Sarah
Jones é a nova revelação do concurso de talentos "Britain's Got
Talent" 2014. Esta bisavó, de 79 anos, impressionou o júri com um momento
virogoso de salsa acrobática, mostrando resistência e flexibilidade, ao dançar
com o seu parceiro Nico Espinosa, 40 anos mais novo…
terça-feira, abril 15, 2014
domingo, abril 13, 2014
DIA MUNDIAL DO BEIJO - Alexandre O'Neill
O BEIJO
O Beijo Congresso de gaivotas
neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o
Tejo.
Querela de aves, pios,
escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.
Donde teria vindo! (Não é
meu...)
De algum quarto perdido no
desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de
despejo?
É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria
vida,
Um coração vermelho pelo ar.
E é a força sem fim de duas
bocas,
De duas bocas que se juntam,
loucas!
De inveja as gaivotas a
gritar...
ALEXANDRE O’NEILL,
in 'No Reino da Dinamarca'
sexta-feira, abril 11, 2014
TRIBUTO A MANUEL BANDEIRA NO 40.º ANIVERSÁRIO DA SUA MORTE
O ÚLTIMO POEMA
Assim eu quereria meu último
poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples
e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem
perfume
A pureza da chama em que se consomem os
diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem
explicação.
MANUEL BANDEIRA
Com estes versos homenageamos o poeta Manuel
Bandeira na passagem dos 40 anos de seu falecimento (13/10/1968).
quinta-feira, abril 10, 2014
NO COMEÇO DA NOITE...Com Luís Vaz de Camões
TRANSFORMA-SE O AMADOR NA COUSA
AMADA
Transforma-se o amador na cousa
amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que
desejar,
Pois em mim tenho a parte
desejada.
Se nela está minha alma
transformada,
Que mais deseja o corpo de
alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois com ele tal alma está
liada.
Mas esta linda e pura semideia,
Que como o acidente em seu
sujeito,
Assim co'a alma minha se
conforma,
Está no pensamento como ideia;
E o vivo e puro amor de que sou
feito,
Como a matéria simples busca a
forma.
LUÍS VAZ DE CAMÕES,
in "Sonetos"
domingo, abril 06, 2014
O ADEUS DOS SILENCE 4
Os Silence 4 actuaram na noite deste sábado, 05 de Abril,
naquele que anunciaram como o último concerto da Songbook 2014 e o último
concerto da banda. 16 anos depois, a Meo Arena, ex-Pavilhão Atlântico, voltou a
encher-se para ouvir o maior fenómeno leiriense de sempre.
Foi com pena que li esta notícia na imprensa diária.
Se dúvidas havia de que os portugueses não se esqueceram de
quem são os Silence 4, mesmo com uma pausa de 13 anos, a noite passada serviu
para perceber que as memórias ainda estão todas muito frescas. Mesmo daqueles
que nunca os tinham visto ao vivo. A Meo Arena recebeu-os para o
"último" concerto da mini-digressão que encetaram para celebrar a
luta que Sofia Lisboa atravessou contra o cancro.
O último adeus foi com "Angel Song", a música que
marcou a batalha de Sofia e que serviu de mote para o regresso aos
palcos dos Silence 4. A ter sido o derradeiro final, foi sem dúvida o melhor
que podiam ter feito para se despedirem dos palcos. Aos fãs, resta esperar que
lancem todas aquelas músicas que dizem ter guardadas e voltem aos palcos, de
preferência sem que tenham passado mais 13 anos.
Silence 4 despediram-se dos palcos com "lágrimas
de alegria"
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MÚSICA- O Adeus dos Silence 4
FINAL DE TARDE COM MIA COUTO...
AMEI-TE
SEM SABERES
No
avesso das palavras
na contrária face
da minha solidão
eu te amei
e acariciei
o teu imperceptível crescer
como carne da lua
nos nocturnos lábios entreabertos
E amei-te sem saberes
amei-te sem o saber
amando de te procurar
amando de te inventar
No contorno do fogo
desenhei o teu rosto
e para te reconhecer
mudei de corpo
troquei de noites
juntei crepúsculo e alvorada
Para me acostumar
à tua intermitente ausência
ensinei às timbilas
a espera do silêncio
Mia
Couto,
in
'Raiz de Orvalho'
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POEMAS SOLTOS-Amei-te Sem Saberes. Mia Couto
"ROQUE SANTEIRO" DEIXOU-NOS - MORTE DO ATOR BRASILEIRO JOSÉ WILKER
O
mundo artístico e não só, lamentou a morte do ator e diretor cearense, morto
aos 66 anos no Rio de Janeiro.
Pouco
tempo após o anúncio da morte do ator José Wilker, vítima de infarto aos 67 anos, milhares de pessoas já expressavam as suas condolências pelas redes
sociais. Várias celebridades lamentaram publicamente a morte de um dos mais
influentes artistas do teatro, televisão e cinema brasileiros.
Guilhermina
Guinle,ex-mulher de José Wilker, lamentou: “É um pedaço da nossa vida que vai
embora…”
Em
Portugal, também a falta da sua presença nos meios da comunicação essencialmente televisiva
certamente será motivo de profundo pesar.
Descanse
em paz.
sábado, abril 05, 2014
PELA NOITE...Com António Gedeão
PEDRA FILOSOFAL
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
António Gedeão
In Movimento Perpétuo, 1956
sexta-feira, abril 04, 2014
PAPA RECEBE ISABEL II NO VATICANO
Numa
tentiva mais da aproximação das diversas igrejas, o Papa Francisco recebeu no
Vaticano a Rainha Isabel II, para um breve e cordial encontro entre os “líderes
máximos” das Igrejas Católica e Anglicana.
A
última visita da monarca britânica à Santa Sé foi em 2000, quando foi recebida
por João Paulo II.
O
encontro entre o Sumo Pontífice e Isabel II, acompanhada pelo marido, o duque
de Edimburgo, foi precedido da tradicional troca de prendas.
O
Papa Francisco, que recebeu uma cesta de produtos britânicos ofereceu em troca,à
monarca, uma cópia do decreto de canonização de Santo Eduardo “O Confessor”,
rei de Inglaterra entre 1043 e 1066,
Antes
do encontro com o líder da Igreja Católica, Isabel II foi convidada pelo presidente italiano, Giorgio Napolitano,
para um almoço no Palácio do Quirinale.
Deslocação demasiado breve...
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ATUALIDADE- Rainha Isabel II no Vaticano
terça-feira, abril 01, 2014
PELA NOITE...Com Carlos Drummond de Andrade
AMIGO
Não
precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia,
de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da
brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não
ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam
consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é
imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos
os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro,
mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de
assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter
ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir
pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve
gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos
gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas
simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo
e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da
realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos
molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a
pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se
de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em
busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas
que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
CARLOS
DRUMMOND DE ANDRADE
Rio
de Janeiro RJ
1913/10/19
- 1980/07/09
Brasil
(Modernismo,
Segunda Geração)
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PELA NOITE- Carlos Drummond de Andrade.
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