quinta-feira, abril 13, 2017

PELA TARDE, COM JOÃO MORGADO: "NUNCA MAIS"




NUNCA MAIS

Nunca mais a cama fria,
a noite de insónia, a vida vazia.
Nunca mais as palavras não ditas, 
nunca mais, os sonhos adiados,
os gestos parados, 
nunca mais...cada sonho que fique para depois!
Nunca mais.


JOÃO MORGADO


IMAGEM DO DIA






segunda-feira, abril 10, 2017

PELA NOITE, COM DAVID MOURÃO-FERREIRA: "AS ÚLTIMAS VONTADES"



AS ÚLTIMAS VONTADES



Deixa ficar a flor,
a morte na gaveta,
o tempo no degrau.
Conheces o degrau:
o sétimo degrau
depois do patamar;
o que range ao passares;
 o que foi esconderijo
do maço de cigarros
fumado às escondidas...

Deixa ficar a flor.

E nem murmures. Deixa
o tempo no degrau,
a morte na gaveta.
Conheces a gaveta:
a primeira da esquerda,
que se mantém fechada.
Quem atirou a chave
pela janela fora?
Na batalha do ódio,
destruam-se, fechados,
sem tréguas, os retratos!

Deixa ficar a flor.

A flor? Não a conheces.
Bem sei. Nem eu. Ninguém.

Deixa ficar a flor.

Não digas nada. Ouve.
Não ouves o degrau?
Quem sobe agora a escada?
Como vem devagar!
Tão devagar que sobe...
Não digas nada. Ouve:
é com certeza alguém,
alguém que traz a chave.

Deixa ficar a flor.

DAVID MOURÃO-FERREIRA





sexta-feira, abril 07, 2017

PELA NOITE, COM TERESA A. GONÇALVES: "COLOMBINA E ARLEQUIM"





COLOMBINA E ARLEQUIM


Do meu corpo
Dou em parte
O que sobrou da fantasia,
Mas agora ele já torto
Teve engenho, teve arte,
Enquanto ele crescia.


Fui noiva da minha vida,
Na mão com uma flor
E no dedo c’uma aliança.
Mas numa história cumprida,
Também viúva na dança
Levei p'ra cova o amor.


Retomo parte de mim,
Numa alma que não envelhece.
A vida p’ra mim é magia,
Eu Colombina, tu Arlequim,
E tudo ainda acontece
Quando a dança se recria.



TERESA A. GONÇALVES
Dia da Poesia 2017




UMA PÁSCOA DE SONHO - FELIZ PARA TODOS!





Peter Carl Fabergé foi um joalheiro russo nascido em São Petersburgo, Rússia. Foi um dos mais importantes ourives, joalheiros e designers da história das artes de decoração fina de objetos. Primeiro filho do também joalheiro Gustav Fabergé, aos 16 anos começou a trabalhar na empresa do pai e passou a trabalhar independentemente aos 21.

Estudou na Alemanha, Itália, França e Inglaterra,  mas depois de se casar com Augusta Jakobs, de quem teve quatro filhos, que também se tornaram desenhistas da Casa de Fabergé, assumiu o negócio do pai (1870), com 24 anos de idade. O seu irmão mais jovem, Agathon, também educado como joalheiro, associou-se a ele em Dresden (1882) e a empresa iniciou o seu período de sucesso mais brilhante. Juntos, atingiram a fama rapidamente, ganhando a Medalha de Ouro (1882) numa exposição na Rússia onde a esposa do Czar Alexander III lhes comprou um dos seus trabalhos.

