quarta-feira, junho 14, 2017

PELA TARDE, COM JOÃO MORGADO: "GAIA DEUSA-TERRA PARIDEIRA"




GAIA DEUSA-TERRA PARIDEIRA


Era uma vez... e era uma vez primeira.
E era uma vez ninguém, mas que se fez parideira.
E passou a ser alguém. E era uma vez uma mãe.
E era uma vez uma deusa.
Não porque era deusa, mas porque era mãe.
E era uma vez o céu também, a cobrir a terra inteira.
E era uma vez a deusa-mãe a tirar filhos da algibeira.
E era uma vez muitos filhos de uma só mãe.
Alguns eram filhos dos filhos e eram filhos também.


E no útero de uma mãe cabe
a profundidade do mar e a altivez da montanha.
E por vezes cabe a dor tamanha
de gerar toda uma guerra de titãs.
Porque nem todos os filhos são manhãs,
e às vezes, quantas vezes, são revezes e escuridão,
porque se uns são filhos, os outros filhos são,
mas uns nascem na luz e outros não.


E por vezes, por vezes é preciso dar tempo ao tempo
para que a terra do céu seja decepada,
porque o útero que gera o amor também gera a espada.


E por vezes, quantas vezes, sabemos bem,
serem os filhos os carrascos de sua mãe.
e a morte será a filha derradeira,
da deusa-mãe, terra-parideira.



JOÃO MORGADO,
"Arte poesia", pág.113, 
Ed:"Edições Oz", 2015




segunda-feira, junho 12, 2017

PELA NOITE, COM MANUEL ALEGRE: "UMA FLOR DE VERDE PINHO"



UMA FLOR DE VERDE PINHO


Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarra nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.


Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.
  

MANUEL ALEGRE





PORQUE AMANHÃ É DIA DE SANTO ANTÓNIO...FERNANDO PESSOA.




SANTO ANTÓNIO


Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!

Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Adiante ... Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.

Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma ardente e ansiosa,
Etcetera...
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra coisa.

Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos.
Chama-se a isto ser doutor
Ou investigador.

Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.

Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não concertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o Diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.

Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza,
Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza,
O amante a quem ama,
E o faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto: é teu amigo,
Ó eterno rapaz.

(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi o Papa? ...
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo! O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.

És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas, ou não coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arraste
Na nora de uns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história,
Que foste tu, ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.
És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.

És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.
Sê sempre assim, nosso pagão encanto,

Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.
Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim.
Porque demónio
É que foram pregar contigo em santo?


FERNANDO PESSOA


À MANEIRA DE MARCELO REBELO DE SOUSA, PODERÁ SER ESTE O RETRATO OFICIAL DO NOSSO PRESIDENTE DA REPÚBLICA




“Marcelo R. Sousa – Presidente de um povo é ser povo”-António Bessa


A obra tem 1 metro e 40 centímetros de altura por um metro de largura. No centro de uma tela pintada a óleo, que demorou cerca de dois meses a executar, está Marcelo Rebelo de Sousa sentado numa escada “exatamente como ele é, informal e com ar sorridente”, descrito pelo próprio pintor da mesma, António Bessa.

António Bessa

Por baixo, num quadro de lousa, lê-se “Marcelo R. Sousa – Presidente de um povo é ser povo”. Em frente, um enorme de vidro faz a ponte entre a galeria e o atelier do mestre António Bessa e uma das ruas mais movimentadas do coração da cidade do Porto.

É no número 314 da rua do Almada que “mora” este quadro, o quadro que Marcelo Rebelo de Sousa, quando esteve de visita a Porto para presidir às comemorações do passado dia 10 de Junho, assinalou como possível escolha para o representar no fim do mandato, colocando-o na galeria de retratos do Museu da Presidência da República.

“As pessoas ficam especadas a olhar através da montra, pedem para entrar e abraçam-me. Algumas delas vieram uma vez e voltaram mais tarde para ver a evolução da obra”, contou António Bessa que se instalou no número 314 da Almada há cinco anos, mas já faz parte do cenário desta rua há mais de 30.

