sexta-feira, julho 11, 2014

PELA NOITE, COM LEGIÃO URBANA: ÍNDIOS






ÍNDIOS


Quem me dera
Ao menos uma vez
Acreditar por um instante
Em tudo que existe
E acreditar
Que o mundo é perfeito
Que todas as pessoas
São felizes…


Quem me dera
Ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro
Que entreguei a quem
Conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora
Até o que eu não tinha


Quem me dera
Ao menos uma vez
Esquecer que acreditei
Que era por brincadeira
Que se cortava sempre
Um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda


Quem me dera
Ao menos uma vez
Explicar o que ninguém
Consegue entender
Que o que aconteceu
Ainda está por vir
E o futuro não é mais
Como era antigamente.


Quem me dera
Ao menos uma vez
Provar que quem tem mais
Do que precisa ter
Quase sempre se convence
Que não tem o bastante
Fala demais
Por não ter nada a dizer.


Quem me dera
Ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.


Quem me dera
Ao menos uma vez
Entender como um só Deus
Ao mesmo tempo é três
Esse mesmo Deus
Foi morto por vocês
Sua maldade, então
Deixaram Deus tão triste.


Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho
Entenda!
Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do iní­cio ao fim.


E é só você que tem
A cura do meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.


Quem me dera
Ao menos uma vez
Acreditar por um instante
Em tudo que existe
E acreditar
Que o mundo é perfeito
Que todas as pessoas
São felizes...


Quem me dera
Ao menos uma vez
Fazer com que o mundo
Saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz
Ao menos, obrigado.


Quem me dera
Ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado
Por ser inocente.


Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho
Entenda!


Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do início ao fim.


E é só você que tem
A cura pro meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.


Nos deram espelhos
E vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.



LEGIÃO URBANA,
in Índios.






quinta-feira, julho 10, 2014

À TARDINHA, COM CECILIA MEIRELES: "LUA ADVERSA"






LUA ADVERSA



Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.


Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.


E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...



CECÍLIA MEIRELES,
In “Poesia Completa”


Esta Professora Despediu-se para Pintar – Agora Os Seus Quadros Valem Milhões






Tudo começou com um grande espaço branco, completamente exposto no meio da sala de estar, um espaço que a incomodava.

A professora de música Layla Fanucci estava em pé, junto ao sofá, a observar a grande e vazia parede que se encontrava acima do mesmo. Costumava estar pendurado nessa parede um poster de Monet, mas Layla tirou-o. “Era giro. Como algumas músicas, que são só giras. Mas para mim, há uma diferença entre ouvir um CD e ouvir a banda ao vivo, e sentir algo que mexe contigo e te tira o fôlego.”

Ora ai está, ela queria que aquela parede também lhe tirasse o fôlego. E — eureka — foi ai que surgiu a ideia: música ao vivo, porque não arte ao vivo? Então Layla começou a visitar várias galerias na cidade de Napa Valley, onde vive: “Eu não conseguia encontrar nada.” , declarou.

Então ela fez, o que qualquer pessoa do género “Faz Tu Mesmo” faria: Decidiu que iria ser a própria a pintar a parede. Só havia um pequeno problema. “Eu nunca tinha pintado nada na minha vida.”

Na sua primeira viagem pela pintura Layla fez algo excepcional. 

Comprou uma tela branca com 6mX5m de altura, deitou-a no chão, e cobriu a tela com uma explosão de tintas em azul, vermelho, amarelo, verde, e branco. À medida que ia pintando, a sua mão fluía graciosa e energeticamente sobre a tela, como se o fizesse há anos. O desenho era abstrato, mas Layla acrescentou um clarinete, uma árvore de Natal e 3 figuras a representar os seus filhos.
“É grande, é arrojado, tem cor, está pronto,” pensou para si mesma. “Fim da história.”

Mas na verdade, era só o começo. Quando os amigos foram visitá-la e viram a obra de Layla, ficaram fascinados. Nos anos que se seguiram, nove dos seus amigos pagaram-lhe para que também pintasse arte para as suas casas. “Eu estava surpresa e encantada, e não fazia ideia de como isto começou,” declarou. “Um casal pintou toda a sua sala de estar para combinar com as cores do quadro que lhes pintei.”

