sábado, abril 30, 2016

DIA INTERNACIONAL DA DANÇA, 29 DE ABRIL DE 2016 - OS LOUCOS ANOS 20




"Dançar é sentir, 
sentir é sofrer, 
sofrer é amar... 
Tu amas, sofres e sentes.
 Dança!" 
Isadora Duncan



O Dia Mundial da Dança celebra-se todos os anos a 29 de abril. A data foi criada em 1982 pelo Comité Internacional da Dança (CID) da UNESCO, que escolheu o dia 29 de abril como o Dia Internacional da Dança. A comemoração tem por base o dia de nascimento de Jean-Georges Noverre, que nasceu em 1727 e foi um dos grandes nomes mundiais da dança.

Dançarinas do Charleston
A celebração do Dia Mundial da Dança tem como objetivo celebrar esta arte e mostrar a sua universalidade, independentemente das barreiras políticas, culturais e éticas.

Em comemoração desta data que celebra a Dança, Preto, Branco, E, uma vez mais escolheu a década dos anos 20- os loucos anos 20- com toda a sua alegria, criatividade e também toda a sua loucura.

Uma década de prosperidade e liberdade, animada pelo som das jazz-bands e pelo charme das melindrosas mulheres modernas da época, a década dos anos 20 caracterizou-se pela frequência dos salões de dança, simbolos dos comportamentos, modo de vestir e também do espírito da época.

A época do Jazz tinha chegado.

Rosto Anos 20
Além dos salões, da ópera ou teatro, a sociedade dos anos 20 também frequentava os animatógrafos que exibiam os filmes de Hollywood e os seus astros, como Rodolfo Valentino e Douglas Fairbanks. 

As mulheres copiavam as roupas e os trejeitos das atrizes famosas, entre elas Gloria Swanson e Mary Pickford.

A cantora e dançarina Josephine Baker destacou-se, à data, pela ousadia das suas apresentações, sempre em trajes ousados.

Livre dos espartilhos, usados até ao final do século XIX, a mulher começou a ter mais liberdade e já se permitia mostrar as pernas, o colo e usar maquiagem. A boca era carmim, pintada de modo semelhante a um coração ou arco de cupido; os olhos eram bem realçados, as sobrancelhas tiradas e delineadas a lápis; a pele era branca, o que acentuava os tons escuros da maquiagem.

A silhueta dos anos 20 era tubular, com vestidos mais curtos, leves elegantes, geralmente em seda, deixando braços e costas à mostra, o que facilitava os movimentos exigentes e frenéticos das novas danças, de onde se destacava o Charleston.

Usualmente as meias eram em tons de beige, para sugerir a nudez das pernas. O chapéu, até então acessório obrigatório, ficou limitado ao uso diurno. O modelo mais popular era o "cloche", enterrado até aos olhos, que só podia ser usado com os cabelos curtíssimos, a "la garçonne", como era chamado.

Menu do Cotton Club

A mulher era sensual e sem curvas, seios e quadris pequenos. A atenção estava toda voltada para os tornozelos. Em 1927, Jacques Doucet (1853-1929), figurinista francês, subiu as saias ao ponto de mostrar as ligas de renda das mulheres - um verdadeiro escândalo para os mais conservadores.
Esta foi a década da estilista Coco Chanel, com os seus cortes retos, capas , blazers, cardigãs, colares bonitos e compridos, boinas e cabelos curtos.

Durante toda a década Chanel lançou uma moda nova após outra, tornando-se numa das maiores criadoras de moda de todos os tempos. Outro estilista que igualmente marcou estes anos foi Jean Patou, com a sua linha "sportswear" dos famosos fatos de banho e toucas que inundaram as praias elegantes da época.

Os anos 20 foram a década do apogeu da "arte-déco", de Juan Miró e Pablo Picasso. Foram ainda a era das inovações tecnológicas, da eletricidade, da modernização das fábricas, do rádio e também do início do cinema sonoro.

Dos clubes e salões de dança, o mais famoso foi o Cotton Club, que se tornou num ícone da época. Nas suas pistas dançava-se o Charleston, originário da estado norte-americano Carolina do Sul, ao som de uma orquestra formada exclusivamente por negros. Era frequentado por uma elite branca.

As mulheres agitavam os vestidos curtos, de cintura baixa e muitas franjas, ao som do Charleston, abanando os colares compridos de cristal e ondulando plumas e os leques. A suas mãos cruzavam-se e descruzavam-se sobre os joelhos, as pernas ora se encostavam ora se afastavam, seguindo um ritmo frenético. Num outro passo da dança, levantavam  as pernas e finalizavam com um agitar das mãos no ar, imitando pandeiros. O Charleston, com os seus frenéticos movimentos e integrado no Jazz da época em constante evolução, foi seguido pelo Black Bottom, Shimmy, Quickstep, que não passaram de variantes desta corrente musical e coreográfica.

Sobrevivendo ao logo do tempo, sabemos que o próprio Michael Jackson baseou a criação  do seu famoso passo "Moonwalk" nos movimentos do Charleston e seus congéneres.
Foi ainda e já no final desta década que surgiu o "Swing" e o atual Jive, novas modalidade do jazz, que viriam a atingir o seu apogeu nos anos 30, 40 e 50.

Festa em Salão-Clube "Anos 20"

Mas toda a euforia dos "loucos anos 20" acabou no dia 29 de outubro de 1929, quando a Bolsa de Valores de Nova Iorque registou a maior queda da sua história. De um dia para o outro, os investidores perderam tudo, afetando toda a economia dos Estados Unidos e de todo o mundo, consequentemente.

Aos "loucos anos 20" seguiram-se os anos da "Grande Depressão", marcados pelas falências, desemprego e pelo desespero...





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