domingo, fevereiro 15, 2015

PRÉMIOS BAFTA 2015: VENCEDORES





Foram entregues os PRÉMIOS BAFTA 2015 na passada semana, prémios da British Academy Film Awards e considerados os Óscares do cinema britânico, numa cerimónia que decorreu na Royal Opera House, em Covent Garden (Londres).

O grande vencedor desta 68ª edição do certame foi Boyhood, que este ano arrebatou também o Globo de Ouro – e que assim definitivamente se assume como o favorito para o Óscar de Melhor Filme.

O realizador, Richard Linklater, foi igualmente premiado. 
The theory of Everything sagrou-se vencedor do prémio de melhor filme britânico.
Já The Grand Budapest Hotel, o filme mais nomeado (com onze nomeações), venceu em cinco categorias: Melhor Argumento Original, Melhor Guarda-Roupa, Melhor Caracterização, Melhor Design de Produção e Melhor Banda-Sonora.
 Ida, o drama do polaco Paweł Pawlikowski, venceu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Confirmando também o seu estatuto de favoritos para os Óscares que se avizinham, os actores Eddie Redmayne (The theory of Everything) e Julianne Moore (Still Alice) arrebataram os prémios de melhores actores principais, enquando J.K. Simmons (Whiplash) e Patricia Arquette (Boyhood) venceram os de melhores actores secundários.

O prémio carreira foi atribuído ao realizador britânico Mike Leigh.



LISTA DE VENCEDORES BAFTA 2015:

Melhor Filme: Boyhood – Momentos de Uma Vida
Melhor Filme Britânico: A Teoria de Tudo
Melhor Realizador: Richard Linklater, Boyhood – Momentos de Uma Vida
Melhor Ator: Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
Melhor Atriz: Julianne Moore, O Meu Nome é Alice
Melhor Ator Secundário: J.K. Simmons, Whiplash – Nos Limites
Melhor Atriz Secundária: Patricia Arquette, Boyhood – Momentos de Uma Vida
Melhor Documentário: Citizenfour, de Laura Poitras
Melhor Filme de Animação: O Filme Lego
Melhor Argumento Original: Wes Anderson, Grande Hotel Budapeste
Melhor Argumento Adaptado: Anthony McCarten, A Teoria de Tudo
Melhor Filme Estrangeiro: Ida, de Pawel Pawlikowski
Melhor Música Original: Alexandre Desplat, Grande Hotel Budapeste
Melhor Fotografia: Birdman – A Inesperada Virtude da Ignorância
Melhores Efeitos Especiais: Interstellar
BAFTA de Carreira: Mike Leigh

Sítio oficial:http://www.bafta.org/






sábado, fevereiro 14, 2015

NO DIA DOS NAMORADOS, UMA CARTA DE PABLO NERUDA: " SE ME ESQUECERES"







SE ME ESQUECERES


Quero que saibas 
uma coisa. 

Sabes como é: 
se olho 
a lua de cristal, o ramo vermelho 
do lento outono à minha janela, 
se toco 
junto do lume 
a impalpável cinza 
ou o enrugado corpo da lenha, 
tudo me leva para ti, 
como se tudo o que existe, 
aromas, luz, metais, 
fosse pequenos barcos que navegam 
até às tuas ilhas que me esperam. 

Mas agora, 
se pouco a pouco me deixas de amar 
deixarei de te amar pouco a pouco. 

Se de súbito 
me esqueceres 
não me procures, 
porque já te terei esquecido. 

Se julgas que é vasto e louco 
o vento de bandeiras 
que passa pela minha vida 
e te resolves 
a deixar-me na margem 
do coração em que tenho raízes, 
pensa 
que nesse dia, 
a essa hora 
levantarei os braços 
e as minhas raízes sairão 
em busca de outra terra. 

Porém 
se todos os dias, 
a toda a hora, 
te sentes destinada a mim 
com doçura implacável, 
se todos os dias uma flor 
uma flor te sobe aos lábios à minha procura, 
ai meu amor, ai minha amada, 
em mim todo esse fogo se repete, 
em mim nada se apaga nem se esquece, 
o meu amor alimenta-se do teu amor, 
e enquanto viveres estará nos teus braços 
sem sair dos meus. 


PABLO NERUDA,
in "Poemas de Amor de Pablo Neruda"





quarta-feira, fevereiro 11, 2015

IMAGEM DO DIA, COM PATRICK MODIANO







PELA NOITE, RECORDANDO VINICIUS: " PELA LUZ DOS OLHOS TEUS"







PELA LUZ DOS OLHOS TEUS


Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.



VINICIUS DE MORAIS








segunda-feira, fevereiro 09, 2015

ESTE CRISTO, QUE DE LISBOA ABENÇOA PORTUGAL...- Monumento a Cristo Rei (Lisboa)






A ideia da construção do Monumento a Cristo Rei surgiu em 1934, quando de uma visita ao Brasil do então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira. Ao passar pelo Rio de Janeiro, viu a imponente imagem de Cristo Redentor do Corcovado e logo no seu coração nasceu o desejo de construir semelhante obra em frente a Lisboa. Em 1936, a ideia de construir o Monumento a Cristo Rei foi transmitida ao “Apostolado de Oração”, que a acolheu entusiasticamente.

Para ser Nacional, o Monumento precisava de aprovação e cooperação de todos os Bispos Portugueses. Tal sensibilização aos Bispos é conseguida, sendo proclamada oficialmente na Pastoral Colectiva da Quaresma de 1937.