António Bessa, 63 anos, pintor “desde que se conhece por gente”, decidiu pintar Marcelo Rebelo de Sousa quando há um ano se cruzou com o chefe de Estado num jardim da Foz do Porto e este lhe deu um abraço.

António Bessa pintou o “presidente dos afetos” de frente “para o povo” e “com as pessoas a apreciar ao passar na rua”. Usou duas fotografias para se inspirar. Preferiu o “presidente sorridente ao presidente com ar pensativo” e à medida que executava a obra, as pessoas interagiam consigo exatamente dando-lhe abraços.

O chefe de Estado visitou a galeria no meio de uma agenda “muito atrapalhada”, segundo palavras do pintor António Bessa, que recebeu Marcelo Rebelo de Sousa cerca das 13:30 horas, depois deste ter “disparado rua acima” alertado por “uma senhora que passava por ele e lhe contou que um tal mestre “assim assim” tinha um retrato dele na montra.

“Ele chegou com os seguranças todos atrás, entrou com a Guarda Civil e a assessoria toda, surpreendeu-se com o quadro e surpreendeu-me a mim. Disse-me que gostava que este fosse o seu retrato oficial e perguntou aos assessores como o poderia levar. Eu sugeri: “Ó presidente, se quiser eu levo-lho a casa”. E ele convidou-me a ir a Lisboa: “Traga-mo até ao final do mês”.  Fiquei sem fala: “Meu Presidente, isso é uma maravilha. Fica combinado”, respondi-lhe.

"Três Cidades- Quatro presidentes"- António Bessa

“Agora ele queria comprar-me o quadro, mas eu prometi retratá-lo porque senti aquele abraço como um abraço vindo do povo. Este presidente é um fenómeno”, descreveu o pintor que, questionado sobre quais as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa ao visitar a galeria, contou ter ouvido do Presidente da República a frase: “Este quadro é de todos os quadros que me pintaram, o mais fiel”.

O desejo de estar visível e de interagir com o público já o fez pintar um olho na caixa de correio de um dos seus ateliers antigos, convidando quem passa a espreitar o seu trabalho que inclui retratos de quatro outros presidentes, o da câmara do Porto, Rui Moreira, de Guilherme Pinto, o presidente da câmara de Matosinhos que morreu este ano, do presidente da Câmara de Arouca, José Artur Neves, e do presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa.

São retratos que fazem parte da sua mais recente exposição “Três cidades e quatro presidentes” que junta aos quatro “quadros presidenciais”, telas sobre três cidades – o Porto do seu coração, Matosinhos, onde reside, e Arouca de onde é a sua esposa – num total de 16 obras.

E foi o próprio Jorge Nuno Pinto da Costa, Presidente do FC Porto, quem inaugurou esta exposição, cujo espólio retrata a vida do mestre António Bessa. A mostra é constituída por 16 obras que estiveram patentes até ao dia 8 do passado mês de maio.




(Fonte:Expresso)


sábado, junho 10, 2017

DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES, DAS COMUNIDADES E TAMBÉM DO SANTO ANJO DA GUARDA DE PORTUGAL 2017 - 10 de Junho de 2017




O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, 10 de junho, é o dia feriado nacional em que se assinala a morte de Luís Vaz de Camões em 1580, sendo também este o dia também dedicado ao Santo Anjo da Guarda de Portugal, protetor do país.

Santo Anjo da Guarda de Portugal
Durante o Estado Novo, de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974, foi celebrado como o Dia da Raça: a raça portuguesa ou os portugueses. Luís de Camões representava o génio da pátria na sua dimensão mais esplendorosa, significado que os republicanos atribuíam ao 10 de Junho, apesar de nos primeiros anos da república ser um feriado exclusivamente municipal.

