quinta-feira, maio 19, 2016

PELA NOITE, COM VASCO GRAÇA MOURA: "CRÓNICA FEMININA"






CRÓNICA FEMININA


estava nua, só um colar lhe dava
horizontes de incêndio sobre o peito,
a transmutar, num halo insatisfeito,
a rosa de rubis em quente lava.


estava nua e branca num estreito
lençol que o fim do sono desdobrava
e a noite era mais livre e a lua escrava
e o mais breve pretérito imperfeito


só o tempo verbal lhe fugiria,
no alongar dos gestos e requebros,
junto do espelho quando as aves vão.


toda a nudez, toda a nudez, toda a melancolia
a dor no mundo, a deslembrança, a febre, os
olhos rasos de água e solidão



VASCO GRAÇA MOURA




Vasco Navarro da Graça Moura foi um escritor, tradutor e político português que nasveu no dia 3 de janeiro de 1942 na cidade do Porto e morreu no dia 27 de abril de 2014 em Lisboa.

Licenciado em Direito, atividade que chegou a exercer, foi secretário de estado da Segurança Social do IV Governo Provisório e secretário de estado dos Retornados do VI Governo Provisório. Nomeado director de programas da RTP, em 1978, nesse mesmo ano passou à Imprensa Nacional-Casa da Moeda, cuja área editorial administrou até 1988. Entre 1988 e 1995 foi presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.

É autor de obras de ensaio, poesia, romance, e ainda de traduções. Paralelamente, desenvolveu uma ampla intervenção pública como comentador e analista político. 

A sua obra iniciou-se em 1963, com o título Modo Mudando, a que se seguiram O Mês de Dezembro (1977), Instrumentos para a Melancolia (1980), A Variação dos Semestres deste Ano; 365 Versos (1981), Nó Cego, o regresso (1982), Os Rostos Comunicantes (1984), A Sombra das Figuras (1985), A Furiosa Paixão pelo Tangível (1987), O Concerto Campestre (1993), Sonetos Familiares (1994), Poemas Escolhidos 1963-1995 (1996), Poemas com Pessoas (1997), Uma Carta no Inverno (1997, prémio de Poesia APE/CTT de 1997) e Retrato de Francisca Matroco e Outros Poemas (1998).

Entre os seus ensaios encontram-se David Mourão-Ferreira ou a Mestria de Eros (1978), Camões e a Divina Proporção (1985), Os Penhascos e a Serpente e Outros Ensaios Camonianos (1987), Várias Vozes (1987), Retrato de Isabel e Outras Tentativas (1994) e Contra Bernardo Soares e Outras Observações (1999). 
Na sua vasta obra encontramos igualmente obras de ficção, entre as quais Quatro Últimas Canções (1987), Naufrágio de Sepúlveda (1988), Partida de Sofonista às Seis e Doze da Manhã (1993) e A Morte de Ninguém (1998). Vasco Graça Moura escreveu ainda uma peça de teatro (Ronda dos Meninos Expostos, 1987), um diário (As Circunstâncias Vividas, 1995) e as crónicas de Papéis de Jornal (1995).

Distinguindo-se publicamente como tradutor, amplamente consagrado, as suas traduções da Vita Nuova e da 
Divina Comédia de Dante (1995) mereceram-lhe a atribuição do Prémio Pessoa, em 1995. Em 2000, publica Poesia 1997-2000, seguido do romance Meu Amor, era de Noite (2001)


IMAGEM DO DIA, COM JEAN GIRARDOUX









HOJE É DIA DE SANTO IVO, PADROEIRO DOS ADVOGADOS...





Dia 19 de Maio é dia de festa para os advogados. É o dia de Santo Ivo, o padroeiro dos advogados.

Ives Hélory foi Juiz, foi padre, e foi advogado. Nas inúmeras obras, sobre Santo Ivo, é notório que estamos perante um homem que fez da prática da solidariedade, o papel mais relevante da sua vida.
Ives Hélori nasceu a 17 de Outubro de 1253, em Kémartin, casa de campo situada a certa distância de Tréguier, na península da Bretanha. Filho de uma família da pequena nobreza rural, foi enviado para Paris, para realizar os seus estudos na Sorbonne onde, entre outros, teve como professores S. Tomás de Aquino e Alberto Magno. Aí mereceu o título de Mestre em artes que o autorizaram a ensinar.

