sábado, maio 20, 2017

PELA NOITE, COM RUY BELO: "TU ESTÁS AQUI"




TU ESTÁS AQUI

Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigado
passado nas pernas de sala em sala. Sou só estas salas estas paredes
esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa
essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol
Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso
diante dos dias. Que ninguém conheça este meu nome
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro
nome embora no mesmo nome este nome
de terra de dor de paredes este nome doméstico
Afinal fui isto nada mais do que isto
as outras coisas que fiz fi-Ias para não ser isto ou dissimular isto
a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome
                                                                                        que não merda
e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das
                                                                                        outras coisas
Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto
pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa
uma coisa para além disto que não isto
Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo
é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos
mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos
tu és em cada gesto todos os teus gestos
e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como
                                                                                                   a palavra paz
Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
perdoa pagares tão alto preço por estar aqui
perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui
prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente
deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias
e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer
sou isto é certo mas sei que tu estás aqui



RUY BELO,
in "Toda a Terra"



Ruy Belo
Ruy Belo Nascimento nasceu em 1933 e veio a falecer em Lisboa, em 1978. Poeta e ensaísta, natural de São João da Ribeira, Rio Maior, licenciado em Filologia Românica e em Direito pela Universidade de Lisboa, obteve o grau de doutor em Direito Canónico pela Universidade Gregoriana de Roma, com uma tese intitulada Ficção Literária e Censura Eclesiástica. Exerceu, ainda que por pouco tempo, o cargo de diretor-adjunto no então Ministério da Educação Nacional, mas o seu relacionamento com opositores ao regime da época, a participação na greve académica de 1962 e a sua candidatura a deputado, em 1969, pelas listas da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD), levaram a que as suas atividades fossem vigiadas e condicionadas.
Ocupou, ainda, um lugar de leitor de Português na Universidade de Madrid (1971-1977). Regressado, então, a Portugal, foi-lhe recusada a possibilidade de lecionar na Faculdade de Letras de Lisboa, dando aulas na Escola Técnica do Cacém, no ensino noturno. Viria a falecer um ano mais tarde, aos 45 anos.

Obras poéticas:
Aquele Grande Rio Eufrates (1961)
O Problema da Habitação (1962)
Boca Bilingue (1966)
Homem de Palavras (1969)
Na senda da poesia ([[1969}})
Transporte no Tempo (1973)
País Possível (1973)
A Margem da Alegria (1974)
Toda a Terra (1976)
Despeço-me da Terra da Alegria (1977).
Todos os Poemas (2001)


Voz: Luís Miguel Cintra



segunda-feira, maio 15, 2017

PELA NOITE, COM NARA RÚBIA RIBEIRO: "ESCRIVANINHA"




ESCRIVANINHA


Eu sou a escrivaninha do tempo.
Sou linha que acaso aninha
E esperança que resvalou no sol.

Sou o espaço na memória: descaso.
Sou o lasso passo do intelecto.
Um retrospeto,
Uma fagulha do que já fui.

Sou mil vidas somadas e desgastadas na espera.
Sou o infinito que não fui,
O futuro que flutua.
Sou o poema amassado e jogado na grama,
Mas que ainda ama
A mão aflita que ingratamente o rasgou.

Sou palavra amiga.
Sou peito que se entrega e que releva
E pouco leva de si.

Sou a sobra dos meus “nãos” profundos:
Um mundo de sinais,
Vitrais dos dias vividos.
Sou água, sou barco, sou branco,
Sou cais.
Mas na soma dos meus atritos,
Eu consigo enxergar que sou mais.



NARA RÚBIA RIBEIRO
Goiânia, 2008



Nara Rúbia Ribeiro
Nara Rúbia Ribeiro nasceu, em 1977, em São Luis de Montes Belos, interior do Estado de Goiás. Ainda na adolescência, mudou-se para Goiânia.
Estudou Direito e especializou-se em Direito Penal. A sua grande inclinação, contudo, na esfera jurídica, gira em torno dos Direitos Humanos.

Nascida no seio de uma família protestante, dedicou-se ao estudo da Teologia Cristã. interessando-se ainda a compreender outras vertentes religiosas espiritualistas. Para Nara, Deus é Poesia.

Escreve desde os 9 anos de idade. O seu primeiro livro, “Não Borboletarás”, foi publicado o seu primeiro livro no ano de 2013, pela Editora Kelps.

