terça-feira, agosto 09, 2016

A RAINHA DAS ROMARIAS PORTUGUESAS - ROMARIA DE NOSSA SENHORA D'AGONIA ( 19, 20 e 21 DE AGOSTO DE 2016)


A minha terra é Viana!
Sou do monte e sou do mar.
Só dou o nome de terra
Onde o da minha chegar!
(Pedro Homem de Mello)





Era uma vez uma pequena povoação nascida no margem direita do rio Lima, junto à foz, quando as águas doces e vaporosas se misturaram com o bravio das ondas salgadas. Chamava-se Átrio e tinha, sobranceira, uma montanha de arvoredo, onde no alto existia a fortificação de um castro habitado por povos sem nome e que, a dada altura, desceram ao litoral, buscando na pesca melhor alimento e mais comércio.
Era extremamente bela, entre veigas cultivadas, palmos de horta viçosas, redis, pomares e vinhedos, mas a sua principal vocação era o mar, a pesca. Na praia, várias embarcações esperavam pelas madrugadas para serem lançadas às vagas, com o afã dos remos, o aceno das velas e o espalhar das redes.


Pelo entardecer, as companhas regressavam ao Átrio, para a alegria das mulheres e crianças, com o fundo da embarcação coberto e pescado palpitante: a sardinha, o carapau, a faneca, o congro...
Vinham rio abaixo, habitantes de outras povoações, para o abastecimento pródigo das suas mesas.

Ora morava no Átrio, na modéstia de um casebre, uma linda rapariga chamada Ana, filha de pescador e desenvolta na venda do peixe, sempre com uma canção nos lábios, ouvida a algum jogral chegado da vizinha Galiza, onde animava os serões dos paços e terreiros das romarias.
Escutava-lhe, deliciado, estas cantigas de amor e de amigo, um jovem barqueiro que transportava na correnteza do rio, até ao Átrio, lavradores, mercadores, à compra de peixe fresco e saboroso. De tanto escutar a voz harmónica de Ana e de lhe admirar a graça, o rapaz começou a sentir pela rapariga um amor que ia aumentando dia após dia.

Confessava já aos amigos e companheiros de lida, o agrado desse amor nascente. E estes, contentes com o seu contentamento, sorriam quando o moço barqueiro, ao voltar ao Átrio, lhes atirava um brado feliz:
    - Vi Ana! Vi Ana!
Um dia, porém, não se contentou em vê-la e dirigiu-lhe a palavra, num enleio que corava as faces. A rapariga, percebeu o vivo interesse amoroso do rapaz por ela, os olhos brilhantes sobre o rosto, sobre o cabelo dela. O seu coração lisonjeado retribui-lhe esse interesse, retribui-lhe esse amor.
Não tardou em realizar-se a boda dos dois namorados. Durante os festejos, os companheiros e amigos do noivo recordavam-lhe o brado entusiástico:
    -Vi Ana! Vi Ana!
O dito foi logo adotado pelos pescadores do Átrio que passaram a repeti-lo, quando regressavam dos trabalhos duros da faina, se lhes deparava o vulto acolhedor da montanha, as praias douradas, as veigas férteis, as águas lentas do rio e a paz dos seus lares:
    -Vi Ana! Vi Ana !

Ao conceder o foral à povoação da foz do Lima, em 1258, o rei D. Afonso III, que a visitara tempos antes, extasiando-se com tanta beleza e prosperidade, substitui-lhe o nome de Átrio pelo de Viana.
                                                                                (António Manuel Couto - "Lendas do Vale do Lima")


Acorda-se ao som de foguetes, misturam-se lágrimas com saudades, regressos e reencontros. Dos que voltam e ficam amarrados às suas coisas que não querem perder. Dos que voltam e partem à bolina, a sul e a norte, à busca de nova maré.

É a FESTA do Minho, no norte de Portugal - a animação permanente noite e dia. Um palco cheio de iniciativas e uma passerelle cheia de atrações que justificam bem a razão de uma visita. São quatro dias de festa rija, que têm como pontos altos o Desfile da Mordomia, composto por muitas centenas de minhotas envergando os diversos trajes regionais, o Cortejo Etnográfico, o Fogo de Artifício e a Procissão ao Mar, ainda a Feira Franca, os Zés Pereiras, corridas de touros, serenatas e concertos.

A Procissão ao Mar e Rio Lima, é uma impressionante manifestação de fé sem fronteiras, sendo por aí que as nossas caravelas chegaram ao Brasil, Índia e a outros pontos do globo. As ruas da Ribeira cobrem-se com tapetes floridos, assinalando a passagem da imagem da Senhora D'Agonia rumo ao mar e são igualmente testemunhos de profunda fé religiosa.

A etnografia tem o seu espaço nos desfiles do Cortejo Etnográfico e na Festa do Traje, onde se podem admirar os belos trajes de noiva, mordoma e lavradeira, vestidos por lindas minhotas que ostentam peitos repletos de autênticas obras de arte em ouro. A festa continua...Tocam as concertinas e os bombos, dançam as lavradeiras...

Estas Festas da Senhora D'Agonia constituem o maior cartaz vivo de atração turística do norte de Portugal. Por dois motivos: em primeiro lugar, porque mantém a especificidade e a individualidade que a caracteriza e a torna diferente, o que significa a preservação do nosso património, das tradições histórico / culturais, da riqueza do nosso folclore, da autenticidade do artesanato, a valorização dos costumes.
Em segundo lugar pelo cartaz turístico da Romaria que já representa, hoje, uma vivência duplamente centenária ( a Romaria data de 1783) e assumida que foi como símbolo de uma região. Região que em termos populares a designa de FESTA.

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