Painel de Lino António nos "Passos Perdidos", no hall principal da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Posteriormente foi para a universidade de Orléans, onde realizou os estudos de direito canónico e civil. É nessa época que nasce a sua fama de homem piedoso e compassivo, que informava gratuitamente os pobres e os mais desfavorecidos, as viúvas, órfãos, suportando do seu próprio bolso as causas daqueles.

Apesar de Juiz e nobre suficientemente abastado, Ivo Hélory levou uma vida de verdadeiro asceta, dormindo no chão, frequentemente fazendo jejum e abstinência.
O exercício da magistratura não impediu Ivo de ser ordenado sacerdote em Tréguier. Aliás, além de se ordenar presbítero aos 32 anos de idade, a tais tarefas acrescentou pouco depois a defesa dos pobres nos tribunais, começando aí a sua fama de “advogado dos pobres”. Renunciou a diversos cargos oficiais, assumindo apenas a paróquia de Louannez e a defesa, como advogado e nos Tribunais, dos pobres e inválidos.

Dono de uma humildade não simulada e de um juízo pouco lisonjeiro que fazia de si próprio, resultava naturalmente o pouco cuidado que tinha para consigo mesmo. Suas visitas paroquiais eram sempre realizadas a pé. Ao deixar Rennes, por motivo de remoção, o arcebispo em reconhecimento pelos seus bons serviços, presenteou-o com um cavalo para a viagem, mas Ivo vendeu-o logo a seguir, distribuindo o dinheiro da venda pelos pobres, e rumou a pé para a nova paróquia.

O que, porém, o tornou mais acatado foi a integridade invulnerável com que exerceu durante longo tempo a árdua função de provisor do bispado, tanto em Rénnes como em Tréguier.
De Juiz, não raro, se transformava em advogado das partes, quando estas eram viúvas ou órfãos, ou pobres que antagonistas poderosos queriam prejudicar ou espoliar. Como patrono deles, ainda lhes fornecia o dinheiro necessário ao pagamento das custas dos processos que eram obrigados a pagar para a recuperação dos seus direitos e bens.

O Rei D. Dinis segura o documento, perante o clero, a nobreza e cavaleiros, que haviam solicitado a criação do Estudo (Painel de Lino António)
Faleceu cedo, com 50 anos de idade, em 1303, dando origem a uma extensa devoção popular face à vida exemplar que levou.

Foi canonizado, mediante bula papal de Clemente VI, em Avignon, a 19 de Maio de 1347.
O povo não quis deixá-lo incógnito. Na sua pedra tumular mandaram escrever: “Santo Ivo era bretão; era advogado mas não ladrão; coisa admirável para o povo”. Estas palavras no seu túmulo demonstram, para muitos historiadores, que já em vida o povo o venerava. Quer pela sua capacidade de conciliação, quer pela sua justeza e equidade nas decisões; quer pela sua disponibilidade permanente para a orientação jurídica gratuita e segura daqueles que não tinham dinheiro para a obter de outro modo.

Mas se a sua veneração cresceu em primeiro lugar no seio do povo bretão, ela estendeu-se rapidamente aos advogados franceses e não demorou a espalhar-se entre os juristas da Europa e do Mundo.

Depois de canonizado, tornou-se por geral consenso o patrono dos Advogados.
Em Maio de 2003, o Papa João Paulo II, proferiu uma mensagem no VII centenário do nascimento de Santo Ivo. Dessa extensa mensagem, podemos retirar que os valores propostos por Santo Ivo conservam uma atualidade surpreendente: a Europa dos direitos humanos deve fazer com que os elementos objetivos do direito natural permaneçam no fundamento das leis positivas.
 
Justiça

Santo Ivo recorda-nos que o direito foi concebido para o bem das pessoas e dos povos em geral, e que a sua função essencial consiste em salvaguardar a dignidade inalienável do indivíduo em cada uma das fases da sua existência, desde a concepção até à morte.

A vida e obra de Santo Ivo são um bom exemplo e, sem dúvida, um modelo a seguir para todos os que procuram honrar a nobre profissão de advogado.




segunda-feira, maio 16, 2016

ONTEM FOI ASSIM: O SPORT LISBOA E BENFICA CONSAGROU-SE TRI-CAMPEÃO NACIONAL PELA 5.ª VEZ!





