sábado, dezembro 13, 2014

JOSÉ LUÍS NUNES, FRANCISCO SOUSA TAVARES, JOSÉ PACHECO PEREIRA E BRUNO NOGUEIRA, CRITICAM SEVERAMENTE AS PRAXES...





Em cada ano letivo, este assunto das Praxes faz correr rios de tinta e um rol mais ou menos variado de opiniões. Algumas delas, seguem-se nos vídeos inseridos e no magnífico texto de José Pacheco Pereira:


A ESTUPIDEZ DA PRAXE

Rito de passagem? Mas que passagem? A única coisa que os estudantes transportam do liceu para a universidade é a sua carga de ignorância. A cultura juvenil revê-se num mundo de grosseria e ignorância Se existisse uma colecção de retratos do nosso atraso, a cena da praxe ocorrida em Macedo de Cavaleiros era um deles. Saliente-se, aliás, que é apenas uma cena entre muitas que se repetem por todo o país de Braga a Faro e que esporadicamente são noticiadas, quando há uns estudantes corajosos que as denunciam, ou quando o abuso é intolerável e provoca danos. 

Ninguém, muito menos o ministério, nem os responsáveis pelas escolas, pode alegar desconhecimento.Parece que entre as cenas habituais das praxes aos caloiros, a julgar pela de Macedo de Cavaleiros, existe a prática de pôr os rapazes e as raparigas a quatro, feitos asno, cabra ou carneiro, mais ou menos vestidos, mas, pelo menos neste caso, com a roupa interior por fora, a ter que dizer umas obscenidades e a responder a umas perguntinhas perversas. 

Conhecem-se mil e uma variantes, todas boçais, destas práticas.Desta vez, mais uma vez, a brincadeira correu torta, porque a rapariga seviciada resolveu e bem queixar-se. O mais espantoso foi ver alguns estudantes, dirigentes académicos locais, a justificar o que se tinha passado - provavelmente já tinham estado numa idêntica postura a quatro a fazer de carneiros a balir e gostaram da experiência - e a dividir o mundo entre os a favor da praxe e "antipraxe". Sugeriam que alguém poderia evitar as cenas de humilhação sado-eróticas, com que se entretêm, proclamando-se "antipraxe", o que teria a penalização de serem excluídos das "actividades académicas". Gostaria de saber se dinheiros das instituições universitárias, que vem dos nossos impostos, podem ser canalizados para grupos de estudantes que excluem das actividades financiadas que patrocinam os que se recusam a fazer tristes figuras de asno.Rito de passagem? Mas que passagem? Cada vez mais a única coisa que os estudantes transportam do liceu para a universidade é a sua carga de ignorância. A cultura juvenil revê-se no Quim Barreiros, nas peripécias futebolísticas e no Big Brother, num mundo de grosseria e ignorância em que ler alguma coisa mais do que os jornais desportivos ou a "Caras" é excepcionalíssimo. Aliás, a praxe e as claques futebolísticas partilham muita coisa em comum - a violência latente, o culto pela obscenidade, a demarcação clubística entre "nós" e "eles".Tenho para mim que um dos sinais de degradação do ensino universitário nos últimos anos foi a progressiva introdução da praxe. 

Subitamente, após uma sadia desaparição da praxe nos anos 70, começou-se de novo a ver rapazes e raparigas vestidos de uma imitação de padres de gravata, o chamado "traje académico". Em muitos sítios onde este nunca fora "tradição", inventaram-se novos "trajes", todos eles ridículos e um pouco à moda dos bobos da corte das imagens medievais. Só lhes faltava pôr uns sininhos para parecerem o "coringa" dos baralhos de cartas. A praxe acompanhou a progressiva perda de qualidade do ensino básico e secundário, a crescente diminuição da importância da leitura e da oralidade consistente no ensino, a substituição de critérios de exigência e qualidade pelo mito do ensino "sedutor", em que as crianças "bons selvagens" se tornavam "bons" e menos "selvagens", por uma escola amável e onde não era preciso o esforço. 

