Transporte em Portugal (Parte II)






Dois irmãos, Abel e João de Lacerda fundaram nos anos cinquenta, um museu invulgar, numa pequena povoação chamada Caramulo. Situada numa montanha do centro de Portugal, com luxuriante vegetação e virada a sul, sobre um extenso vale de 80 quilómetros, Caramulo debruça-se sobre o mais vasto panorama do país.

Bugatti 35B
Abel de Lacerda, apaixonado pela arte, constrói um edifício, com os mais modernos conceitos de museologia, para expor uma invulgar colecção de objectos de arte constituída por 500 peças de pintura, escultura, mobiliário, cerâmica e tapeçarias, que vão da era Romana até Picasso.

João de Lacerda, apaixonado por automóveis, constrói outro edifício anexo ao primeiro, vocacionado para expor 100 automóveis e motos, dentro do princípio de que todos os veículos pudessem sair fàcilmente, para exibição e conservação.
Triciclos Antigos

Com a morte prematura de Abel Lacerda em 1957, criou-se a Fundação Abel de Lacerda - hoje Fundação Abel e João de Lacerda - proprietária dos dois museus de Arte e Automóveis, abertos ao público todo o ano. Mais de um milhão de visitantes entraram neste meio século, no Museu do Caramulo.

A colecção de Automóveis, Motociclos e Velocípedes do Museu do Caramulo foi iniciada por João de Lacerda em 1955, ao adquirir um Ford T de 1925. Desde então, a colecção foi aumentando, encontrando-se em exposição no Caramulo. Devido ao seu sucesso e enorme prestígio, o Museu do Caramulo foi acolhendo automóveis em depósito, alargando amplamente o espólio exposto.

Bugatti
Contudo, é condição imperativa para um automóvel ser exposto, estar restaurado e com a mecânica impecável, tal como nasceu, permitindo-lhe desta forma circular normalmente em desfiles ou até mesmo participar em provas. Este objectivo presidiu à construção do edifício anexo, de forma a que cada veículo possa sair instantaneamente sem restrições. Isto porque, todos os automóveis circulam no exterior pelo menos 2 vezes por ano, sendo registado numa ficha individual, tudo o que tiver ocorrido nessas saídas.

O Museu do Caramulo dispõe de uma exposição permanente de 30 motociclos e 70 automóveis (dos quais 14 veteranos), representando 36 marcas de 7 países. O mais antigo é um Benz de 1886 e o mais recente um Ferrari de 1998. Existe ainda uma variada colecção de bicicletas e triciclos antigos.

Muitos dos automóveis têm uma relação com a História de Portugal. Na colecção automóvel exposta permanentemente no Museu, podem observar-se:
  • o mais antigo automóvel ainda em funcionamento em Portugal, o Peugeot de 1899;
  • o Bugatti 35B, em que Lehrfeld estabeleceu o recorde do quilómetro lançado, a mais de 200 km/h, em1931;
  • o Mercedes-Benz blindado e o Cadillac que estiveram ao serviço do Prof. Doutor Oliveira Salazar;
  • o Pegaso Sport, oferecido pelo General Franco ao Presidente Craveiro Lopes;
  • o Chrysler Imperial da PIDE que protagonizou a "Fuga da Prisão de Caxias";
  • o Renault que foi pertença do conselheiro João Franco;
  • o Rolls-Royce que serviu a Rainha Isabel II, o Presidente Eisenhower e o Papa João Paulo II nas suas visitas a Portugal;
  • o Fiat oferecido ao Dr. João Lacerda, pelo presidente do Grupo FIAT.

Cadillac do Prof. Salazar














Este original museu, inserido na maravilhosa paisagem da Serra do Caramulo, merece bem o nosso agradável passeio, para apreciarmos todo o seu espólio. 


Já o fiz, e garanto-vos que valeu bem a pena...










MUSEU NACIONAL DOS COCHES - Transporte em Portugal (Parte I)


Criado por iniciativa da Rainha D. Amélia de Orleães e Bragança, mulher do rei D. Carlos I, o Museu dos Coches Reaes, como então se chamava, foi inaugurado no dia 23 de Maio de 1905.
Rainha D. Amélia

D. Amélia, senhora de grande cultura, toma consciência do valor patrimonial das viaturas de gala da Casa Real e com o apoio de Monsenhor Joaquim Boto, Cónego Patriarcal de Lisboa e Conselheiro do Rei, e do seu Estribeiro-Mor, Tenente Coronel de Cavalaria Alfredo Albuquerque, propõem-se reuni-lo, salvaguardá-lo e apresentá-lo ao público à semelhança do que acontecera, pela primeira vez em Paris em 1900, na Exposição Universal.

O local escolhido para a sua instalação foi o Picadeiro Real de Belém que deixara de ser utilizado e onde, à época, já se encontravam armazenadas algumas das principais viaturas e para onde a rainha fez convergir os 
os antigos carros nobres da Casa Real Portuguesa e respectivos acessórios, património que se encontrava disperso pelos vários depósitos e cocheiras dos palácios reais.
Da primitiva colecção faziam parte 29 viaturas, fardamentos de gala, arreios de tiro e acessórios de cavalaria, utilizados pela Família Real. 