Outros poemas na da autora em:
Escritos de Nara Rúbia Ribeiro
Revista Pazes



ESTA NOITE A MÚSICA ANDA NO AR, COM SALVADOR SOBRAL, AGORA TAMBÉM VENCEDOR DA 62.º EDIÇÃO DO EUROFESTIVAL DA CANÇÃO 2017: "AMAR PELOS DOIS"





Hoje “PRETO BRANCO, E…” escolhe de novo a canção “Amar Pelos Dois”, que ganhou vida com os irmãos Sobral e foi a grande vencedora do Festival da Canção 2017, no ano do 60.º aniversário da RTP, e agora a 62.ª edição do Festival da Eurovisão 2017, para acompanhar a nossa noite, amigos.

A música, escrita por Luísa Sobral e cantada por Salvador Sobral, conquistou os portugueses e agora o mundo, e foi a representante nacional em Kiev, no Festival Eurovisão da Canção 2017, que se realizou  no passado dia 12 de maio. “Amar Pelos Dois” é uma música cuja harmonia e melodia remetem um pouco para o cancioneiro americano e ao mesmo tempo para a bossanova. Luísa Sobral, irmã de Salvador, nunca teve dúvidas sobre o intérprete: “Salvador começou a cantar mesmo antes de falar. É o melhor cantor que conheço e a canção foi concebida, desde o início, para ele”.

Salvador Sobral conseguiu a pontuação máxima - 758 pontos - na votação combinada dos júris nacionais e do público. A mais alta pontuação de sempre num Festival da Eurovisão. Salvador voltou a cantar e a encantar na final, com muitos aplausos.
Depois, voltou a subir ao palco para cantar de novo. Desta vez, na companhia da sua irmã Luísa Sobral, que compôs a música.

A final do Festival Eurovisão da Canção foi disputada no Centro Internacional de Exposições de Kiev, na Ucrânia, por 26 países. O vencedor foi decidido pelo voto do público e por um júri profissional de cada um dos países participantes.

PALMAS E UM SENTIDO BRAVO PARA OS DOIS IRMÃOS.

BOA NOITE, AMIGOS!

AMAR PELOS DOIS

Se um dia alguém
Perguntar por mim
Diz que vivi
Para te amar
Antes de ti
Só existi
Cansado e sem nada p’ra dar
Meu bem
Ouve as minhas preces
Peço que regresses
Que me voltes a querer
Eu sei
Que não se ama sozinho
Talvez devagarinho
Possas voltar a aprender
Se o teu coração
Não quiser ceder
Não sentir paixão
Não quiser sofrer
Sem fazer planos
Do que virá depois
O meu coração
Pode amar pelos dois

LUÍSA SOBRAL


Voz: Salvador Sobral
Música: Luísa Sobral
Canção vencedora do Festival da Canção 2017, Portugal.
Canção vencedora de Festival Eurovisão 2017. Kiev.






PELA NOITE, COM ANTÓNIO RAMOS ROSA: "POEMA DUM FUNCIONÁRIO CANSADO"




POEMA DUM FUNCIONÁRIO CANSADO


A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?

Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só


ANTÓNIO RAMOS ROSA,
in "O Grito Claro"




António Ramos Rosa
António Victor Ramos Rosa, nasceu em Faro, Portugal, no dia 17 de outubro de 1924 e morreu em Lisboa, em setembro de 2013. Foi um poeta, português, tradutor e desenhador. Ramos Rosa estudou em Faro, não tendo acabado o ensino secundário por questões de saúde
Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, Ramos Rosa tomou o rumo para Lisboa, depois de ter passado a juventude em Faro. Na capital, vivendo intensamente a vitória dos Aliados, trabalhou no comércio, atividade que logo abandonou para se dedicar à poesia. Nos anos cinquenta, um dos diretores das revistas Árvore, Cassiopeia e Cadernos do Meio-Dia. Colaborou ainda com textos de crítica literária na Seara Nova e na Colóquio Letras, entre outras publicações periódicas.