A praxe mostra que um dos resultados finais da ideia da escola "soft", das pedagogias não directivas, foi mais o despertar do "selvagem" do que do "bom", para desgosto de Rosseau.A praxe estudantil foi sempre uma marca da mais provinciana universidade portuguesa - Coimbra -e dificilmente se implantou nas universidades de Lisboa e Porto, onde a população estudantil vivia em verdadeiras cidades, com vida própria fora do fechado mundo estudantil. Em Coimbra, uma cidade em grande parte dependente dos estudantes, dominada pela universidade, povoada por uma multidão de gente vinda do interior que aí habitava, vivendo em quartos e casas alugadas, o mundo do Palito Métrico floresceu. Os estudantes praxistas eram activos participantes da boémia da cidade e cultivavam uma cultura de estúrdia e do vinho, sob a suprema autoridade do estudante mais cábula, o "dux veteranorum", que obtinha o lugar na exacta proporção ao número de chumbos que tinha nos exames e aos anos que demorava a acabar o curso. 

A crise de 1969 provocou uma rara união entre os praxistas e os estudantes mais politizados, com o "dux" a apoiar a greve e com a suspensão da praxe pelo "luto académico". Este acto acabou por muitos anos com a praxe em Coimbra e varreu-a das universidades onde era claramente uma importação e uma imitação - Lisboa e Porto. No Porto, tenho no meu currículo de dirigente estudantil ter ajudado activamente a acabar com a ridícula parafernália dos "grelados" e "fitados", com as cartolas e penduricalhos que passeavam pela cidade durante a Queima das Fitas. Fui igualmente o autor anónimo, por razões óbvias, de um escrito com umas teses contra a Queima que circulou abundantemente nas três cidades universitárias. Nele, contrariamente ao que faziam os estudantes do PCP - que aceitavam a praxe, apenas achavam que ela devia ser suspensa por razões de "luto académico" -, combatia a praxe pela mundividência cultural que lhe estava associada, pelo seu conteúdo machista e marialva, pelo seu reaccionarismo estético, pela sua infantilização dos estudantes como seres irresponsáveis, que só serviam para brincadeiras de mau gosto. A Queima era então no Porto uma sucessão de "saraus", entremeados de "rallies", touradas, bênçãos, bailes, culminando num cortejo de carros e piadas que não tinham graça nenhuma e deixavam um rasto de gente bêbada por toda a cidade. Há poucos anos tive ocasião de observar o mesmo espectáculo decadente em Coimbra, só que o vinho tinto era substituído por "shots" e cerveja, não encontrando praticamente um estudante que estivesse sóbrio no dia do fim da Queima. 

Os hábitos da praxe que hoje são um anacronismo insensato remetem para um mundo corporativo medieval, para uma época em que as universidades tinham regimento e polícia e em que os estudantes se defendiam da autoridade dos "lentes", construindo um mundo de regras autónomas que reproduziam, aliás, o ambiente igualmente claustrofóbico da universidade "séria". Mas Coimbra nunca foi Heidelberg e o ambiente fechado, que páginas e páginas de sátira e de crítica já tinham denunciado, pela pena dos escritores século XIX e XX, não favorecia a liberdade de espírito, nem qualquer irreverência. Hoje no século XXI, a praxe é um traço anacrónico que puxa Portugal para um passado de que, mais que tudo, as universidades o deviam libertar.

JOSÉ PACHECO PEREIRA 




IMAGEM DO DIA, COM PEDRO CHAGAS FREITAS








segunda-feira, dezembro 08, 2014

UM POUCO DE "PROMETO FALHAR", DE PEDRO CHAGAS FREITAS...





Fiz ontem as contas e foram mais de trinta mil os dias em que adormecemos e acordámos juntos, na cama onde agora te escrevo e de onde espero sair para ir de novo até ti. 

Trinta mil dias a olhar-te dormir, a saber o frio ou o calor do teu corpo, a perceber o que te doía por dentro, a amar cada ruga a mais que ia aparecendo. 

Trinta mil dias de eu e tu, desta casa que um dia dissemos que seria a nossa (que será de uma casa que nos conhece tão bem quando já aqui não estivermos para a ocupar?), das dificuldades e dos anseios, dos nossos meninos a correr pelo corredor, da saudade de nos sabermos sempre a caminho de sermos só nós. 

Trinta mil dias em que tudo mudou e nada nos mudou, das tuas lágrimas tão bonitas e tão tristes, das poucas vezes em que a vida nos obrigou a separar (e bastava uma tarde longe de ti para nem a casa nem a vida continuarem iguais). 

Trinta mil dias, minha velha resmungona e adorável. Eu e tu e o mundo, e todos os velhos que um dia conhecemos já se foram com a velhice. Nós ainda aqui estamos, trinta mil dias depois, juntos como sempre. Juntos para sempre. 

Trinta mil dias em que desaprendi tanta coisa, meu amor. 


Menos a amar-te.