                        Primeira Casa Fabergé, São Petersburgo                                                       Busto de Carl Fabergé

O grande prestígio dos Fabergé deveu-se principalmente à série incomparável dos Ovos de Páscoa Imperial, cerca de 56 (1884-1917). Dez destes ovos foram feitos para o Czar Alexander III como presentes para a czarina (1884-1894). O seu substituto, Nicholas II, comprou mais 44 ovos (1894-1918) para presentear a sua mãe e a sua esposa. Dois outros ovos só são conhecidos por fotografias e destes, apenas um se salvou após a Revolução de outubro (1917). Com lojas em Moscovo e São Petersburgo, fundou um seminário de artesãos em Moscovo (1887) e nos vinte anos seguintes, abriu filiais em Odessa, Londres, Paris, Cannes, Roma e Kiev, onde empregou três centenas de artesãos, a maioria formada no seminário da capital dos czares. Viajava regularmente entre Paris, Cannes, Roma, Moscovo etc, sem conseguir satisfazer a procura pelas suas luxuosas mercadorias.

Recebeu a medalha de ouro da exposição Paris Universelle (1900) e até à Revolução, cerca de 37 anos, a Casa Fabergé produziu cerca de 150 mil peças, dando a conhecer o domínio das várias técnicas do esmaltado, do ouro e cores diferentes como o amarelo, branco, verde e vermelho e ainda tons subtis como o laranja, cinzento e ouro azul. Conjuntamente com a Rússia imperial, durante o Primeira Guerra Mundial, a maioria dos artesãos da Casa Fabergé trabalhou no fabrico de armamentos para o exército.

Retrato de Carl Fabergé                                                           Museu Fabergé em Baden-Baden

Depois da Revolução bolchevique e do assassinato posterior da família imperial, Fabergé, pela Alemanha, fugiu para a Suíça, onde morreu em 24 de setembro de 1920, no Hotel Bellevue, em Lausanne. Em 1929 a sua família transladou os seus restos mortais para Cannes, conjuntamente com os de sua esposa, que morreu em 1925.


FELIZ PÁSCOA!





quarta-feira, abril 05, 2017

PELA NOITE, COM JOSÉ LUÍS TINOCO: "NO TEU POEMA"



NO TEU POEMA


Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida
No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da senhora da agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.


JOSÉ LUÍS TINOCO

Pintura de Santiago Carbonell,
Retoque de: 




José Luís Tinoco (Leiria, 27 de dezembro de 1932) é um arquiteto, pintor, ilustrador, cartoonista, músico e letrista português.
Nascido numa família onde se dava grande relevância às artes plásticas, foi com naturalidade que ingressou na Escola Superior de Belas-Artes do Porto para cursar arquitectura, mas acabou por concluir a licenciatura em Lisboa, na ESBAL. Na década de 50 foi elemento activo do do movimento de renovação da arquitectura portuguesa, abrindo o seu próprio atelier. Ao mesmo tempo, desenvolvia actividades nas suas outras paixões: a música e as artes gráficas. Assim, dedicou-se à pintura e à ilustração de capas de livros e discos, bem como a uma colaboração assídua com os Correios de Portugal para quem assinou a ilustração de várias dezenas de selos.
Como pintor expôs, pela primeira vez, em 1956, tendo desde aí participado em numerosas exposições individuais e colectivas. Realizou um filme de animação a partir da obra O que diz Molero de Dinis Machado.
Para o grande público, José Luís Tinoco é particularmente conhecido como autor da música e, algumas vezes, também da letra de canções que obtiveram grande sucesso, tais como "O amarelo da Carris", "Um homem na cidade" e "No teu poema", todas cantadas por Carlos do Carmo. Em 1975 escreveu a letra e a música de "Madrugada" (interpretada por Duarte Mendes), que representou Portugal no Festival Eurovisão da Canção desse ano.




ESTA NOITE A MÚSICA ANDA NO AR , COM MICHAEL BUBBLÉ




Hoje "Preto, Branco, E..." convidou o fabuloso Michael Bubblé para a nossa noite de Dança e Música.
Life is a new dawn, a new day, life is beautiful!

BOA NOITE, AMIGOS




segunda-feira, abril 03, 2017

ESTA NOITE A MÚSICA ANDA NO AR, COM JOHN LEGEND



Hoje Preto, Branco, E..., escolheu como convidado da nossa noite, John Legend, 
com todo o seu soul, romantismo e charme. 
Palavras, para quê?...