Todas as crianças portuguesas da época participaram na campanha de angariação de fundos para a construção do Monumento, campanha essa que se chamou “Pedras Pequeninas” estendendo-se desde 1939 até 1958. O princípio que norteou esta campanha foi sobretudo o valor do sacrifício das crianças e a eficácia da sua oração. Ao longo do ano as crianças iam renunciando a algo, colocando essa renúncia num mealheiro que depois era depositado no Presépio das suas Paróquias no dia dos Santos Inocentes (28 de Dezembro).

A 17 de Maio de 1959 (Dia de Pentecostes) perante a imagem de Nossa Senhora de Fátima, com a participação de todo o Episcopado Português, os Cardeais do Rio de Janeiro e de Lourenço Marques (Maputo), autoridades civis e de 300 mil pessoas, inaugurou-se o Monumento. Sua Santidade, o Papa João XXIII fez-se presente por Radiomensagem. Na ocasião, o Cardeal Cerejeira fez uma consideração eloquente: "Este será sempre um sinal de Gratidão Nacional pelo dom da Paz".

Situa-se a uma altitude de 113 metros acima do nível do Tejo, sendo constituído por um pórtico projectado pelo arquitecto António Lino, com 75 metros de altura, encimado pela estátua do Redentor de braços abertos voltado para a cidade de Lisboa, com 28 metros de altura, obra do escultor português Francisco Franco de Sousa. O pedestal, incluindo o pórtico, eleva-se a 82 metros de altura. 
Importa salientar que nenhum homem morreu na construção deste imponente monumento.

O monumento é o melhor miradouro com vista para a cidade de Lisboa, oferecendo uma ampla vista sobre a capital e sobre a Ponte 25 de AbrilÉ uma das mais altas construções do país, com 110 metros de altura.


É também é um farol divino que numa mensagem de Amor e de Fé, debruçado sobre o Tejo e Lisboa, abençoa Portugal.








sábado, fevereiro 07, 2015

PELA NOITE, COM MIA COUTO: " VINTE E ZINCO" - Prémio Camões 2013





30 de abril

Manhã cedo. O cego André segue pelo carreirinho entre os coqueiros, em direção à cadeia da PIDE. Leva na mão a chave da prisão. A alegria lhe abalroa o peito. Seus irmãos se libertariam de vez daquela grade. Seria aquilo coisa de acreditar?

(...)O cego fica à porta como se lhe doesse entrar. Parece triste como água num poço. Uma mão sobre o ombro o assusta. Reconhece o rosto. É um ex-preso que entende ver, em último relance, o lugar onde tanto sofrera.
   - Mataram Lourenço?
   - Nós matámos o pide preto.
   - Então quem matou o branco?
   - Cada qual mata o da sua raça.
  
   E o preso, sem mais, se extingue no escuro do corredor. O cego fica só, com essa dúvida moendo-lhe a mente. Quem matara Lourenço de Castro? Por momentos, naquele silêncio de tumba, lhe pareceu reconhecer um aroma familiar. É aroma de mulher. Num instante, as memórias se avalancham. Passam Custódio, Marcelino, Dona Graça, os idos e revindos, cores antigas que agora se revertiam em sons. Das lembranças emerge uma indefinível voz que murmura o que ele, no momento, deve executar.
   André Tchuvisco vai à arrecadação da prisão, traz uma lata de tinta branca e um velho pincel. E com amplos gestos ele espalha demãos sobre a parede. A cada pincelada, a paisagem do quarto se lava. Não há sangue, não há desordem. Não é só o morto que se esvai: a própria morte desvanece. O cego sente que os seus olhos se tornam mais inundáveis. Como se abrisse um imenso pátio onde toda a luz se espraiasse. E sente que a prisão, a cada pincelada, se vai dissolvendo, a pontos de total inexistência. Como se o pincel que empunhasse fosse areia, na mão do vento, apagando pegadas no deserto.


MIA COUTO
in "Vinte e zinco",
Prémio Camões 2013




terça-feira, fevereiro 03, 2015

MANUEL BANDEIRA, A GUIMARÃES ROSA: " RIA, ROSA, RIA "





RIA, ROSA, RIA


Acaba a Alegria
Dizendo-nos: - Ria!
Velha companheira,
Boa conselheira!
Por isso me rio
De mim para mim.
Rio, rio, rio!
E digo-lhes: - Ria,
Rosa, noite e dia!
No calor, no frio,
Ria, ria! Ria,
Como lhe aconselha
Essa doce velha
Cheirando a alecrim,
A alegre Alegria!



MANUEL BANDEIRA
(A Guimarães Rosa)




segunda-feira, fevereiro 02, 2015

À NOITINHA, COM MIGUEL SOUSA TAVARES: "NÃO SE ENCONTRA O QUE SE PROCURA"










É fácil dizer que se morre por amor,

Mas não é fácil, de facto, morrer por amor.

A maior parte das vezes,

Curte-se o desgosto,

Limpam-se as armas

E sai-se de novo em campanha.




MIGUEL SOUSA TAVARES,

in “Não se encontra o que se procura”












domingo, fevereiro 01, 2015

PELA NOITE, COM MIGUEL SOUSA TAVARES: " NÃO SE ENCONTRA O QUE SE PROCURA "





Há momentos assim na vida, em que nos sentimos tão próximos da verdade que tudo o resto parece irremediavelmente fútil. 

Se eu pudesse ter uma vida paralela, gostaria de ter a vida de um caracol, carregando comigo a casa
e plantando-a onde houvesse sol e silêncio, onde houvesse mar e espaço, onde houvesse mar e distância. 

Onde houvesse essa improvável e louca hipótese de se ser feliz fora do mundo.


MIGUEL SOUSA TAVARES,
in " Não se encontra o que se procura"



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