quinta-feira, novembro 12, 2015
PELA NOITE, COM TERESA DE ALMEIDA GONÇALVES: "FRIA FOI A NOITE" (A Vida é feita de Momentos)
FRIA FOI A NOITE
Fria foi a noite
em que os teus olhos
à luz se fecharam;
e quentes as lágrimas,
que, nos meus olhos
por ti choraram.
Eu sofri o frio açoite
com que o vento da montanha
me rasgava o luto e os véus.
Fria aquela noite
em que poisei na tua boca
um beijo já moribundo,
julgando eu, quase louca,
que te prendia a este mundo.
Numa profunda abstração,
veio da montanha a melancolia.
A ti, estendeu-te a mão
numa doce melodia...
Fria e longa foi essa noite
que me acordou assim o dia.
TERESA DE ALMEIDA GONÇALVES,
in "A vida é feita de momentos"
segunda-feira, novembro 09, 2015
PELA NOITE, COM FERNANDO PESSOA: " NÃO DIGAS NADA!"
NÃO
DIGAS NADA!
Não
digas nada!
Nem
mesmo a verdade
Há
tanta suavidade em nada se dizer
E
tudo se entender —
Tudo
metade
De
sentir e de ver...
Não
digas nada
Deixa
esquecer
Talvez
que amanhã
Em
outra paisagem
Digas
que foi vã
Toda
essa viagem
Até
onde quis
Ser
quem me agrada...
Mas
ali fui feliz
Não
digas nada.
FERNANDO
PESSOA,
in
"Cancioneiro"
sexta-feira, novembro 06, 2015
À NOITINHA, COM FERNANDO PESSOA: " CHOVE?...NENHUMA CHUVA CAI..."
CHOVE?...NENHUMA
CHUVA CAI…
Chove?...
Nenhuma chuva cai...
Então
onde é que eu sinto um dia
Em
que o ruído da chuva atrai
A
minha inútil agonia?
Onde
é que chove, que eu o ouço?
Onde
é que é triste, ó claro céu?
Eu
quero sorrir-te, e não posso,
Ó
céu azul, chamar-te meu...
E
o escuro ruído da chuva
É
constante em meu pensamento.
Meu
ser é a invisível curva
Traçada
pelo som do vento...
E
eis que ante o sol e o azul do dia,
Como
se a hora me estorvasse,
Eu
sofro... E a luz e a sua alegria
Cai
aos meus pés como um disfarce.
Ah,
na minha alma sempre chove.
Há
sempre escuro dentro em mim.
Se
escuto, alguém dentro em mim ouve
A
chuva, como a voz de um fim ...
Quando
é que eu serei da tua cor,
Do
teu plácido e azul encanto,
Ó
claro dia exterior,
Ó
céu mais útil que o meu pranto?
FERNANDO
PESSOA,
1-12-1914
Cartas
de Fernando Pessoa a Armando Côrtes-Rodrigues. (Introdução de Joel
Serrão.)Lisboa: Confluência, 1944 (3.ª ed. Lisboa: Livros Horizonte, 1985).
PELA NOITE, COM FERNANDO PESSOA: " COMO TE AMO "
COMO
TE AMO
Como
te amo? Não sei de quantos modos vários
Eu
te adoro, mulher de olhos azuis e castos;
Amo-te
com o fervor dos meus sentidos gastos;
Amo-te
com o fervor dos meus preitos diários.
É
puro o meu amor, como os puros sacrários;
É
nobre o meu amor, como os mais nobres fastos;
É
grande como os mares altisonos e vastos;
É
suave como o odor de lírios solitários.
Amor
que rompe enfim os laços crus do Ser;
Um
tão singelo amor, que aumenta na ventura;
Um
amor tão leal que aumenta no sofrer;
Amor
de tal feição que se na vida escura
É
tão grande e nas mais vis ânsias do viver,
Muito
maior será na paz da sepultura!
FERNANDO
PESSOA,
(Inéditos
– Poemas de Lança-Pessoa – Manuscrito (Junho/1902))
Etiquetas:
POEMAS SOLTOS- Como te amo. Fernando Pessoa.
segunda-feira, novembro 02, 2015
À NOITINHA, COM FERNANDO PESSOA: "CANÇÃO DA PARTIDA"
CANÇÃO
DA PARTIDA
Pousa
de leve
Inda
que um breve momento,
A
tua mão de neve
Sobre
o meu triste coração
Ainda
é cedo...
Guarda
o segredo
E
pousa leve, como a medo,
Sobre
minha alma a tua mão,
Como
é que na alma,
Pousa
uma palma,
De
mão,
E
como é que a acalma
De
toda a dor que não tem fim?
Não
sei sabê-lo.
No
meu cabelo,
Ao
menos, pousa, com desvelo,
Sua
mão leve de marfim.
Que
é a vida? Nada.
A
sorte? Estrada:
Que
leva só a alma enganada
Por
onde vai e onde não quer...
Que
é a alma? Um sono?
Ser?
O abandono.
De
ser.
E
as folhas que no outono,
O
ouvido sente anoitecer.
FERNANDO
PESSOA
PELA NOITE, COM LUÍS VAZ DE CAMÕES: "ALMA MINHA GENTIL, QUE TE PARTISTE"
ALMA
MINHA GENTIL, QUE TE PARTISTE
Alma
minha gentil, que te partiste
Tão
cedo desta vida descontente,
Repousa
lá no Céu eternamente,
E
viva eu cá na terra sempre triste.
Se
lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória
desta vida se consente,
Não
te esqueças daquele amor ardente,
Que
já nos olhos meus tão puro viste.
E
se vires que pode merecer-te
Algũa
cousa a dor que me ficou
Da
mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga
a Deus, que teus anos encurtou,
Que
tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão
cedo de meus olhos te levou.
LUÍS
VAZ DE CAMÕES,
in
"Sonetos"
(In memoriam, 2/11/2015)
DIA DE TODOS OS SANTOS - 1 DE NOVEMBRO DE 2015
SOLENIDADE
"Os Santos, tendo atingido, pela multiforme graça de Deus a perfeição e alcançado a vida eterna, cantam hoje a Deus no Céu, o louvor perfeito e intercedam por nós.
A Igreja proclama o mistério pascal realizado na paixão e glorificação deles com Cristo; propõe aos fiéis os seus exemplos, que conduzem os homens ao Pai por Cristo; e implora, pelos seus méritos, as bençãos de Deus.
Segundo a sua tradição, a Igreja venera os Santos e as suas relíquias autênticas, bem como as suas imagens. É que as festas dos Santos proclamam as grandes obras de Cristo nos Seus servos e oferecem aos fiéis os bons exemplos a imitar".
(Constituição Litúrgica, n.º 104 e 111)
Subscrever:
Mensagens (Atom)









