quinta-feira, outubro 05, 2017

107 ANOS DE REPÚBLICA - Façam o favor de se levantar: vamos falar de Portugal











Novamente consagrado como dia de feriado nacional, por atuais disposições governamentais, comemoram-se neste 5 de Outubro de 2017, 107 anos de República em Portugal. Resultado de um golpe de estado organizado pelo Partido Republicano Português, que no dia 5 de outubro de 1910, destituiu a monarquia constitucional e implantou  um regime republicano em Portugal.



A revolução foi proclamada por todo o povo antes ainda de decidida a última ação, que daria origem ao 5 de Outubro de 1910, ou se saber quem alcançaria a vitória; e, desde esse momento, a notícia transmitida para todas as cidades e terras de Portugal, a adesão unânime à República foi verdadeiramente um plebiscito de espontaneidade e entusiasmo, entrando logo a vida portuguesa em normalidade.

A sujeição do país aos interesses coloniais britânicos, os gastos excessivos da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores), a ditadura de João Franco, a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e de se adaptar à modernidade - tudo bem contribuiu para um inexorável processo de desgaste da monarquia portuguesa, do qual os defensores da república, particularmente o Partido Republicano, soube tirar o melhor proveito. Por contraponto, o Partido Republicano apresentava-se como o único que tinha um programa capaz de devolver ao país o prestígio perdido e colocar Portugal no caminho do progresso.

Após a relutância do exército em combater os dois mil soldados e marinheiros revoltosos entre 3 e 4 de outubro de 1910, a República foi proclamada às 9 horas da manhã do dia seguinte, da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa.

Consagrada  a revolução, um governo provisório chefiado por Teófilo Braga dirigiu os destinos do país até à aprovação da Constituição de 1911, que marcou o início da Primeira República.


A partir do 5 de Outubro, a bandeira portuguesa foi substituída. As cores verde e vermelho significam a esperança e o sangue dos heróis. A esfera armilar simboliza os Descobrimentos, os sete castelos representam os primeiros castelos conquistados por D. Afonso Henriques, as cinco quinas significam os cinco reis mouros derrotados por este Rei e, finalmente, os cinco pontos em cada uma, as cinco chagas de Cristo. O hino "A Portuguesa", composto por Alfredo Keil, tornou-se o hino nacional.

Bandeira portuguesa içada no dia 5 de Outubro de 1910 
na Câmara Municipal de Lisboa
Mantiveram-se os valores do Estado, o comércio abriu as suas portas, e a República era consagrada com cantares e alegrias, porque se respirava um ar oxigenado e livre. (in  “As Constituintes de 1911 e os seus Deputados”)

Celebrado este ano nas ruas, foi este o discurso do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa há um ano, durante a sua intervenção nas comemorações da Implantação da República, que então decorreram na Praça do Município em Lisboa: 

"O exemplo dos que exercem o poder é fundamental sempre para que o povo continue a acreditar no 5 de Outubro", afirmou ainda o chefe de Estado, 












segunda-feira, outubro 02, 2017

PELA NOITE, COM ROBERT FROST: "THE ROAD NOT TAKEN"



THE ROAD NOT TAKEN


Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I--
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.


ROBERT FROST





Robert Frost
Robert Lee Frost nasceu na cidade de São Francisco, Califórnia, em 29 de Março de 1874 e morreu em Boston, no dia 29 de Março de 1963.  converteu-se num dos mais significativos poetas norte-americanos do século XX, talento reconhecido ao conquistar quatro vezes o Prémio Pulitzer.
Os seus pais representaram dois lados opostos para o jovem. Enquanto o pai foi um alcoólatra incorrigível, com personalidade extravagante e génio colérico, a mãe foi culta e devota, a responsável pela introdução do jovem no universo literário. Depois do falecimento paterno, em 1885, Robert passou a residir na Nova Inglaterra com os seus familiares.

O poeta adotou esta região como a sua cidade natal, a qual foi sempre aclamada nos seus poemas. O ano de 1890 marcou o início do seu percurso literário, quando então Frost lançou o seu primeiro poema. Neste mesmo período começou a lecionar e, para complementar o seu rendimento, trabalhou por algum tempo em fazendas e moinhos.
O estilo existencial de Robert moldou profundamente a sua escrita. Seguindo a vertente da própria vida, aliou na sua obra a cultura popular e a veia modernista, o regional e o universal. Em 1895, Frost contraiu matrimónio com Elinor White. Desta união resultaram seis filhos. Preocupado com o sustento da sua família, o poeta dedicou a maior parte de seu tempo ao trabalho rural. Em 1901 alcançou o status de fazendeiro próspero.