Com o 10 de Junho, os republicanos de Lisboa tentaram invocar a glória das comemorações camonianas de 1880, uma das primeiras manifestações das massas republicanas em plena monarquia.

O 10 de Junho começou a ser particularmente exaltado com o Estado Novo, o regime instituído em Portugal em 1933 sob a direção de António de Oliveira Salazar. Foi a partir desta época que o dia de Camões passou a ser festejado a nível nacional. A generalização dessas comemorações deveu-se bastante à cobertura dos meios de comunicação social.

Até ao 25 de Abril de 1974, o 10 de Junho foi conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça, este último epíteto criado por Salazar na inauguração do Estádio Nacional do Jamor em 1944.  A partir de 1963, o 10 de Junho tornou-se numa homenagem às Forças Armadas Portuguesas, numa exaltação da guerra e do poder colonial.

Com uma filosofia diferente, a Terceira República converteu-o no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em 1978. Desde o ano 2013 a comunidade autónoma da Extremadura espanhola festeja também este dia.

Presidente da República na cidade do Porto

A devoção ao Anjo da Guarda de Portugal, igualmente hoje celebrado, é ignorada por muitas pessoas. Todavia ela partilha oficialmente as celebrações deste Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e também do Santo Anjo de Portugal.

Esta devoção surgiu de um pedido do rei D. Manuel I de Portugal. Foi o Papa Júlio II que, em 1504, instituiu a festa do «Anjo Custódio do Reino» cujo culto já seria antigo em Portugal. O pedido terá sido feito ao papa Leão X e este autorizou a sua realização no terceiro Domingo de Julho.

A sua devoção quase desapareceu depois do séc. XVII, mas foi restaurada mais tarde por Pio XII , em 1952, quando mandou inserir esta devoção no Calendário Litúrgico português, conjuntamente com as comemorações do Dia de Portugal a 10 de junho.
Foi invocada pela primeira vez na Batalha de Ourique, e a mesma deu uma tal vitória às forças de D. Afonso Henriques sobre os invasores muçulmanos, que proporcionou a D. Afonso Henriques o facto de se autoproclamar Rei de Portugal.

Nas suas Memórias, a Irmã Lúcia deixou escrito que, entre Abril e outubro de 1916, nas Aparições de Fátima, teria já aparecido um anjo aos três pastorinhos, por três vezes, duas na Loca do Cabeço e outra junto ao poço do quintal da sua casa em Fátima (Ourém), convidando-os à oração e penitência, e afirmando ser o "Anjo de Portugal".

Este ano, as comemorações do dia 10 de Junho foram, pela primeira vez na história, divididas entre dois países, mas sempre junto dos portugueses. Marcelo Rebelo de Sousa quis desta forma estar mais próximo dos cidadãos lusos e mostrar que a diáspora nacional não é esquecida, considerando “estranho” que “nunca ninguém tenha pensado” que estas cerimónias fazem sentido desta forma. Acrescentou ainda  que “não será uma vez sem sequência”, já que “pelo menos de dois em dois anos, o que significa três vezes no decurso do mandato de cinco anos, haverá celebrações desta natureza junto das comunidades portuguesas”.

Presidente Marcelo Rebelo de Sousa na "Associação Somos Nós"

A primeira parte das celebrações oficiais deste dia foi passada, nesta quinta-feira, pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa na cidade do Porto. Ao contrário do que estava previsto na agenda, o Presidente percorreu a pé as ruas da cidade invicta e em tudo o que fez foi seguido por centenas de pessoas. 

Sentou-se aos comandos de um avião da Força Aérea, brindou com um cálice de vinho do Porto, tirou selfies e engraxou os sapatos. 
Depois do almoçar no Palácio da Bolsa, Marcelo inaugurou a exposição que assinala os 500 anos do Foral Manuelino do Porto. Pelo caminho ainda escolheu o "retrato oficial" que deverá representá-lo no fim do mandato, oferecido pelo pintor local António Bessa.
Na associação Somos Nós, dedicada a jovens com deficiência, jogou matraquilhos, plantou uma árvore e provou bolinhos de laranja, entre beijos e abraços.