Inspirada pelas reações positivas dos seus amigos, Layla pintou, pintou e pintou entre gargalhadas. “Eu só queria pintar, sempre e a toda a hora,” declarou. “Eu tinha isto tudo dentro de mim, e só agora é que estava a soltar este talento.”
Este magnifico talento escondido fez com que Layla reflectisse sobre a sua vida. “Eu amava a música e amava ensinar ,” declarou, “mas nunca quis admitir que depois de 25 anos de ensino de música, estava a ficar cansada.”

Era este o dilema em que Layla vivia, até descobrir a sua faceta de artista interior. Layla recebia um salário estável, dinheiro que ela e o seu marido, Robert, um procurador fiscal, usavam para pagar a faculdade dos seus filhos e para ajudar a suportar um pequeno negócio de vinhos da família.

“Mas de repente, toda a gente, incluindo o meu marido, diziam: 'Ensina em part-time e vê se a arte te pode levar a algum lado' .Mas eu sabia que se queria dar oportunidade à arte, tinha que dar tudo de mim.”
Em 2001, dois anos após pendurar a sua primeira pintura na grande parede branca, Layla deixou o trabalho de professora. “O meu marido disse: ‘Eu sinto-me como se estivessemos no Titanic e tu tivesses simplesmente saltado.’”
Layla ouviu todas as estatísticas assustadoras:


Apenas 5% dos artistas ganham dinheiro, apenas 5% do mundo da arte tinha saída. Como é que ela faria parte da excepção desses 5%, escapando à regra dos outros 95% dos artistas sem sucesso, tornando a sua arte num negócio? Primeiro, Layla percebeu que precisava de estabelecer objectivos profissionais:
Definiu um período de dois anos para tornar isto possível. “Se não for capaz de conseguir ganhar no mínimo o meu salário, volto a ser professora.” Pensou. Vestiu uma velha camisa branca de Robert e começou a trabalhar entre 10 a 12 horas por dia. “Sabem como os corredores falam da sensação fantástica que têm quando terminam a maratona? Quando pinto, sinto sempre essa sensação.”

Esta alegria resultou numa explosão de criatividade e, em 2 anos, Layla conseguiu pintar mais de 200 obras — abstractas, representações de flores, músicos, mulheres, homens. “Fui inspirada pelo estilo e cores que Matisse utilizava.”
A notícia espalhou-se, Layla começou logo a vender as suas pinturas e a ganhar tanto dinheiro quanto ganhava quando era professora. Animada e fascinada com o seu pequeno sucesso, enviou fotografias das suas obras para reputados consultores de arte de Nova Iorque e marcou reuniões. “Estava tão nervosa à medida que subia o elevador de um elegante hotel francês, em Nova Iorque, para ir para uma reunião numa suite com uma estranha, levando um livro de fotografias dos meus quadros. Só conseguia pensar: O que estou aqui a fazer?”


A mulher, parecida com a Meryl Streep no filme “O Diabo veste Prada”,  estudava cada página do livros com uma atenção cuidada, e cruzava as mãos com agressividade e em silêncio, sempre que Layla tentava contar as histórias das suas obras. Quando a consultora fechou o livro, já tinha o seu veredicto:

“É bom. Mas nós não queremos saber.” Foi então que deu a Layla o conselho que mudou a sua vida: “Como é que um quadro de Layla Fanucci?” Layla tentou formular uma resposta, mas a consultora calou-a, dizendo: “Para conseguirmos vender as suas obras, elas têm que ter um estilo que ninguém consiga imitar.”
A consultora de arte sugeriu que Layla produzisse mais obras nos próximos 6 meses. Foi uma tarefa difícil, mas que aceitou prontamente. “Senti instintivamente que este processo me iria levar onde eu precisava de estar.”

Nos dois anos que se seguiram Layla ouvia as novas críticas da consultora sobre as suas novas obras, e voltava para o seu estúdio para fazer novas experiências. Durante todo este processo desenvolveu uma obra única, com o estilo Layla Fanucci, os cenários de cidades: Pinta camada por camada de cor em para comunicar o estado de espirito de cada cidade —Nova Iorque, Paris, Veneza, e Roma. Quando a pintura seca, Layla adiciona detalhes arquitectónicos, como prédios e pontes, em seguida, dá vida aos quadros pintando pessoas, movimentos e energias antes de cobrir estes cenários com mais cor. Assim acaba por pintar 3 cidades por cima da primeira, criando textura e profundidade, para quando se olhar de perto, ser possível ver as outras cidades e os detalhes arquitectónicos a sobressair.