A partir de então passou a escrever apenas à noite, recluso no recinto de sua cozinha. Ao mesmo tempo, de 1906 em diante, Robert dedicou-se a dar aulas integralmente na Pinkerton Academy, não mais se afastando do campo da literatura. Outra atividade que também não mais abandonaria, seria a realização de palestras e conferências.
Ao longo da vida, Robert Frost viveu em várias regiões, residindo maioritariamente em Michigan e na Flórida. De 1912 a 1915 estabeleceu-se em Inglaterra, lançando aí as suas duas primeiras publicações poéticas, A Boy’s Will, de 1913, e North of Boston, de 1914.
A sua obra foi bem acolhida pelos meios críticos da Europa. Frost teve então a oportunidade de conhecer outros escritores célebres, tais como Ezra Pound, Ford Madox Ford e W. B. Yeats. O seu regresso aos Estados Unidos ocorreu em 1915, quando aproveitou para lançar na sua terra os dois primeiros livros.

Em 1938 o poeta sofreu com a perda da mulher, e em 1940 sobreviveu a um novo e terrível golpe, o suicídio da sua filha Carol. Estes trágicos acontecimentos, abalaram profundamente a sua mente. Um ano depois foi para Cambridge, e nesta cidade permaneceu pelo resto de sua existência. Nesta época viveu com a sua secretária Kathleen Morrison, que rejeitou uma proposta de casamento de Robert.
Frost viajou em trabalho para o Brasil e proferiu palestras no Rio de Janeiro e em São Paulo, no ano de 1954. No final dos anos 50 voltou à Europa, contactou com nomes como W. H. Auden, E. M. Forster, Graham Greene, entre outros. O poeta morreu já consagrado, na cidade de Boston, em 29 de janeiro de 1963.


A produção literária de Frost é variada e abundante. A sua poesia inclui sonetos, poemas em forma de diálogo, poemas curtos, poemas longos. Escreveu três peças teatrais (A Way Out, In an Art Factory e The Guardeen). São numerosíssimos os registos das suas conferências. A correspondência, os ensaios e as histórias merecem o mesmo comentário. Frost teve a capacidade de dar um tratamento simples e ao mesmo tempo profundo a temas elementares (fogo, gelo, natureza), tirando verdadeiras "lições de moral" das suas observações do mundo natural (lições nem sempre otimistas, como se pode notar em Nothing Gold Can Stay). Tal característica, aliada à modernidade da sua linguagem (Frost era um defensor do uso da linguagem vernácula em obras literárias), fez com que Frost jamais deixasse de figurar entre os escritores prediletos dos norte-americanos, ao lado de nomes como Whitman, Emerson e Thoreau. O seu poema The Road Not Taken é obra obrigatória em qualquer antologia poética da lingua inglesa. Prova adicional da sua popularidade, são as várias referências em filmes como a Sociedade dos Poetas Mortos e Daunbailó.




sábado, setembro 30, 2017

MENSAGEM DO DIA INTERNACIONAL DA DANÇA 2017




"Dançar é sentir, 
sentir é sofrer, 
sofrer é amar... 
Tu amas, sofres e sentes.
 Dança!" 
Isadora Duncan




O Dia Mundial da Dança celebrou-se no passado  dia 29 de abril, celebração  que se repete todos os anos neste dia. A data foi criada em 1982 pelo Comité Internacional da Dança (CID) da UNESCO, que escolheu o dia 29 de abril como o Dia Internacional da Dança. A comemoração tem por base o dia de nascimento de Jean-Georges Noverre, que nasceu em 1727 e foi um dos grandes nomes mundiais da dança.


Dançarinas do Charleston
A celebração do Dia Mundial da Dança tem como objetivo celebrar esta arte e mostrar a sua universalidade, independentemente das barreiras políticas, culturais e éticas.

No dia de hoje: 

MENSAGEM DO DIA MUNDIAL DA DANÇA 2017 – 29 de Abril

"Tornei-me bailarina devido ao meu desejo de voar. A transcendência da gravidade foi uma coisa que sempre me motivou. As minhas obras não encerram um significado secreto. São exercícios espirituais em forma física.

