quarta-feira, fevereiro 11, 2015

IMAGEM DO DIA, COM PATRICK MODIANO







PELA NOITE, RECORDANDO VINICIUS: " PELA LUZ DOS OLHOS TEUS"







PELA LUZ DOS OLHOS TEUS


Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.



VINICIUS DE MORAIS








segunda-feira, fevereiro 09, 2015

ESTE CRISTO, QUE DE LISBOA ABENÇOA PORTUGAL...- Monumento a Cristo Rei (Lisboa)






A ideia da construção do Monumento a Cristo Rei surgiu em 1934, quando de uma visita ao Brasil do então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira. Ao passar pelo Rio de Janeiro, viu a imponente imagem de Cristo Redentor do Corcovado e logo no seu coração nasceu o desejo de construir semelhante obra em frente a Lisboa. Em 1936, a ideia de construir o Monumento a Cristo Rei foi transmitida ao “Apostolado de Oração”, que a acolheu entusiasticamente.

Para ser Nacional, o Monumento precisava de aprovação e cooperação de todos os Bispos Portugueses. Tal sensibilização aos Bispos é conseguida, sendo proclamada oficialmente na Pastoral Colectiva da Quaresma de 1937.

Todas as crianças portuguesas da época participaram na campanha de angariação de fundos para a construção do Monumento, campanha essa que se chamou “Pedras Pequeninas” estendendo-se desde 1939 até 1958. O princípio que norteou esta campanha foi sobretudo o valor do sacrifício das crianças e a eficácia da sua oração. Ao longo do ano as crianças iam renunciando a algo, colocando essa renúncia num mealheiro que depois era depositado no Presépio das suas Paróquias no dia dos Santos Inocentes (28 de Dezembro).

A 17 de Maio de 1959 (Dia de Pentecostes) perante a imagem de Nossa Senhora de Fátima, com a participação de todo o Episcopado Português, os Cardeais do Rio de Janeiro e de Lourenço Marques (Maputo), autoridades civis e de 300 mil pessoas, inaugurou-se o Monumento. Sua Santidade, o Papa João XXIII fez-se presente por Radiomensagem. Na ocasião, o Cardeal Cerejeira fez uma consideração eloquente: "Este será sempre um sinal de Gratidão Nacional pelo dom da Paz".

Situa-se a uma altitude de 113 metros acima do nível do Tejo, sendo constituído por um pórtico projectado pelo arquitecto António Lino, com 75 metros de altura, encimado pela estátua do Redentor de braços abertos voltado para a cidade de Lisboa, com 28 metros de altura, obra do escultor português Francisco Franco de Sousa. O pedestal, incluindo o pórtico, eleva-se a 82 metros de altura. 
Importa salientar que nenhum homem morreu na construção deste imponente monumento.

O monumento é o melhor miradouro com vista para a cidade de Lisboa, oferecendo uma ampla vista sobre a capital e sobre a Ponte 25 de AbrilÉ uma das mais altas construções do país, com 110 metros de altura.


É também é um farol divino que numa mensagem de Amor e de Fé, debruçado sobre o Tejo e Lisboa, abençoa Portugal.








sábado, fevereiro 07, 2015

PELA NOITE, COM MIA COUTO: " VINTE E ZINCO" - Prémio Camões 2013





30 de abril

Manhã cedo. O cego André segue pelo carreirinho entre os coqueiros, em direção à cadeia da PIDE. Leva na mão a chave da prisão. A alegria lhe abalroa o peito. Seus irmãos se libertariam de vez daquela grade. Seria aquilo coisa de acreditar?

(...)O cego fica à porta como se lhe doesse entrar. Parece triste como água num poço. Uma mão sobre o ombro o assusta. Reconhece o rosto. É um ex-preso que entende ver, em último relance, o lugar onde tanto sofrera.
   - Mataram Lourenço?
   - Nós matámos o pide preto.
   - Então quem matou o branco?
   - Cada qual mata o da sua raça.
  
   E o preso, sem mais, se extingue no escuro do corredor. O cego fica só, com essa dúvida moendo-lhe a mente. Quem matara Lourenço de Castro? Por momentos, naquele silêncio de tumba, lhe pareceu reconhecer um aroma familiar. É aroma de mulher. Num instante, as memórias se avalancham. Passam Custódio, Marcelino, Dona Graça, os idos e revindos, cores antigas que agora se revertiam em sons. Das lembranças emerge uma indefinível voz que murmura o que ele, no momento, deve executar.
   André Tchuvisco vai à arrecadação da prisão, traz uma lata de tinta branca e um velho pincel. E com amplos gestos ele espalha demãos sobre a parede. A cada pincelada, a paisagem do quarto se lava. Não há sangue, não há desordem. Não é só o morto que se esvai: a própria morte desvanece. O cego sente que os seus olhos se tornam mais inundáveis. Como se abrisse um imenso pátio onde toda a luz se espraiasse. E sente que a prisão, a cada pincelada, se vai dissolvendo, a pontos de total inexistência. Como se o pincel que empunhasse fosse areia, na mão do vento, apagando pegadas no deserto.


MIA COUTO
in "Vinte e zinco",
Prémio Camões 2013




terça-feira, fevereiro 03, 2015

MANUEL BANDEIRA, A GUIMARÃES ROSA: " RIA, ROSA, RIA "





RIA, ROSA, RIA


Acaba a Alegria
Dizendo-nos: - Ria!
Velha companheira,
Boa conselheira!
Por isso me rio
De mim para mim.
Rio, rio, rio!
E digo-lhes: - Ria,
Rosa, noite e dia!
No calor, no frio,
Ria, ria! Ria,
Como lhe aconselha
Essa doce velha
Cheirando a alecrim,
A alegre Alegria!



MANUEL BANDEIRA
(A Guimarães Rosa)




segunda-feira, fevereiro 02, 2015

À NOITINHA, COM MIGUEL SOUSA TAVARES: "NÃO SE ENCONTRA O QUE SE PROCURA"










É fácil dizer que se morre por amor,

Mas não é fácil, de facto, morrer por amor.

A maior parte das vezes,

Curte-se o desgosto,

Limpam-se as armas

E sai-se de novo em campanha.




MIGUEL SOUSA TAVARES,

in “Não se encontra o que se procura”












domingo, fevereiro 01, 2015

PELA NOITE, COM MIGUEL SOUSA TAVARES: " NÃO SE ENCONTRA O QUE SE PROCURA "





Há momentos assim na vida, em que nos sentimos tão próximos da verdade que tudo o resto parece irremediavelmente fútil. 

Se eu pudesse ter uma vida paralela, gostaria de ter a vida de um caracol, carregando comigo a casa
e plantando-a onde houvesse sol e silêncio, onde houvesse mar e espaço, onde houvesse mar e distância. 

Onde houvesse essa improvável e louca hipótese de se ser feliz fora do mundo.


MIGUEL SOUSA TAVARES,
in " Não se encontra o que se procura"



sexta-feira, janeiro 30, 2015

UM MINUTO DE ANIMAÇÃO QUE VALE MIL PALAVRAS





"Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todo os dias,
 em todo o mundo, 
sem que seja preciso o pretexto da guerra: 
essa arma chama-se fome".

MIA COUTO
(Conferência de Estoril)

Baseada numa história ancestral sobre a fome e partilha, este vídeo de animação faz parte da campanha da Caritas “One Human Family, Food for All” .

A “alegoria das colheres longas” ensina-nos que quando lutamos por apenas nos alimentarmos sem pensar nos outros, todos passam fome. Mas quando nos concentramos na fome do nosso vizinho, descobrimos que há maneiras de todos se alimentarem.





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