Foi na temporada 1976/1977 que o Benfica venceu, pela última vez na sua história, três campeonatos de forma consecutiva. Trinta-e-nove anos depois, o conjunto da Luz voltou a fazer a festa a triplicar.  

A espera foi longa mas terminou já neste domingo. Na derradeira jornada da Liga, as águias lideraram a prova com 85 pontos, mais dois do que o velho rival da 2.ª Circular Repetiram o feito da equipa onde brilharam o malogrado Bento, Minervino Pietra, atual adjunto de Rui Vitória, Fernando Chalana, Shéu Han, que agora é coordenador técnico do clube, Toni, Nené e companhia.  

Mas nem tudo foram rosas nesta caminhada das águias, que tiveram uma pré-época tortuosa. Em cinco jogos, os bicampeões nacionais não conseguiram melhor do que dois empates — com a Fiorentina, derrota nas grandes penalidades, e América, vitória na marca dos 11 metros — e três derrotas (PSG, New York Red Bulls e Monterrey). Foi primeira vez em dez anos que o conjunto da Luz concluiu esta fase da temporada sem qualquer triunfo. Uma semana depois, mais um percalço, com a derrota na Supertaça frente ao rival Sporting.

Começou a contestação a Rui Vitória e ao plantel, que foi aumentando de tom à medida que as semanas iam passando. A 25 de outubro, à passagem da oitava jornada, Jorge Jesus regressou à casa que tinha sido sua durante seis anos e o Benfica caiu com estrondo, perdendo sem apelo nem agravo por 0-3. Com o desaire, a turma leonina conseguiu uma almofada de sete pontos de vantagem e a equipa da Luz já contabilizava três jogos perdidos em oito tentativas.  

Vitória pediu calma aos associados e adeptos do clube e, paulatinamente, os encarnados foram melhorando. A partir daí a equipa começou uma recuperação a todos os níveis assinalável e nem o desaire que sofreu na Luz, na 22.ª ronda, ante o FC Porto, travou a recuperação vermelha.  

Três jornadas depois, em Alvalade, um golo de Mitroglou foi suficiente para o Benfica roubar a liderança ao eterno rival.  Nos últimos 26 jogos do Campeonato, as águias venceram em 24 ocasiões, empataram na Choupana com o União e perderam com o FC Porto em casa. A história também ajudou a equipa encarnada: a única vez que o primeiro classificado à entrada para a última ronda perdeu o título, foi em 1955, quando o Benfica se sagrou campeão graças ao empate do líder Belenenses com o Sporting. Jonas, o "Pistolas", é agora a estrela da equipa. Aos 32 anos, o avançado está a realizar a época mais produtiva da carreira. Jonas foi preponderante na caminhada da turma de Rui Vitória que culminou com a conquista do tão almejado “35”. Só no campeonato, levou 31 golos em 33 jornadas...

A boa época valeu a Jonas a chamada à seleção do Brasil – algo que não ocorria desde 11 de setembro de 2012 – para o duplo confronto diante do Uruguai e do Paraguai. Apesar de ter contrato com o SLB até 2018, o internacional canarinho poderá abandonar a equipa encarnada.

Os milhões da China voltaram a assediar o goleador e infelizmente o calor do verão poderá trazer novidades…

Campeonato Nacional da I Divisão / I Liga, os 34 títulos do Benfica:
1935/1936 | 1936/1937 | 1937/1938 | 1941/1942 | 1942/1943 | 1944/1945 | 1949/1950 | 1954/1955 | 1956/1957 | 1959/1960 | 1960/1961 | 1962/1963 | 1963/1964 | 1964/1965 | 1966/1967 | 1967/1968 | 1968/1969 | 1970/1971 | 1971/1972 | 1972/1973 | 1974/1975 | 1975/1976 | 1976/1977 | 1980/1981 | 1982/1983 | 1983/1984 | 1986/1987 | 1988/1989 | 1990/1991 | 1993/1994 | 2004/2005 | 2009/2010 | 2013/2014 | 2014/2015 | 


(fonte CM)



domingo, maio 15, 2016

À NOITINHA, COM HELDER MAGALHÃES: "CISNE"




CISNE


lá dentro o belo no teu gesto

qual sombra após o imenso

do cisne que fica na água.