A dança comunica e expande a linguagem universal da comunicação, dando origem à alegria, beleza e ao avanço do conhecimento humano. A dança tem a ver com a criatividade… e repetidamente… no pensamento, no fazer e na interpretação. Os nossos corpos são a ferramenta para a expressão e não um meio para a representação. Esta noção liberta a nossa criatividade que é a lição essencial e o dom da rate de fazer.

A vida dum artista não termina com a idade, como alguns críticos acreditam. A dança é feita de pessoas e ideias. Na qualidade de espectador pode-se levar o impulso criativo para casa e aplicá-lo na sua vida quotidiana.

Trisha Brown  
(1936-2017)
Trisha Brown


Em comemoração desta data que celebra a Dança, "Preto, Branco, E...", uma vez mais escolheu a década dos anos 20 - os loucos anos 20 - com toda a sua alegria, criatividade e também toda a sua loucura.
Uma década de prosperidade e liberdade, animada pelo som das jazz-bands e pelo charme das melindrosas mulheres modernas da época, a década dos anos 20 caracterizou-se pela frequência dos salões de dança, simbolos dos comportamentos, modo de vestir e também do espírito da época.

A época do Jazz tinha chegado.

Além dos salões, da ópera ou teatro, a sociedade dos anos 20 também frequentava os animatógrafos que exibiam os filmes de Hollywood e os seus astros, como Rodolfo Valentino e Douglas Fairbanks. 

As mulheres copiavam as roupas e os trejeitos das atrizes famosas, entre elas Gloria Swanson e Mary Pickford.

A cantora e dançarina Josephine Baker destacou-se, à data, pela ousadia das suas apresentações, sempre em trajes ousados.

Rosto Anos 20
Livre dos espartilhos, usados até ao final do século XIX, a mulher começou a ter mais liberdade e já se permitia mostrar as pernas, o colo e usar maquiagem. A boca era carmim, pintada de modo semelhante a um coração ou arco de cupido; os olhos eram bem realçados, as sobrancelhas tiradas e delineadas a lápis; a pele era branca, o que acentuava os tons escuros da maquiagem.

A silhueta dos anos 20 era tubular, com vestidos mais curtos, leves elegantes, geralmente em seda, deixando braços e costas à mostra, o que facilitava os movimentos exigentes e frenéticos das novas danças, de onde se destacava o Charleston.

Usualmente as meias eram em tons de beige, para sugerir a nudez das pernas. O chapéu, até então acessório obrigatório, ficou limitado ao uso diurno. O modelo mais popular era o "cloche", enterrado até aos olhos, que só podia ser usado com os cabelos curtíssimos, a "la garçonne", como era chamado.

A mulher era sensual e sem curvas, seios e quadris pequenos. A atenção estava toda voltada para os tornozelos. Em 1927, Jacques Doucet (1853-1929), figurinista francês, subiu as saias ao ponto de mostrar as ligas de renda das mulheres - um verdadeiro escândalo para os mais conservadores.
Esta foi a década da estilista Coco Chanel, com os seus cortes retos, capas , blazers, cardigãs, colares bonitos e compridos, boinas e cabelos curtos.

Durante toda a década Chanel lançou uma moda nova após outra, tornando-se numa das maiores criadoras de moda de todos os tempos. Outro estilista que igualmente marcou estes anos foi Jean Patou, com a sua linha "sportswear" dos famosos fatos de banho e toucas que inundaram as praias elegantes da época.

Os anos 20 foram a década do apogeu da "arte-déco", de Juan Miró e Pablo Picasso. Foram ainda a era das inovações tecnológicas, da eletricidade, da modernização das fábricas, do rádio e também do início do cinema sonoro.

Menu do Cotton Club

Dos clubes e salões de dança, o mais famoso foi o Cotton Club, que se tornou num ícone da época. Nas suas pistas dançava-se o Charleston, originário da estado norte-americano Carolina do Sul, ao som de uma orquestra formada exclusivamente por negros. Era frequentado por uma elite branca.

As mulheres agitavam os vestidos curtos, de cintura baixa e muitas franjas, ao som do Charleston, abanando os colares compridos de cristal e ondulando plumas e os leques. A suas mãos cruzavam-se e descruzavam-se sobre os joelhos, as pernas ora se encostavam ora se afastavam, seguindo um ritmo frenético. Num outro passo da dança, levantavam  as pernas e finalizavam com um agitar das mãos no ar, imitando pandeiros. 