BOA NOITE, AMIGOS!




domingo, abril 02, 2017

IMAGEM DO DIA, COM CRISTIANO RONALDO






CRISTIANO RONALDO GANHA NO OURO...MAS PERDE NO BRONZE!



Cristiano Ronaldo ganha no ouro, mas perde no bronze.

Quem viu o último busto do jogador colocado no recém rebatizado Aeroporto Cristiano Ronaldo, na ilha Madeira, ficou com cara de estátua. A sorte e o esforço acompanham-no na marcação de golos, na vitória de títulos e de bolas de ouro, mas a lenda do futebol internacional não se livra do azar quando o tentam imortalizar.

A ideia era fazer uma homenagem ao filho da terra, mas a figura pouco lisonjeira de CR7 foi considerada uma bola ao poste do escultor local, Emanuel Santos. Mesmo com toda a definição muscular, Cristiano Ronaldo parece bem difícil de esculpir. As estátuas do rosto de várias marcas têm os traços “fora de jogo”. Assim sendo, o melhor é chutar esta maldição para "canto".
A escultura foi tema de conversa durante muitas horas e alvo de críticas e comentários jocosos. O autor, um autodidata desempregado, que fez limpezas no aeroporto, garante que quase só tem recebido elogios.

"O Cristiano disse-me que gostou", declarou publicamente o escultor do polémico busto, Emanuel Santos de 40 anos, em Machico, Madeira, ainda mal refeito do impacto mundial do busto em bronze de Cristiano Ronaldo, da sua autoria. A fama não é de todo positiva, como tem sido visível nas redes sociais e junto de alguma imprensa internacional.

Emanuel assume-se como um autodidata que, desde há dois anos, se dedica a 100% à escultura. Trabalhou nas limpezas do aeroporto da Madeira, mas está desempregado desde o início do ano.

Emanuel Santos, autor do busto de Cristiano Ronaldo, também trabalha na construção naval.

Tinha o sonho de fazer uma escultura de Cristiano Ronaldo e conseguiu. Mal apareceu a oportunidade, aproveitou-a. Ninguém lhe pediu o trabalho, foi ele que propôs fazê-lo.
No currículo conta com duas obras que estão expostas na Madeira - uma de pescadores para Machico e outra de lenhadores na mesma freguesia -, mas nenhuma teve a repercussão pública da que fez do craque da seleção nacional e do Real Madrid. Aos comentários negativos, Emanuel argumenta: “Uma escultura é uma escultura e uma fotocópia uma fotocópia.” Aos comentários nas redes sociais, Emanuel Santos deixa uma garantia: Cristiano, a família dele, o aeroporto da Madeira e o Governo Regional da Madeira gostaram.

“Eu tinha o conhecimento de que se ia associar o nome do Cristiano Ronaldo ao aeroporto da Madeira e, por iniciativa própria, propus fazer um trabalho, um busto que pudesse ficar associado à cerimónia. Falei com as entidades competentes, a direção do aeroporto da Madeira, expus a minha ideia e mandaram avançar. Entretanto, quando já tinha o busto em gesso, mostrei à direção, eles gostaram do que viram e mandaram-me prosseguir.

O Cristiano viu as fotos que o irmão lhe mandou. Eu estive com o irmão no museu do Cristiano e, pelas mensagens do Ronaldo, percebi que ele gostou do que viu. Só mandou alterar umas rugas, que dão uma certa expressão no rosto quando ele se está a rir. Ele disse que estava um bocadinho saliente, que o fazia mais velho. E pediu para desbastar mais um bocadinho, para ficar mais liso e mais jovial. Mas mandaram avançar porque gostaram do que viram.
Já era um objetivo que tinha, fazer uma escultura. Já tinha feito uma para ficar à frente do seu museu, mas já tinha pensado em fazer o busto dele noutra dinâmica, noutra temática. E surgiu esta oportunidade e fiz com esta intenção de fazer uma coisa diferente.

Qual a vossa opinião, amigos?
A nossa, parece evidente…





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