quarta-feira, setembro 14, 2011

DANNY KAYE (1913-1987) - Grandes Cómicos dos Últimos 100 Anos do Universo Cinematográfico (Parte V e Última)







"Tornei-me um artista, não porque quis, 
mas porque devia"



Com esta quinta publicação sobre "Os Grandes Cómicos dos Últimos 100 Anos do Universo Cinematográfico", completo esta série de cinco mensagens, para breve partir para outros formatos e novos conteúdos. Assim, e como publicação final, dedico-a a Danny Kaye, não só pelo artista que ele sempre encarnou, mas porque  é dele que conservo as mais remotas imagens, dos seus personagens, que povoaram o meu imaginário infantil. Nunca esquecerei a sua interpretação em "O Homem das Sete Vidas", o seu primeiro filme a que assisti...
Cartaz da Revista "Chapéu de Palha"

Ele foi sobretudo o homem do "Technicolor", da alegria, da cor, e também por isso o escolhi para alegrar esta época cinzenta que atravessamos, com as suas deliciosas imagens das décadas douradas de Hollywood, que tantas saudades deixaram. Pelo menos, sonhar é fácil e ainda não custa dinheiro...

Um dos maiores artistas americanos do século XX, Danny Kaye, de nome David Daniel Kaminsky, nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, a 18 de janeiro de 1913, e morreu em Los Angeles, a 3 de março de 1987. 
Senhor de uma gama única de talentos, de dança e música popular, sotaques engraçados e representação, partia da interpretação da música clássica até ao boneco com cara de palhaço. Foi um dos raros comediantes que tinha o poder de, tão depressa fazer explodir de riso uma plateia, com um simples caminhar como provou, em várias das suas interpretações, que também sabia provocar facilmente as lágrimas desta mesma plateia.

Em 1910 os seus pais e os irmãos mais velhos emigraram da Ucrânia para os Estados Unidos, onde Danny Kaye nasceu três anos depois.
Cena do filme "O Bobo da Corte"

Conhecido como "Duvidellleh" pela família, frequentou escolas públicas em East New York, mas nunca adquiriu qualquer formação e aos treze anos decidiu ir trabalhar numa estação de rádio. Mais tarde tentou uma participação num negócio do Cinturão Borscht no Catskills. Aos vinte anos concorreu a uma audiência de dança, mas logo se percebeu durante a atuação que, depois de ter perdido o equilíbrio, de forma hilariante, um grande comediante a "solo" acabava de nascer.
Cartaz do filme "Hans Christian Andersen"

Em meados de 1930, Danny Kaye já fazia filmes de curta duração (Moon over Manhattan 1935, Centavo de Uma Dança 1937, com Imogene Coca e June Allyson). Fez a sua primeira aparição na Broadway em 1939 na revista "O Chapéu de Palha", atingindo já a fama coma sua participação em "Lady in the Dark". Entretanto, casou-se  com uma antiga companheira de escola, Sylvia Fine, em 1940. Pianista de ensaio, Sylvie veio a tornar-se uma letrista famosa, ganhando dois Óscares pelas letras de " A Lua é Azul" e "Cinco Centavos", ambos os filmes estrelados pelo seu marido. Dele teve uma filha e para ele escreveu grande parte do seu material, durante 47 anos que durou o casamento, terminado com a morte de Danny.

Danny Kaye teve um caso prolongado com Eve Arden em 1940, e correram fortes rumores de uma ligação de 10 anos com Sir Laurence Olivier. Mas Danny negou sempre ser bissexual. Todavia, na biografia de Vivian Leigh, à data casada com Olivier, é descrita esta relação como a causa do colapso que ocasionou a morte da atriz. Mais tarde, isto foi largamente desmentido por alguns biógrafos.
Cena do filme "White Christmas"

Durante os anos da Segunda Guerra Mundial, Dany Kaye realizou espetáculos em clubes noturnos e na Broadway, angariando dinheiro para apoiar as tropas em combate. Fez a sua estreia no cinema na comédia "Up in the Arms" de Samuel Goldwin, em Technicolor. Goldwin, descontente com a aparência judia de de Danny, praticamente impos-lhe que modificasse o nariz, para conservar o emprego. Danny Kaye recusou, mas acedeu ao compromisso de tornar o seu cabelo escuro numa cor que facilmente brilhasse com o vermelho do néon. E assim permaneceu, ruivo, até que ficou gradualmente branco aos setenta anos.
Cartaz do show de Danny Kaye

Danny Kaye foi sempre um sucesso de bilheteira. Destacam-se, entre outros as longas metragens "O Nascimento de Uma Estrela" (1945) e sete novos filmes em cinco anos, dos quais " A vida secreta de Walter Mitty" (1947), e o "Inspetor Geral" (1949). Dos anos 50 viu o lançamento de mais doze, dos quais se destacam "O Bobo da Corte" (de 1955 e talvez a sua interpretação mais marcante), White Christmas (1954) e "Cinco Centimos" (1959), ganhador de um Óscar, e sobre o pioneiro do jazz, Red Nichols.

Com o desvanecimento da sua carreira, soube manter-se ativo, apresentando o seu próprio show de variedades na televisão, que lhe valeu um Emmy, e participou do The Muppet Show, The Twilight Zone e outros. Além dos seus muitos hobbies e paixões (música clássica, baseball, culinária chinesa, aviação e medicina), Danny Kaye envolveu-se profundamente na angariação de fundos para instituições de caridade, particularmente com a UNICEF, o que lhe valeu a nomeação de Embaixador da Boa Vontade, por parte desta organização. Em 1954 ganhou um Óscar especial, e em 1981 o Prémio Humanitário Jean Hersholt, pelas suas ações humanitárias e de caridade.
Túmulo de Danny Kaye no Cemitério Kensico em Valhalla, N. Y.

Morreu em 1987, em Los Angeles, vítima de hepatite e hemorragias internas, resultantes de uma transfusão de sangue contaminado, ministrado durante uma cirurgia de um bypass, feita quatro anos antes.

Permanece enterrado no Cemitério Kensico em Valhalla, Nova Iorque, onde o banco sobre a sua sepultura está decorado com os símbolos das coisas que ele mais amava: um morcego, beisebol e luva, um avião, um piano e as insígnias das Nações Unidas.

Danny Kaye tem o seu nome inscrito em 3 estrelas no Passeio da Fama de Hollywood.







2 comentários:

peonia disse...

Que memórias da infância vêm associadas a Danny Kaye! Obrigada por estas notas biográficas de um Artista que nunca será esquecido nos registos da história do cinema. Abraço.

Maria Haydée Nogueira disse...

Confesso, Peonia, que quando publiquei esta mensagem me lembrei de si, que tanto gosta de atores bonitos e estes são-no,sem dúvida!
Década de ouro, a nunca esquecer..
Beijinhos e obrigada pelo comentário.

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