O Charleston, com os seus frenéticos movimentos e integrado no Jazz da época em constante evolução, foi seguido pelo Black Bottom, Shimmy, Quickstep, que não passaram de variantes desta corrente musical e coreográfica.

Sobrevivendo ao logo do tempo, sabemos que o próprio Michael Jackson baseou a criação  do seu famoso passo "Moonwalk" nos movimentos do Charleston e seus congéneres.

Foi ainda e já no final desta década que surgiu o "Swing" e o atual Jive, novas modalidade do jazz, que viriam a atingir o seu apogeu nos anos 30, 40 e 50.

Mas toda a euforia dos "loucos anos 20" acabou no dia 29 de outubro de 1929, quando a Bolsa de Valores de Nova Iorque registou a maior queda da sua história. De um dia para o outro, os investidores perderam tudo, afetando toda a economia dos Estados Unidos e de todo o mundo, consequentemente.


Festa em Salão-Clube "Anos 20"

Aos "loucos anos 20" seguiram-se os anos da "Grande Depressão", marcados pelas falências, desemprego e pelo desespero...







sexta-feira, setembro 22, 2017

PELA NOITE, COM ALBERTO CAEIRO (Het. FERNANDO PESSOA): "QUANDO VIER A PRIMAVERA"



QUANDO VIER A PRIMAVERA


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma


Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.


Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.


ALBERTO CAEIRO
(het. Fernando Pessoa)



Imagem: Grafite de Sérgio Odeith ("Fernando Pessoa", dist. Lisboa)
Composição gráfica:





Voz: Pedro Lamares


IMAGEM DO DIA, COM VASCO GATO






ESTA NOITE A MÚSICA ANDA NO AR, COM NAT KING COLE: "BLUE MOON", "I WHISH YOU LOVE", "AUTUMN LEAVES".




Nat King Cole
Hoje, para a nossa primeira noite de Outono e como tal,"PRETO, BRANCO, E..." convidou o lendário e inesquecível cantor dos anos 50, NAT KING COLE, Nathaniel Adams Coles, para a preencher. 

NAT KING COLE foi também  o pai da cantora Natalie Cole e faleceu em 1965.O apelido de "King Cole" veio de uma popular cantiga de roda inglesa conhecida como "Old King Cole".

Não mais alguém celebrou o Outono como NAT KING COLE o fez, com a sua extraordinária voz plena de soul, nessa década dos anos 50, gloriosa no panorama da Música mundial.



BOA NOITE, AMIGOS!




segunda-feira, setembro 18, 2017

PARABÉNS, QUERIDA HARI TRINDADE!



MINHA PRAIA


Aqui na minha praia, o sol brilha com prazer,
alimentado a vida que há em mim,
trazendo calor para os dias meus.
Hoje ele aquece o frio de ontem,
faz eu querer mais e mais viver.

As ondas do meu mar estão tranquilas,
fecho os olhos para sentir a brisa
sussurrando em meus ouvidos,
que o amor está logo ali,
quase consigo visualiza-lo,
um pouco mais e posso toca-lo.

Ele espera por mim no virar da esquina,
ou atrás daquela pedra que a onda
acaricia com sua espuma.

Aqui na minha praia,
sinto outro coração bater dentro do meu,
fazendo circular toda emoção guardada
para juntos bater em um só ritmo.

No mesmo compasso,
sentindo o mesmo sol,
ouvindo a mesma brisa.
amando o mesmo amor.

HARI TRINDADE


Imagem – Internet


Hari Trindade
Hari Trindade, nascida em 1963, é Mãe, Amiga, Companheira… é MULHER.
A sua ideia de vida centra-se no conceito de que o amor está em todos e, assim, é para todos, de igual modo.
A autora escreve sobre o amor, suas ações e reações, em forma de poesia.
Como mulher, ela traz, às mulheres, palavras que confortam a alma, e alegram o coração de quem ama, ou espera o amor. Mas as suas palavras também se dirigem aos homens, pois também eles se podem rever em tudo o que ela escreve, com igual ênfase!
Publicou duas coletâneas em 2013, “Café com Verso” pela Futurama Editora, e “Mulheres Fascinantes”, pela Editora Delicatta.
Como fervorosa amante da poesia, Hari Trindade usa o papel e a tinta para transmitir o que sente, levando aos apaixonados, palavras de amor, como um bálsamo para alguns dos seus momentos!
A poetisa vive, em Florianópolis, no sul do Brasil.