Como poeta, estreou-se na coletânea O Grito Claro (1958). Estava criado o movimento da moderna poesia portuguesa. Ramos Rosa era o poeta do presente absoluto, da «liberdade livre» e sobe todos os degraus da admiração europeia. Em Portugal é comparado com os grandes escritores nacionais. Urbano Tavares Rodrigues considerou-o como o empolgante poeta da coisas primordiais, da luz, da pedra e da água. Em meados dos anos sessenta, Ramos Rosa radicou-se em Lisboa, onde publicou Viagem Através Duma Nebulosa (1960). Um dos mais fecundos poetas portugueses da contemporaneidade, a sua produção reflete uma evolução do subjetivismo, em relação à objetividade. Refletem-se nela variadas tendências, desde certas formas experimentais até a um neobarroquismo. A sua escrita, caracterizada por uma grande originalidade e riqueza de imagens tácteis e visuais, testemunha muitas vezes uma fusão com a natureza, uma busca de unidade universal em que o humano participa e se integra no mundo, estabelecendo uma linha de continuidade entre si e os objetos materiais, numa afirmação de vida e sensualidade. Nos seus textos, está frequentemente presente uma reflexão sobre o próprio ato da escrita e a natureza da criação poética, a questão do dizível e do indizível.


Ramos Rosa, também tradutor, escreveu dezenas de volumes de poesia, entre os quais Voz Inicial (1960), Sobre o Rosto da Terra (1961), Terrear (1964), A Constituição do Corpo (1969), A Pedra Nua (1972), Ciclo do Cavalo (1975), Incêndio dos Aspectos (1980), Volante Verde (1986, Grande Prémio de Poesia Inasset), Acordes (1989, Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores), Clamores (1992), Dezassete Poemas (1992), Lâmpadas Com Alguns Insectos (1993), O Teu Rosto (1994), O Navio da Matéria (1994), Três (1995), As Armas Imprecisas (1992, Delta, Pela Primeira Vez (1996) e A Mesa do Vento (1997, primeiramente editado em França), Pátria Soberana e Nova Ficção (2000). Entre os seus ensaios, contam-se Poesia, Liberdade Livre (1962), A Poesia Moderna e a Interrogação do Real (1979), Incisões Oblíquas (1987), A Parede Azul (1991) e As Palavras (2001). Tem recebido numerosos prémios nacionais e estrangeiros, entre os quais o Prémio Pessoa, em 1988. É geralmente tido como um dos grandes poetas portugueses contemporâneos. Para Ramos Rosa, escrever é, sempre, a necessidade de respirar as palavras e de às palavras fornecer o frémito do ser, os pulmões do sonho, e, com elas, criar a dádiva do poeta. Em 2001, o poeta lançou Antologia Poética, com prefácio e seleção de Ana Paula Coutinho Mendes


Voz:José-António Moreira




AS "ROSAS DE OURO" QUE OS PAPAS OFERECEM...




O Papa Francisco  ofereceu uma Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima, uma das distinções mais importantes concedidas a santuários e instituições católicas, na tarde desta sexta-feira, 12 de maio, após a oração na Capelinha nas Aparições. Uma confirmação da validade universal e intemporal da mensagem de Fátima, segundo o padre Vítor Coutinho, vice-reitor do Santuário de Fátima. Foi o segundo papa a entregar pessoalmente esta distinção.

A última vez que Francisco cumpriu o gesto de oferecer uma Rosa de Ouro, uma oferta tradicional dos Papas a santuários marianos, foi em julho de 2016, em Czestochowa, Polónia. Antes tinha-o feito em Guadalupe (México) e no Santuário de Nossa Senhora da Caridade do Cobre (Cuba).

O Santuário de Fátima já recebeu duas Rosas de Ouro, distinção criada em 1049 por Leão IX e que os Papas atribuem em reconhecimento de serviços prestados à Igreja ou à sociedade por personalidades e instituições católicas.
A primeira Rosa de Ouro do Santuário de Fátima foi concedida pelo Papa Paulo VI, em 21 de novembro de 1964, no fim da terceira sessão do Concílio Vaticano II, e entregue a 13 de maio de 1965 pelo cardeal Fernando Cento, legado do Papa.
Bento XVI foi o primeiro pontífice a entregar pessoalmente a Rosa de Ouro, durante a oração que recitou na Capelinha das Aparições, a 12 de maio de 2010.

A Rosa de Ouro surgiu no início da Idade Média. A primeira referência está testemunhada numa bula de 1049, pela qual o Papa Leão IX isentou o Convento de Santa Cruz de Woffenheim (Alsácia), com a condição da abadessa enviar anualmente uma Rosa de Ouro à Santa Sé. Segundo a crónica de São Martinho de Tours, a mais antiga das ‘’Rosas de Ouro’’ conhecida teria sido aquela que o Papa Urbano II enviou a Fulque IV de Anjou, em 1096. 