Pedro Chagas Freitas,
in "Prometo Falhar"



HÁ SEMPRE MAIS UM CONTO DE NATAL...- Lenda da Flor de Natal (Poinsétia)











A Poinsétia, também conhecida como a  flor de natal ou estrela-do-natal, é uma planta muito utlizada para fins decorativos, especialmente nesta época do Natal, devido à sua cor vermelha.

Terá sido talvez a partir do século XVII que a planta começa a ter um significado natalício, quando frades franciscanos começaram a utilizá-la numa procissão desta quadra, designada por “Festa de Santa Pesebre”. As brácteas vermelhas começaram a ser associadas simbolicamente, pela sua forma, à estrela de Belém.


O seu nome poinsétia (poinsettia, em inglês), deriva do nome de Joel Roberts Poinsett, que foi o primeiro embaixador dos Estados Unidos no México. Impressionado pelas cores das brácteas, Poinsett enviou alguns exemplares em 1829 para a estufa de sua casa, onde se desenvolveram com facilidade.

Originária do México e América do Norte, é todavia a lenda mexicana acerca desta planta que se tornou a mais popular.

Conta que uma menina de nome Pepita, não sabendo o que oferecer ao Menino Jesus na missa do Natal, expôs assim o seu problema ao seu primo Pedro. Seu companheiro no caminho para a Igreja, Pedro consola Pepita, e diz-lhe que aos olhos de Deus, não importa o valor da oferta,  e que o que interessa é a intenção desta. Entretanto, Pepita vai colhendo plantas no caminho, como um último recurso…


Quando chega à Igreja, vê a pobreza da sua oferta e chora… mas mesmo assim oferece as plantas. Então. perante o espanto de toda a congregação reunida no templo, as folhas dos ramos tingiram-se de uma cor brilhante e vermelha transformando  o seu simples e humilde presente em algo lindo e impressionante. Logo o povo local considerou isso um milagre e mensagem de Jesus.

Desde então a planta nasce espontaneamente na região, as flores de natal, irrompem do chão molhado, pelas lágrimas puras e inocentes derramadas pela menina Pepita.




PELA NOITE, COM MARIA TERESA HORTA: "SEGREDO"






SEGREDO



Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar




MARIA TERESA HORTA
in “Poesia Completa”






HOJE, UMA VEZ MAIS, CELEBRAMOS A IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM MARIA, PADROEIRA DE PORTUGAL- Dia 8 De Dezembro de 2014







A Imaculada Conceição é segundo o dogma católico, a concepção da Virgem Maria sem mancha (do latim "macula"). O dogma diz que, desde o primeiro instante da sua existência, a Virgem Maria foi preservada por Deus, da falta da graça santificante que aflige a humanidade, porque ela estava cheia da graça divina. Também professa que a Virgem Maria viveu uma vida completamente livre de pecado.
Papa Pio IX

A festa da Imaculada Conceição, comemorada em 8 de dezembro, foi definida como uma festa universal em 1476, pelo Papa Sisto IV.
Em 8 de Dezembro de 1854, a Imaculada Conceição foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX, na sua bula "Ineffabilis Deus" e em 31 de Março de 1876, Pio IX enriqueceu ainda este dogma com 300 dias de indulgência cada vez que recitado.

A Igreja Católica considera que o dogma é apoiado pela Bíblia, bem como pelos Padres da Igreja, como Irineu de Lyon e Ambrósio de Milão. Uma vez que Jesus encarnou no ventre da Virgem Maria, era necessário que ela estivesse completamente livre de pecado para poder gerar o seu filho.

Em Portugal, deve-se ao rei D. João IV o facto de Nossa Senhora da Conceição ter sido proclamada padroeira de Portugal, por proposta sua. Durante as Cortes reunidas em Lisboa desde 28 de Dezembro de 1645 até 16 de Março de 1646, o rei afirmou "que a Virgem Maria foi concebida sem pecado original" e comprometeu-se a doar, em seu nome, em nome de seu filho e dos seus sucessores, à Santa Casa da Conceição, em Vila Viçosa, "cinquenta cruzados de ouro em  cada ano", como sinal de tributo e vassalagem.