”Marcelo, Marcelo, Marcelo” foi o nome que gritou a multidão que se acotovelou ao longo da Avenida dos Aliados.

Após o ato protocolar do içar da bandeira e do hino nacional, executado pela banda da Força Aérea, o Presidente da República passou revista a várias tendas e a um pequeno arsenal de todos os ramos da Força Aérea, enquanto a multidão entoou em alta voz “Marcelo, Marcelo, Marcelo”. Foi a euforia do costume perante o espanto dos turistas que não pararam de questionar quem seria.

As celebrações tiveram no Porto a cerimónia militar.


Após estas, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro António Costa voaram para o Brasil para a segunda parte das comemorações do Dia de Portugal, em São Paulo e Rio de Janeiro. Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa chegam juntos ao Brasil para a segunda parte das comemorações, terminadas as quais, ao fim da tarde, no Rio de Janeiro, o Presidente da República regressará a Portugal, enquanto o primeiro-ministro iniciará visitas oficiais à Argentina e Chile.

É um Presidente da República Portuguesa à maneira.
Mais nada.


(Fontes: Lusa, Expresso)



quarta-feira, junho 07, 2017

À NOITINHA, COM A POETISA HARI TRINDADE: "FOI POR TI"



FOI POR TI


Foi por ti,
que caminhei ao longo do tempo,
pela tua verdade, tropeçando as vezes,
caindo por outras.
Levantei-me em cada queda,
abraçando o vazio, beijando saudades.

Foi por ti,
que andei perdida,
para ser encontrada, nas linhas profundas
do pensamento e desejo.
Busquei-me em ti,
em cada sorriso, de bocas desencontradas,
descobrindo dores, curando as feridas.

Foi por ti,
que joguei o jogo do mundo,
nem sempre vencendo, nas peças
que ele pregou.
Desafiei-me a não mais perder,
pelas distrações dos momentos,
em que não estavas.

Foi por ti,
que não desisti do árduo fardo,
de cruzar fronteiras, para a espera do achado.
Reencontrei-me na luta, do adiamento,
amando cada dia, sentido cada momento,
para ver-te chegar.

Foi por ti, é por ti
que vivo

- Amor!

HARI TRINDADE



Hari Trindade
Hari Trindade, nascida em 1963, é Mãe, Amiga, Companheira… é MULHER.
A sua ideia de vida centra-se no conceito de que o amor está em todos e, assim, é para todos, de igual modo.
A autora escreve sobre o amor, suas ações e reações, em forma de poesia.
Como mulher, ela traz, às mulheres, palavras que confortam a alma, e alegram o coração de quem ama, ou espera o amor. Mas as suas palavras também se dirigem aos homens, pois também eles se podem rever em tudo o que ela escreve, com igual ênfase!
Publicou duas coletâneas em 2013, “Café com Verso” pela Futurama Editora, e “Mulheres Fascinantes”, pela Editora Delicatta.
Como fervorosa amante da poesia, Hari Trindade usa o papel e a tinta para transmitir o que sente, levando aos apaixonados, palavras de amor, como um bálsamo para alguns dos seus momentos!

IMAGEM DO DIA, COM ANTÓNIO LOBO ANTUNES





PELA NOITE, COM MIA COUTO: "SAUDADE"



SAUDADE


Que saudade
tenho de nascer.
Nostalgia
de esperar por um nome
como quem volta
à casa que nunca ninguém habitou.
Não precisas da vida, poeta.
Assim falava a avó.
Deus vive por nós, sentenciava.
E regressava às orações.
A casa voltava
ao ventre do silêncio
e dava vontade de nascer.
Que saudade
tenho de Deus.


MIA COUTO,
in “Tradutor de Chuvas”


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...