Site:


quarta-feira, setembro 13, 2017

PELA NOITE, COM JOAQUIM PESSOA: "HOUVE UMA ILHA EM TI"




HOUVE UMA ILHA EM TI


Houve uma ilha em ti que eu conquistei.
Uma ilha num mar de solidão.
Tinha um nome a ilha onde morei.
Chamava-se essa ilha Coração.

Que saudades do tempo que passei.
Nenhum desses momentos foi em vão.
Do teu corpo, de ti, já nada sei.
Também não sei da ilha, não sei, não.

Só sei de mim, coberto de raízes.
Enterrei os momentos mais felizes.
Vivo agora na sombra a recordar.

A ilha que eu amei já não existe.
Agora amo o céu quando estou triste
por não saber do coração do mar.


JOAQUIM PESSOA,

in “Ano Comum”




OBRIGADA - "Preto, Branco, E..."



Ao ultrapassar as suas 200.000 visitas, "PRETO, BRANCO, E..." agradece a atenção, amizade e carinho que todos os seus amigos, seguidores e visitantes das diversas redes sociais continuam a testemulhar-lhe. Considerado um Blogue de Excelência e Moderador por uma das mais importantes rede de blogues "World Directory Blogspot", é atualmente visto em 73 países. Particularmente, não podia deixar de referenciar o grande amigo de sempre, Dr. João Catarino, ao qual  este blogue também deveu a sua existência.

 A amizade, retribui-se.

  OBRIGADA!
Dr. João Catarino.


“ O seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Não há razão para não seguir o seu coração.
Tudo se resume a tentar expor-se às melhores coisas que os seres humanos fizeram e, depois, tentar trazer essas coisas para o que você está a fazer.
Vamos inventar o amanhã e parar de nos preocupar com o passado.”

Steve Jobs





terça-feira, setembro 12, 2017

VIVER NO LIXO, E VIVER DO LIXO - Fabiana Silva, mais uma estória de encantar...






Fabiana Silva deixou de viver nas ruas de São Paulo para passar a viver das ruas da cidade brasileira.
Dos 38 anos que tem, 16 foram passados a céu aberto e esperança fechada pelo crack que a tornou dependente e vulnerável na maior cidade da América do Sul.

Hoje, os 400 quilos de lixo que consegue transportar no carrinho que arrasta a força de músculo são a evidência da força de vontade que a fez, como a milhares de brasileiros, viver do lixo que fica aquém da capacidade de recolha das estruturas camarárias.
 
Fabiana no dia da entrega dos diplomas na escola Coração de Jesus, São Paulo

“Temos de limpar o nosso planeta. Para os nossos futuros netos, os nossos filhos, os nossos tetra-netos. Por isso, sim, temos de limpar a cidade. Eu ando muito nela e vejo como está ficando suja”, responde quando lhe perguntam acerca do que faz e como vive.
Em casa, a limpeza continua e as crianças, uma de 14 anos outra de 8, são cuidadas com os cerca de 27 euros que ganha por dia, isto se Fabiana chegar ao máximo de lixo recolhido que pode vender para reciclar.

Hoje é um dia especial, com direito a maquilhagem e olhar cheio de orgulho. Fabiana voltou à escola que deixou com apenas sete anos para fugir a um padrasto abusivo e recolhe hoje não lixo, mas o diploma pelo qual se esforçou.
Fabiana já passou por muito, mas o sofrimento que testemunha apaga-se na esperança do futuro, quando talvez consiga ser médica veterinária:

“Estou muito feliz. é uma vitória para mim, minha mãe teve 12 filhos, 8 vivos e desses oito nenhum tem formação em nada, e eu estou no processo de me formar, começar a formação. Então, quem sabe depois de um tempo eu não vou para o Superior? Agora quero escrever um livro, a história da minha vida. O meu sonho é ganhar um dinheirinho para poder dar a entrada para comprar uma casinha e conseguir sair da favela do Moinho".



Fabiana continuará, como diria Caetano Veloso, a viver da dura poesia concreta das esquinas de São Paulo…




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