Layla comprovou as suas capacidades quando entregou à consultora de arte um original seu, que foi exposto, em destaque, numa galeria de arte em Nova Iorque, sendo-lhe também oferecida uma exposição a solo para as suas restantes obras. No entanto, a consultora avisou-a que se as obras não se vendessem, a carreira artística de Layla terminaria naquela momento.
Surpreendentemente,  nove das suas obras venderam-se em apenas um mês.
Desde então, fez várias exposições e vendeu os seus quadros a coleccionadores de todo o mundo.

Os críticos louvam as suas obras, e uma característica das mesmas em particular: a conexão de Layla com a música. “Ela captura os ritmos das grandes metrópoles, o esplendor lírico dos céus e a cacofonia das ruas. E olhando para estes cenários, conseguimos perceber o porquê das pessoas estarem sempre a voltar para estes lugares, como músicas que nunca nos cansamos de ouvir, como se encontrassemos algo de novo nelas.”


Layla vendeu recentemente a sua maior obra de todos os tempos, uma pinta de 9mx14m chamada “City of the World Opus II”, por $100,000, quando um turista visitou a sua galeria online e se apaixonou pelas suas obras. “Num ano, vendi 32 pinturas e ganhei tanto dinheiro como aquele que faria caso tivesse continuado como professora durante 33 anos.


“Bem, todos nós temos talentos escondidos,”declarou Layla Fanucci “Se os descobrirmos, temos que os desenvolver todos os dias e deixa-los florir. Eu penso muitas vezes no que podia ter perdido, senão tivesse desistido de um salário estável e confiável, para seguir a minha paixão.”








terça-feira, julho 08, 2014

QUEM FALA ASSIM, NÃO É GAGO...






Recebi este vídeo, público, que explica como os portugueses  se viram forçados a ficar mais pobres para sustentarem os corruptos e os ricos. Que são cada vez em maior número, roubam cada vez em maior quantidade e cada vez têm menos vergonha.



Paulo Morais ironiza que os políticos andam a contaminar a opinião pública com a falsa ideia de que "os portugueses são um bando de malucos, que andaram a comprar telemóveis e a gozar férias", e que por esse "abuso", terão de ser castigados, e esse castigo é a austeridade...

Infelizmente muitos portugueses aderiram em massa a este espírito de sacrifício. Aceitam muitos dos castigos, pois foram mentalizados, de que os merecem.
Mas Paulo Morais garante;
-Os portugueses não andaram a gastar acima das suas possibilidades
-Os portugueses não devem ser castigados
-Os portugueses não devem esperar que a austeridade seja a solução.
-A crise foi provocada por décadas de corrupção e de roubos.
A austeridade será um "castigo" inútil, apenas aguentará o barco por mais uns anos.
Serviu para forçar os portugueses a ficar mais pobres para sustentarem os corruptos e os ricos. Que são cada vez em maior número, roubam cada vez em maior quantidade e cada vez têm menos vergonha.

ARTIGO COMPLETO: http://goo.gl/Vt1jzz
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Notícias e política
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segunda-feira, julho 07, 2014

BOA NOITE...Com ERICO VERISSIMO







"Era tanto o silêncio e tão leve o ar, 

que se alguém aguçasse o ouvido 

talvez pudesse até escutar 

o sereno na solidão."



ERICO VERISSIMO

In “ O Tempo e o Vento”



O REI FELIPE VI E LETIZIA VISITARAM-NOS HOJE...







Os novos reis de Espanha, Felipe VI e Letizia, realizaram hoje a sua segunda visita oficial. Depois do Vaticano, Portugal foi o segundo país eleito pelos jovens monarcas.
Contrariando assim o popular ditado, abrem os braços a uma amizade sólida entre Portugal 
e Espanha.





Sejam bem vindos. Retribuímos esta amizade.








sábado, julho 05, 2014

UM DEPOIAMENTO IMPRESSIONANTE - Judite de Sousa








Judite de Sousa. O seu depoiamento impressionante, de uma mãe que acaba de perder tudo na vida: o seu único filho.