Após a implantação da República, em 1910, o Museu passa a designar-se Museu Nacional dos Coches e o seu espólio foi enriquecido com outros veículos da Coroa, do Patriarcado de Lisboa e de algumas casas nobres.
Panorâmica da sala principal do actual
Museu Nacional dos Coches

Hoje o Museu dos Coches é o museu mais visitado do país e reune uma colecção que é considerada única no mundo, devido à variedade artística das magníficas viaturas de aparato dos séculos XVII (destaco o coche de viagem de Filipe II de Espanha, desta época), XVIII e XIX e ao número de exemplares que integra. Destacam-se ainda, o coche onde se deslocava D. João V e a carruagem da Coroa para o embaixador no Vaticano D. Rodrigo de Almeida e Meneses, futuro Marquês de Pombal.

Todo o interessante conjunto das viaturas expostas, desde coches, berlindas, carruagens, seges, carrinhos de passeio, liteiras e cadeirinhas de criança, permite ao visitante compreender a evolução técnica e artística dos meios de transporte utilizados pelas cortes europeias até ao aparecimento do automóvel.
Coche da Embaixada ao Papa Clemente XI-Dos Oceanos

Já nesta altura se destacava uma sege pintada de verde e preto, que foi considerada como o primeiro táxi de Lisboa, devido a estas serem as cores que estas viaturas ostentaram até 1990.

Em 1934, um acordo com a Fundação da Casa de Bragança permitiu a instalação no Paço Ducal de Vila Viçosa de um Anexo do Museu Nacional dos Coches, onde estão expostas ao público não só viaturas do Museu, como algumas viaturas do Palácio Nacional da Ajuda, do Museu de Évora, do Museu Machado de Castro, de depósitos privados e as do próprio Paço Ducal. Aqui está exposto o landau onde foram assassinados o rei D. Carlos e seu filho, o príncipe herdeiro da Coroa, no Regicídio.
Pormenor do coche anterior





Está prevista a construção de um novo edifício, nos terrenos anexos das antigas Oficinas Gerais do Exército, na zona de Belém, em Lisboa, para o novo Museu Nacional dos Coches.



O projecto é do arquitecto brasileiro Paulo Archia Mendes da Rocha.



As obras, iniciadas em Março de 2009, prevêem uma construção com uma área bruta de 15.000 metros quadrados, cujo valor global de construção deverá ser pago com verba a receber do Casino de Lisboa.



quarta-feira, dezembro 01, 2010

1 DE DEZEMBRO DE 1640 - Para recordar...



  






1 de Dezembro de 1640. Um feriado mais, que assinala uma sucessão de eventos que em Portugal conduziram às Guerras da Restauração, mas que cada vez mais vai  caindo no esquecimento e indiferença do povo português. Assim e de um modo mais ou menos sucinto, procurarei  transmitir nesta publicação, uma panorâmica  da situação política portuguesa de então.

El-Rei D. João IV

De 1580 a 1640 Portugal viveu sob o domínio espanhol. A monarquia dualista da Dinastia Filipina, iniciada após as Cortes de Tomar, com a proclamação de Filipe II de Espanha como Rei de Portugal, fez acumular descontentamentos que resultaram na instauração da Casa de Bragança, a 1 de Dezembro de 1640.

O tumulto Manuelino de Évora, em 1637, foi um prenúncio do movimento restaurador. A causa imediata dessas alterações em Évora fora o lançamento de novos impostos.

A conspiração de 1640 foi planeada pelos fidalgos D. Antão de Almada, D. Miguel de Almeida e pelo Dr. João Pinto Ribeiro, além de outros, que nesse sábado de 1640 acorreram ao Terreiro do Paço e mataram o Secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e aprisionaram a Duquesa de Mântua, que governava então Portugal em nome de seu primo, Filipe III.

O momento fora bem escolhido, porque a Casa de Habsburgo defrontava os problemas derivados da Guerra dos Trinta Anos e procurava vencer a revolta da Catalunha. No decurso do reinado de D. João IV, as hostilidades não se caracterizavam por encontros graves, devido à circunstância de a coroa estar envolvida na Guerra dos Trinta Anos e na revolta da Catalunha, pelo que não pôde dar uma resposta eficaz à revolta portuguesa.

Os Conjurados


Este facto  permitiu ao partido de Bragança organizar e aperfeiçoar o seu exército com a chegada de novos efectivos e a utilização de oficiais e técnicos estrangeiros de qualidade.

Para além dos poucos significativos incidentes de fronteira, apenas se travou uma batalha importante, a do Montijo, em 1644. Todavia, a guerra arrastou-se durante 28 anos, vindo a paz a ser assinada já na regência de D. Pedro II.

A 2 de Dezembro de 1640, D. João IV já se dirigia como soberano, por carta régia datada de Vila Viçosa, à Câmara de Évora. O caminho a seguir era o da reorganização  de todas as forças para as batalhas.

A Guerra da Restauração


Assim, resolve criar no dia 11 de Dezembro o Conselho de Guerra para decidir sobre todos os assuntos relativos ao exército.

Vem a seguir a Junta das Fronteiras que haveria de cuidar das fortalezas fronteiriças, da defesa de Lisboa , das guarnições e portos de mar.


Dá-se, ainda em Dezembro de 1641, a criação da Tenência para assegurar a artilharia das fortalezas com o produto das Terças dos concelhos.

Posteriormente são restabelecidas as Leis Militares de D. Sebastião, visando reorganizar o exército. Paralelamente, desenvolve-se uma intensa actividade diplomática.

Com as vitórias do partido brigantino, criaram-se condições para o reconhecimento da independência, o que viria a ser conseguido, em 1668, sendo já regente o infante D. Pedro.

Neste último ano foi assinado o tratado de paz, terminando, assim, ao fim de 28 anos de luta, as Guerras da Restauração em Portugal.













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