O acto da proclamação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira de Portugal, efectuado pelo monarca com a maior solenidade em 25 de Março de 1646, alargou-se a todo o país, com o povo, à noite, a entoar cânticos de júbilo pelas ruas, para celebrar a Conceição Imaculada da Virgem, ou mais precisamente a Maternidade Divina de Maria.
Rei D.João IV de Portugal

Assim, Nossa Senhora tornou-se a verdadeira soberana de Portugal, não voltando, por isso, desde esta altura, nenhum dos nossos reis a ostentar a coroa, direito que passou a pertencer apenas à Excelsa  Rainha, Mãe de Deus.

Em 1648 D. João IV manda cunhar moedas de ouro e de prata, tendo numa das faces a imagem da Imaculada Conceição com a legenda "Tutelaris Regni" - Padroeira do Reino. Em 1654, ordena que sejam postas em todas as portas e entradas das cidades, vilas e lugares do reino, pedras lavradas com uma inscrição alusiva à Imaculada Conceição. Algumas destas lápides ainda continuam a existir em alguns locais.

Outros reis, seus sucessores, continuaram a tradição deste culto de homenagem a Nossa Senhora, como D. João V que, em 1917, recomendou a a todas as igrejas a celebração anual com pompa e solenidade da Festa da Imaculada Conceição, enquanto D. João VI emite um decreto criando a Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e a Cabeça da Ordem (lugar principal) na sua Sua Real Capela.

D. Luís I oficializa, em 1854, a bula "Ineffabilis Deus" do Papa Pio IX, e um ano mais tarde comemora este facto com solenes festividades, assinalando assim o primeiro ano da comunicação ao Mundo da Definição do Dogma.

Feriado nacional e dia santo de guarda, a data de 8 de Dezembro constitui-se como um dia de festa religiosa.  Durante muitos anos foi associada à celebração mundial do Dia da Mãe, actualmente comemorado no primeiro domingo do mês de Maio.

 
Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Vila Viçosa


Saudemos Maria, neste Seu Dia. A ela entreguei os meus filhos.






segunda-feira, dezembro 01, 2014

IMAGEM DO DIA, COM PABLO NERUDA










HOJE RECORDAMOS O 1 DE DEZEMBRO DE 1640, DIA EM QUE PORTUGAL RESTAUROU A SUA INDEPENDÊNCIA






Poucos momentos antes das nove horas do glorioso dia 1 de Dezembro, quando João
Pinto Ribeiro, acompanhado de outros conjurados, se encaminhava para o Terreiro do
Paço, houve alguém que perguntou:
— Aonde vão?
João Pinto Ribeiro, sorrindo, respondeu:
— Não se altere. Chegamos ali abaixo à sala real, e é um instante enquanto tiramos um rei e pomos outro.

(in site salazar.org,) 




O PRÉMIO SAKHAROV 2014 FOI ATRIBUÍDO AO MÉDICO DR. DENIS MUKWEGE, DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO








O ginecologista congolês  Dr. Denis Mukwege foi o vencedor do Prémio Sakharov 2014, galardão instituído pelo Parlamento Europeu, que premeia a liberdade de pensamento e a defesa dos direitos humanos, ao ginecologista congolês Denis Mukwege, especializado no tratamento de mulheres vítimas de violência em África.

Especializado no tratamento de vítimas de violações na República Democrática do Congo, o médico foi escolhido pelos líderes dos grupos políticos presentes no Parlamento Europeu e pelo presidente da instituição.


Os outros candidatos finalistas foram o movimento ativista ucraniano Euromaidan e a defensora dos direitos humanos azeri Leyla Yunus.

Denis Mukwege foi alvo de uma tentativa de homicídio em outubro de 2012 e fundou um hospital para cuidar das mulheres vítimas de violação.

Num mundo dominado por vários conflitos armados, a violação é considerada uma arma de guerra, mas coube a Mukwege ajudar as vítimas do seu próprio país. 

Em 1998, o médico fundou o Hospital Panzi, em Bukavu, numa altura em que a República Democrática do Congo era assolada por uma guerra. E é por lá que ainda hoje trata vítimas de violência sexual.

Os números ajudam a entender a obra de Mukwege: em maio de 2011, o American Journal of Public Health dizia que pelo menos 1,100 mulheres eram agredidas sexualmente por dia na RDC e, ao todo, Mukwege terá tratado mais de 30 mil mulheres.

A guerra naquele país pode estar oficialmente terminada, mas o conflito armado permanece real na parte leste do país, com ataques contra civis e violações em gang – o espanhol ABC fala em mais 5 milhões de mortos desde 1998. 

Apesar de deslocar-se com frequência para o estrangeiro com o intuito de promover os direitos das mulheres, Mukwege continua a realizar operações dois dias por semana.









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