HELDER MAGALHÃES



UM POUCO MAIS DE MIA COUTO...




Para te visitar
esquecerei a terra
e apagarei as estrelas.

E irei pelos teus olhos
Até o mundo voltar a ter princípio

Sou eu, dirás,
E o tempo será lembrado.

MIA COUTO
(Raiz de orvalho e outros poemas)



SEXTA-FEIRA 13 (13/5/2016), FOI ASSIM EM MONTALEGRE...






Montalegre celebrou na passada sexta feira a única sexta-feira 13 do ano com uma "festa de arromba" que atraiu cerca de 40 mil visitantes a esta "noite das bruxas", que mexe sempre com toda a economia local.

Desde 2002 que a autarquia, no distrito de Vila Real, festeja as sextas-feiras 13, iniciativa que já faz parte do calendário cultural da região e se tornou numa das mais populares festividades do país.

As sextas-feiras 13 são muito atrativas e acabam por ser um balão de oxigénio para as atividades económicas de Montalegre. São importantes para a restauração, para a hotelaria, bares e para toda a gente que se instala pelas ruas da terra a vender os seus produtos.

Sexta-feira 13 em Montalegre

“Bruxas”, “demónios”, “figuras do além” ou “duendes” rumaram na noite da passada sexta-feira, para a “capital do misticismo”, um evento que se assinala desde 2002 e se tornou numa das maiores festas de rua de Portugal.

Este ano o calendário “deu” apenas uma sexta-feira 13 e por isso mesmo, a festa foi maior.

A festa em Montalegre arrancou às 13:13 e o ponto alto continuou a ser protagonizado pelo padre António Fontes, a quem coube fazer a tradicional queimada, uma bebida feita à base de aguardente, limão, maçã, canela e açúcar e que “esconjura todos os males”.

Este ano a festa prolongou-se até sábado, com uma caminhada “para desintoxicar”, e depois um porco bísaro no espeto que foi assado na praça do município.


Para o ano, em 2017, Montalegre celebrará duas sextas-feiras 13, uma em janeiro e outra em outubro.






sábado, maio 14, 2016

À NOITINHA, COM PEDRO CHAGAS FREITAS: "EU SOU DEUS"




Respira a criança que ri. Olha-a nos olhos, sente-lhe o sonho, a esperança, o futuro. Sente, nela, o sonho, a esperança, o futuro. Sente, nela, que vale a pena continuar, que vale a pena tudo o resto para que algo assim te caia nas mãos - para que algo assim te caia nos olhos.
Respira a chuva que cai, o sol que aquece, o vento que empurra.
Respira o cheiro da terra húmida, a imponência da árvore erguida, a magia das asas de um pássaro.
Respira - para saberes que vale a pena continuar.
  
RESPIRA O SABOR DE UM BEIJO, O TOQUE DE UM AFAGO, O SOM DE UM ARFAR.
RESPIRA A MÃO DE FOGO DE QUEM TE AMA, O SUOR EM ÊXTASE DE QUEM TE CHAMA. E O ABRAÇO QUE NÃO PASSA, E AS PALAVRAS QUE TE EMBRAÇAM, E OS OLHARES QUE TE APERTAM.
RESPIRA - PARA SABERES QUE VALE A PENA CONTINUAR.

PEDRO CHAGAS FREITAS,
in “Eu sou Deus”


ESTA NOITE A MÚSICA ANDA NO AR, COM MELODY GARDOT: "YOUR HEART IS AS BLACK AS NIGHT", "LA VIE EN ROSE", "BABY, I´M A FOOL"





À NOITINHA, COM MIA COUTO: "A CONFISSÃO DA LEOA"











O que sucedeu, na verdade, é que, com o Sol, assim soberano e imenso, tinha nascido o Dia. 

A Noite só se atrevia a aproximar-se quando o Sol, cansado, se ia deitar. 

Com o Dia, os homens esqueceram-se dos tempos infinitos em que todas as estrelas brilhavam de igual felicidade. 

E esqueceram a lição da Noite que sempre tinha sido rainha sem nunca ter que reinar.”


MIA COUTO,
in “A confissão da leoa”











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