O Papa Francisco oferece a terceira Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima

Desde a Baixa Idade Média a honraria da Rosa de Ouro para honrar um soberano substituiu a honraria das Chaves da Confissão de São Pedro, ou Chaves de Ouro, instituída no século VIII, pelo Papa Gregório II.

A data exata da instituição da rosa é desconhecida. De acordo com alguns é anterior a Carlos Magno (742-814), de acordo com outros teve sua origem no fim do século XII. Mas certamente já existia antes do ano 1050, quando o Papa Leão IX (1051) fala da Rosa de Ouro como uma instituição já antiga, no seu tempo. 
O costume de oferecer a Rosa de Ouro, teve início quando os papas se transferiram para Avinhão, continuando depois que o papado retornou para Roma.

O príncipe condecorado recebia a Rosa de Ouro do papa, numa cerimónia solene, acompanhado pelo Sacro Colégio dos Cardeais. No início do século XVII passou a ser oferecida somente a rainhas e princesas. Aos imperadores, reis e príncipes eram oferecidos presentes mais apropriados, como espadas. Mas, se um monarca estivesse presente em Roma, no Domingo Lætare(Domingo da Alegria), poderia receber a Rosa de Ouro. O ofício de entregar a Rosa de Ouro aos que residiam fora de Roma foi dado, pelos papas aos Cardeais Legados, aos núncios, aos inter-núncios e aos delegados apostólicos.

Em tempos mais recentes, depois do Concílio Vaticano II, a condecoração pontifícia passou a ser presente dos papas a Nossa Senhora: Fátima em 1965 por Paulo VI; Aparecida no Brasil, em 1967 por Paulo VI; de Luján em 1982 por João Paulo II; de Guadalupe; de Loreto; da Evangelização em Lima, Peru, em 1988, por João Paulo II; de Jasna Gora em Częstochowa, Polônia, em 2006 pelo Papa Bento XVI; Aparecida no Brasil, em 2007, por Bento XVI, e Pompeia, na Itália, em 2008, por Bento XVI.

A rosa é colocada numa mesa com velas e o papa procede à bênção revestido dos paramentos cor-de-rosa (Gaudete et Lætare) e com uma mitra preciosa. A bênção da Rosa de Ouro difere da bênção das rosas comuns. Após os versículos usuais, o pontífice recita a oração poética. Terminada a oração, o papa coloca incenso no turíbulo, que lhe é entregue por cardeal-diácono e incensa o bálsamo e o almíscar, colocando-os no receptáculo do miolo da rosa. Depois incensa a rosa e asperge-a com água benta. O ornamento é então dado ao clérigo o mais novo da Câmara Apostólica, que o carrega na frente do papa até a capela, onde é colocado no altar no pé da cruz em cima de um véu de seda rosa ricamente bordado, onde permanece. Após a missa, a rosa é levada, em procissão, para a sacristia, onde é posta com cuidado num lugar preparado para ela, até que seja oferecida a alguma personagem digna.

Os Papas Paulo VI e Bento XVI oferecem, respetivamente, a primeira e segunda Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima

A maior parte das Rosas de Ouro foram fundidas pelos seus destinatários, para reutilização do ouro, com fins monetários.
Os exemplares antigos que subsistem são poucos:
- No tesouro da catedral de Benevento.
- No Museu Sacro da Biblioteca Vaticana.
- Na Arquibasílica de São João Latrão.
-.No Museu Nacional da Idade Média, no hôtel de Cluny, em Paris, onde se encontra a Rosa de Ouro feita por Minúquio de Sena, a mais antiga das que subsistem.
-.No Palácio da Comuna ( Palazzo Communale ) de Siena
-.No Tesouro (Schatzkammer = câmara abobadada) do Palácio Imperial de Hofburg, em Viena.
-.No Museu Arquidiocesano de Arte Sacra no Rio de Janeiro.
- 3 no Santuário de Fátima, Portugal.