"Meu Deus e meu Pai

Desfeito em átomos de água, partiu hoje para o teu infinito o filho que me deste.
Gerei-o com amor, criei-o com carinho e eduquei-o o melhor que soube. Foi meu companheiro e meu ânimo nas muitas tempestades que tenho atravessado.
Hoje não tenho nada.
O muito que tinha foi para junto de ti.
A sua alma de menino e o que restou do seu corpo de anjo também já foi desfeito em fumo.
Estou só.
Terrivelmente só.
Só como há séculos, quando a tua mãe, nossa Senhora, te acolheu no regaço depois de te despregarem da cruz no calvário.
Eu agora nada tenho.
Nas distorcidas imagens que os meus olhos rasos de lágrimas salgadas e já secas, vejo nitidamente, o teu rosto misericordioso.
No plano infinito da eternidade já está o meu menino. Tapa-o com o teu manto divino que as noites são frias para lá do Universo, ele é um bom menino.
O meu menino!
E se vires que pode merecer alguma coisa da dor desta perda sem remédio, rogo-te, meu Pai, que pronto me leves a vê-lo, que nestes dias as saudades apertam mais este meu coração trespassado pela dor.
Eu só fui mãe deste filho.
Hoje, já não sou mais mãe de ninguém".


Deus a ajude e abençoe.




PELA NOITE, COM EUGÉNIO DE ANDRADE: "POEMA À MÃE"






POEMA À MÃE


No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.


Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.


Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.


Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!


Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;


ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;


ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...


Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,


Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.


Boa noite. Eu vou com as aves.



EUGÉNIO DE ANDRADE,

in "Os Amantes Sem Dinheiro"

(in memoriam M.H.B.R.M.N.,5/7/1910-1989)


quarta-feira, julho 02, 2014

ESTA NOITE, COM SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, NUMA HOMENAGEM SINGELA: "ESTA GENTE"





ESTA GENTE


Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco


Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis


Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre


Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome


E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada


Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo



SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, 
in "Geografia"



GRAMMY LATINO PARA CARLOS DO CARMO - Academia Latina distingue Carlos do Carmo com Grammy pela sua obra








É a primeira vez que um português recebe a distinção.

Carlos do Carmo, um dos nomes históricos do fado, vai receber em Novembro um Grammy pela sua obra. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Conselho Directivo da Academia Latina (Latin Academy of Recording Arts and Sciences) e foi comunicada directamente ao cantor na tarde de segunda-feira, 30 de Junho, e anunciada nesta terça-feira oficialmente à imprensa. É a primeira vez que um português recebe tal distinção.


No comunicado da Academia, que refere Carlos do Carmo como "um dos maiores fadistas do seu tempo" — realçando a influência da mãe, Lucília do Carmo, na sua carreira. 

Diz-se que as afinidades pessoais do cantor com a canção francesa e a bossa nova criaram nele "um inequívoco e definitivo estilo que o distingue como uma das mais icónicas vozes da música portuguesa". A Academia refere ainda o papel-chave de Carlos do Carmo na bem-sucedida candidatura do Fado a Património da Humanidade.

Esta notícia é conhecida num momento em que ainda se celebram os 50 anos de carreira do cantor, comemorados com reedições históricas, concertos, um disco de parceria com fadistas das novas gerações (Fado É Amor) e uma exposição na Cordoaria Nacional.

Em 1973 saiu um dos discos preferidos de Carlos do Carmo, "Por Morrer Uma Andorinha". 



Elucidativo do que seria Carlos do Carmo ao vivo nessa época, já que a faixa foi gravada num estúdio móvel instalado na cave do Faia, o restaurante da mãe, onde Carlos começou a cantar. "A cantar para a geração da minha mãe", precisa, antes de dizer que o que se ouvia nesse disco era "um miúdo atrevido". "Durante anos os velhotes diziam-me que gostavam de me ouvir mas que a minha mãe é que era. Cantei numa época em que a geração de ouro estava toda em actividade…"

O Grammy Lifetime Achivement Award, anunciou hoje a agência do cantor, será entregue a Carlos do Carmo no MGM de Las Vegas, USA,  no dia 19 de Novembro, mês em que, segundo a mesma fonte, se estreará um documentário sobre a sua vida.







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