Na imagem que inicia esta publicação podem ver-se, da esquerda para a direita: a Rosa de Ouro de Minúquio de Sena (1330), a mais antiga das ainda conservadas, no Museu Nacional da Idade Média, Paris. Foi oferecida em 1330 pelo Papa João XXII a Rodolfo III de Nidau, Conde de Neuchâtel. E ainda a Rosa de Ouro da Biblioteca Apostólica Vaticana e a Rosa de Ouro oferecida ao Santuário de Fátima, pelos 3 papas.





domingo, maio 07, 2017

PELA NOITE, COM JOÃO MORGADO: "GAIA DEUSA-TERRA PARIDEIRA"




GAIA DEUSA-TERRA PARIDEIRA


       Era uma vez... e era uma vez primeira.
E era uma vez ninguém, mas que se fez parideira.
E passou a ser alguém. E era uma vez uma mãe.
E era uma vez uma deusa.
Não porque era deusa, mas porque era mãe.
E era uma vez o céu também, a cobrir a terra inteira.
E era uma vez a deusa-mãe a tirar filhos da algibeira.
E era uma vez muitos filhos de uma só mãe.
Alguns eram filhos dos filhos e eram filhos também.


E no útero de uma mãe cabe
a profundidade do mar e a altivez da montanha.
E por vezes cabe a dor tamanha
de gerar toda uma guerra de titãs.
Porque nem todos os filhos são manhãs,
e às vezes, quantas vezes, são revezes e escuridão,
porque se uns são filhos, os outros filhos são,
mas uns nascem na luz e outros não.


E por vezes, por vezes é preciso dar tempo ao tempo
para que a terra do céu seja decepada,
porque o útero que gera o amor também gera a espada.


E por vezes, quantas vezes, sabemos bem,
serem os filhos os carrascos de sua mãe.
e a morte será a filha derradeira,
da deusa-mãe, terra-parideira.



JOÃO MORGADO,
 Poesia Arte 



PARA TODAS AS MÃES DO MUNDO, O MEU ETERNO ABRAÇO - Para Elas, um dos maiores poetas de sempre: Fernando Pessoa



O MENINO DE SUA MÃE


No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe

O menino de sua mãe
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe


FERNANDO PESSOA

Voz: Luís Gaspar

Antes de mais, deve-se saber que Fernando Pessoa foi um extraordinário poeta e uma das personalidades mais complexas e representativas da literatura europeia do séc. XX
O poema “O menino de sua Mãe”, publicado na revista Contemporânea, III Série, n.º 1, em 1926, é porventura um dos mais conhecidos dos poemas ortónimos de Pessoa, ou seja, poemas que ele publicou usando o seu próprio nome e não um nome de um heterónimo. Quando o publica Fernando Pessoa tem 38 anos e está num período de grande criatividade poética. No entanto, este poema muitas vezes analisado superficialmente, é capital na análise de um fundo de dor que para sempre assolaram o poeta e pensador até ao fim dos seus dias.




quinta-feira, maio 04, 2017

PELA MÃO DO PAPA FRANCISCO, "SUSPENSÃO" ILUMINARÁ O MUNDO





O Santuário de Fátima apresentou há dois dias, em conferência de imprensa, a nova obra da artista plástica Joana Vasconcelos, um terço gigante que se vai iluminar à noite, assinalando o Centenário das Aparições.

Suspensão, o seu nome, foi realizado em resina de polietileno, com iluminação LED, e tem 26 metros de altura.

A peça vai ser iluminada pela primeira vez na noite do dia 12 de maio, quando o Papa Francisco entrar no recinto de oração do Santuário de Fátima para rezar o terço. A partir daí, vai acender-se às 21h30 em cada noite, à hora em que inicia a oração do rosário nas vigílias de oração na Cova da Iria.

Joana de Vasconcelos diz-nos que a sua relação com o Santuário de Fátima se transformou graças a uma peregrinação a Fátima feita pela artista no ano de 2002. Fala-nos ainda da sua gratidão e sente-se lisonjeada por colaborar e fazer parte destas celebrações do Centenário das Aparições, centenário que considera “um momento de suma importância para Portugal e portugueses. Uma verdadeira mensagem de paz”:

“Esta mensagem de paz é muito importante neste momento e é ainda importante que haja símbolos que ajudem a passar esta mensagem de paz de tolerância e de amor para o mundo. Suspensão procura refletir a relação entre o céu, a terra e a luz”, acrescentou.


Suspensão é sem dúvida o terço, símbolo maior da Mensagem da Cova da Iria. Oração que a Virgem Maria pediu aos Pastorinhos de Fátima, com o propósito muito claro de alcançar a paz para todo o mundo.  

(Fonte: Agência Ecclesia)



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